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FCA abre caminho para fundos tokenizados no Reino Unido

Hillary Gonçalves by Hillary Gonçalves
maio 2, 2026
in Notícias
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Ilustração sobre regulação da FCA para fundos tokenizados no Reino Unido
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📋 Resumo

A FCA publicou novas orientações para facilitar a tokenização de fundos no Reino Unido, permitindo o uso de DLT dentro das regras existentes e criando um modelo opcional Direct to Fund. A medida mira eficiência para gestoras e dá mais clareza para estruturas on-chain em um mercado com £16,5 trilhões sob gestão.

A Financial Conduct Authority (FCA), reguladora financeira do Reino Unido, publicou novas orientações para acelerar a tokenização de fundos de investimento e dar mais segurança jurídica ao uso de tecnologia de registro distribuído (DLT) por gestoras. A medida também introduz novas regras para um modelo opcional chamado Direct to Fund (D2F), que permite ao investidor negociar diretamente com o fundo, seja ele tradicional ou tokenizado.

Na prática, a decisão coloca a tokenização de fundos dentro do arcabouço regulatório já existente, em vez de tratá-la como uma estrutura paralela. Para o mercado cripto, o ponto central é que a FCA reconhece a possibilidade de usar DLT em operações de fundos regulados, inclusive em modelos de infraestrutura pública quando houver controles adequados, segundo declarações da Investment Association citadas pela própria autarquia.

O que muda para fundos tokenizados

A FCA afirma que a tokenização pode reduzir custos, ampliar o acesso a produtos de investimento e tornar a infraestrutura de fundos mais eficiente. Tokenizar um fundo significa representar cotas, direitos ou registros de propriedade em uma rede distribuída, em vez de depender apenas de sistemas tradicionais de registro e liquidação.

O novo modelo Direct to Fund é outro ponto relevante. Segundo a reguladora, ele permite que investidores negociem diretamente com o fundo, o que pode reduzir etapas operacionais e intermediários. A regra vale tanto para fundos convencionais quanto para fundos tokenizados, o que indica uma tentativa de modernizar a infraestrutura sem separar completamente o mercado financeiro tradicional do ambiente on-chain.

Simon Walls, diretor executivo de mercados da FCA, disse que a tokenização pode ter papel importante na gestão de ativos, mas que a adoção será determinada por empresas e investidores. Segundo ele, a prioridade da autarquia foi entregar “um framework claro e prático” para que a tokenização de fundos opere dentro das regras atuais.

Por que isso importa para o mercado cripto

O Reino Unido é um dos maiores centros globais de gestão de recursos. De acordo com a FCA, cerca de 2.600 empresas administram £16,5 trilhões em ativos para clientes locais e internacionais. Por isso, qualquer avanço regulatório em tokenização de fundos tende a ser acompanhado de perto por bancos, gestoras, custodiante e empresas de infraestrutura blockchain.

Esse movimento se conecta à expansão dos ativos do mundo real tokenizados, os chamados RWAs. O CriptoBR já mostrou que o tema ganhou espaço em discussões institucionais nos Estados Unidos, como na audiência sobre tokenização no Congresso dos EUA. Também há sinais de adoção no mercado tradicional europeu, como no caso da L&G levando £50 bilhões em fundos à rede tokenizada da Calastone.

Para gestoras, a clareza regulatória pode reduzir o risco de projetos-piloto ficarem presos em zonas cinzentas. Para investidores, o impacto potencial está em produtos com liquidação mais rápida, registros mais transparentes e acesso a classes de ativos antes restritas. Ainda assim, a FCA não apresentou a tokenização como uma solução sem riscos: a adoção dependerá de controles operacionais, governança, proteção ao investidor e compatibilidade com as obrigações já existentes no setor financeiro.

Reino Unido tenta não perder a corrida da tokenização

A decisão também reforça a disputa entre jurisdições para atrair infraestrutura de mercado baseada em blockchain. Enquanto a União Europeia avança com MiCA e os Estados Unidos debatem marcos para stablecoins e estrutura de mercado, o Reino Unido tenta posicionar sua indústria de gestão de ativos como um ambiente regulado, mas aberto à inovação.

No Brasil, o tema também avança por meio de pilotos e iniciativas reguladas, como as inscrições abertas pela ANBIMA para tokenização de debêntures e fundos. A diferença é que o Reino Unido está falando diretamente com um dos maiores mercados de asset management do mundo, o que pode acelerar padrões usados por instituições globais.

A FCA informou ainda que seguirá dialogando com a indústria sobre DLT em mercados atacadistas do Reino Unido. Ou seja: a orientação sobre fundos pode ser apenas uma etapa de um roteiro mais amplo para ativos digitais dentro da gestão de recursos.

Hillary Gonçalves
Hillary Gonçalves

Hillary Gonçalves cobre regulação cripto no Brasil, movimentações institucionais e adoção de stablecoins em real. Editora no CriptoBR desde 2026, acompanha o impacto das decisões do Banco Central e da CVM no mercado digital brasileiro.

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Tags: DeFiregulaçãoReino UnidoRWAtokenização
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