ETFs spot de Bitcoin e Ether nos EUA voltaram a registrar entradas após longas sequências de saques. O alívio, porém, ainda é pequeno diante dos US$ 4,4 bilhões retirados dos fundos de Bitcoin desde meados de maio.
Os ETFs spot de Bitcoin e Ether nos Estados Unidos encerraram uma sequência recorde de saques, mas o tamanho das entradas mostra que o mercado institucional ainda está longe de virar a chave para uma nova fase de forte acumulação.
Segundo dados citados pelo CoinDesk, os ETFs spot de Bitcoin registraram entrada líquida de US$ 3,05 milhões na quarta-feira, depois de 13 sessões seguidas de resgates que somaram cerca de US$ 4,4 bilhões. Nos fundos de Ether, o movimento também foi de alívio: a categoria teve US$ 19,3 milhões em entrada líquida após 17 dias consecutivos de saída.
O número é importante porque mostra uma pausa na pressão vendedora justamente depois de uma das semanas mais difíceis para os criptoativos. Como o CriptoBR mostrou na matéria sobre a queda do Bitcoin abaixo de US$ 62 mil e a liquidação bilionária, a combinação de saques em ETFs, desalavancagem e piora do apetite por risco acelerou perdas no mercado.
Entrada pequena, contexto grande
A leitura mais prudente é que o fluxo positivo ainda não representa uma retomada consistente. No caso do Bitcoin, uma entrada de US$ 3,05 milhões é praticamente marginal perto dos US$ 4,4 bilhões retirados ao longo da sequência de 13 pregões. O próprio CoinDesk tratou o dado como um sinal de estabilização, não como prova de uma reversão estrutural.
Os ativos totais dos ETFs de Bitcoin caíram de US$ 104,29 bilhões no início da sequência de saques para cerca de US$ 80,40 bilhões. Parte desse recuo vem da queda do preço do BTC, mas os resgates também pesaram. O total de BTC mantido por ETFs spot nos EUA está em 1,277 milhão de unidades, abaixo do pico de 1,376 milhão registrado em outubro de 2025.
Na prática, isso indica que o fluxo institucional que ajudou a sustentar o ciclo anterior perdeu força. A pausa nos saques reduz a pressão imediata, mas ainda não recoloca os ETFs como motor claro de demanda.
BlackRock lidera alívio em BTC e ETH
No Bitcoin, o IBIT, da BlackRock, absorveu US$ 47,66 milhões, enquanto fundos de Fidelity, Bitwise e Ark continuaram registrando saídas. No Ether, toda a entrada líquida de US$ 19,3 milhões veio do ETHA, também da BlackRock, enquanto os demais ETFs de ETH ficaram sem fluxo relevante no dia.
Esse detalhe reforça uma divisão importante: o investidor institucional não está voltando para a categoria inteira de forma uniforme. O capital parece mais seletivo, concentrado nos produtos de maior escala e liquidez.
A movimentação também vem logo depois de outra matéria do CriptoBR sobre os US$ 4,4 bilhões em saques nos ETFs cripto. A diferença agora é que o mercado saiu do modo de resgate contínuo, mas ainda precisa provar que há compradores suficientes para sustentar preços mais altos.
HYPE segue como exceção no mercado de ETFs
Enquanto Bitcoin e Ether tentam estabilizar, os ETFs ligados à Hyperliquid continuam destoando do restante do mercado. De acordo com os dados compilados pelo CoinDesk, os produtos de HYPE receberam mais US$ 12,15 milhões no dia, levando os ativos líquidos para US$ 185,68 milhões em cerca de quatro semanas desde o lançamento em maio.
O destaque é que os ETFs de HYPE registraram entrada líquida em todos os pregões desde a estreia. Isso sugere que parte do capital especulativo não saiu completamente de cripto, mas migrou para narrativas específicas com maior apetite de risco.
O contraste ajuda a explicar o momento atual. Bitcoin e Ether seguem como referências institucionais, mas também são os ativos mais expostos a fluxos macro, juros e realocação de portfólio. Tokens com narrativa própria podem performar melhor em janelas curtas, embora com risco proporcionalmente maior.
O que o investidor deve observar agora
Para o leitor brasileiro, o ponto central não é apenas se houve entrada ou saída em um dia específico. O dado relevante é a tendência. Se os ETFs voltarem a receber entradas consistentes por vários pregões, isso pode aliviar a pressão sobre BTC e ETH. Se o fluxo positivo for isolado, o mercado pode continuar vulnerável a novas liquidações.
Também vale acompanhar o comportamento dos fundos da BlackRock. Como IBIT e ETHA concentraram a maior parte do alívio, eles funcionam como termômetro da demanda institucional mais profunda. Entradas espalhadas por mais gestoras seriam um sinal mais forte de recuperação ampla.
Por enquanto, a mensagem é equilibrada: o pior da sequência de resgates pode ter dado uma pausa, mas ainda não há evidência suficiente para chamar isso de retomada. Depois de dias de vendas pesadas, o mercado ganhou fôlego. A confirmação virá apenas se esse fôlego se transformar em fluxo recorrente.
Hillary Gonçalves cobre regulação cripto no Brasil, movimentações institucionais e adoção de stablecoins em real. Editora no CriptoBR desde 2026, acompanha o impacto das decisões do Banco Central e da CVM no mercado digital brasileiro.





