O Citi reduziu suas metas de 12 meses para Bitcoin e Ethereum após zerar a previsão de entrada líquida em ETFs cripto. O corte mostra que o fluxo institucional segue como principal gatilho para uma retomada mais forte do mercado.
O Citi cortou suas projeções de 12 meses para Bitcoin e Ethereum, citando a forte perda de tração dos ETFs cripto nos Estados Unidos e a falta de um catalisador regulatório capaz de reacender a demanda institucional no curto prazo.
Segundo o CoinDesk, o banco reduziu o alvo-base do Bitcoin de US$ 112 mil para US$ 82 mil. Para o Ether, a meta caiu de US$ 3.175 para US$ 2.240. A mudança veio junto com uma revisão importante: o Citi agora trabalha com entrada líquida zero em ETFs de cripto nos próximos 12 meses.
ETFs deixam de ser vento a favor
A leitura do banco é direta: sem novo dinheiro entrando pelos ETFs, o mercado perde uma das principais fontes de compra institucional que sustentaram o ciclo desde 2024. A pressão ficou mais clara em junho, quando ETFs de Bitcoin registraram cerca de US$ 4 bilhões em saques líquidos, o maior volume mensal de retiradas já observado, de acordo com a reportagem.
O movimento conversa com uma sequência recente de estresse nos produtos listados. O CriptoBR já havia mostrado que ETFs de Bitcoin e Ether encerraram uma série de saques, mas o alívio não se transformou em uma retomada consistente. Antes disso, os ETFs de Bitcoin já vinham batendo recordes de resgates seguidos, reforçando a fragilidade da demanda.
Na avaliação do analista Alex Saunders, citado pelo CoinDesk, a ausência de catalisadores para ampliar o interesse dos investidores levou o banco a reduzir para zero sua expectativa de fluxo líquido no período de 12 meses. Para o Citi, os fluxos dos ETFs continuam sendo a variável mais importante para explicar os preços de Bitcoin e Ethereum.
Legislação parada pesa no cenário
Outro ponto citado pelo banco é o avanço mais lento da legislação cripto nos Estados Unidos. A expectativa anterior era que uma estrutura regulatória mais clara ajudasse consultores financeiros e investidores tradicionais a aumentar exposição ao setor. Com o calendário mais incerto, esse impulso foi retirado do cenário-base.
O relatório também menciona preocupações com empresas de tesouraria em ativos digitais, especialmente a possibilidade de algumas delas se tornarem vendedoras líquidas de Bitcoin. Esse receio ganhou força depois de ações recentes da Strategy, mesmo que as vendas tenham sido relativamente pequenas. O CriptoBR acompanhou esse debate quando mostrou que a Strategy passou a valer menos que seus Bitcoins pela primeira vez.
Para o investidor brasileiro, o recado é que a recuperação de preço pode depender menos de narrativas isoladas e mais de dados concretos de fluxo. Se os ETFs voltarem a captar, o mercado ganha um comprador recorrente. Se os resgates continuarem, qualquer alta tende a encontrar mais resistência.
Cenários do Citi ainda deixam espaço para alta
Mesmo com o corte, o Citi não abandonou um cenário positivo. No caso otimista, com retomada de adoção por varejo e instituições, o banco vê o Bitcoin em US$ 108 mil e o Ether em US$ 2.932. Já o cenário negativo, associado a recessão e continuidade de saques em ETFs, aponta BTC a US$ 53 mil e ETH a US$ 1.094.
A diferença entre os cenários mostra o tamanho da dependência do fluxo institucional. O mercado até encontrou algum alívio nesta quarta-feira, com o Bitcoin voltando para a região de US$ 60 mil após dados econômicos mais fracos nos EUA. Mas, para o Citi, fatores macro mais favoráveis ainda não compensam a demanda menor por ETFs.
Na prática, a nova projeção do banco coloca os ETFs novamente no centro do radar. Mais do que um detalhe de Wall Street, os fluxos desses produtos funcionam como termômetro da disposição institucional para assumir risco em cripto neste segundo semestre.
Hillary Gonçalves cobre regulação cripto no Brasil, movimentações institucionais e adoção de stablecoins em real. Editora no CriptoBR desde 2026, acompanha o impacto das decisões do Banco Central e da CVM no mercado digital brasileiro.





