O Bitcoin caiu para a 13ª posição entre os maiores ativos do mundo após seu valor de mercado recuar para menos de US$ 1,5 trilhão. A perda de posição acontece enquanto ouro, prata e ações ligadas à inteligência artificial avançam, reforçando uma rotação de capital para outros setores.
O Bitcoin voltou a ficar fora do top 10 global de ativos por valor de mercado, em um movimento que evidencia a perda de força relativa da criptomoeda frente a metais preciosos e grandes empresas de tecnologia. Segundo levantamento publicado pelo Cointelegraph com base em dados de mercado, o BTC caiu para a 13ª posição após sua capitalização recuar para cerca de US$ 1,45 trilhão.
A queda não significa que o Bitcoin deixou de ser um dos maiores ativos líquidos do mundo, mas mostra que a disputa por capital ficou mais dura em 2026. Enquanto o BTC recuou de níveis próximos a US$ 83 mil no começo de maio para a região de US$ 72 mil, nomes ligados à inteligência artificial, semicondutores, ouro e prata avançaram no ranking global.
Bitcoin perde espaço para metais e ações de IA
De acordo com a cobertura do Cointelegraph replicada no TradingView, o valor de mercado do Bitcoin caiu de aproximadamente US$ 1,66 trilhão para US$ 1,45 trilhão durante a correção recente. Com isso, a criptomoeda ficou atrás de ativos como Saudi Aramco, Tesla e Meta Platforms.
O pano de fundo é uma rotação de capital. O ouro e a prata ganharam força em meio a incertezas macroeconômicas e geopolíticas, enquanto empresas ligadas ao ciclo de inteligência artificial e semicondutores continuaram atraindo fluxo institucional. O próprio ranking da CompaniesMarketCap mostra o Bitcoin ainda próximo da faixa de US$ 1,5 trilhão, mas pressionado por ativos tradicionais e ações de megacapitalização.
Esse deslocamento importa porque o Bitcoin costuma ser comparado não apenas com outras criptomoedas, mas também com ouro, grandes empresas de tecnologia e ativos usados como reserva de valor. Quando o BTC perde posições mesmo mantendo capitalização acima de US$ 1 trilhão, o sinal é menos de colapso isolado e mais de competição intensa por liquidez global.
ETFs e demanda institucional seguem no radar
A perda de força também ocorre depois de uma sequência negativa nos ETFs spot de Bitcoin nos Estados Unidos. Como o CriptoBR mostrou na matéria sobre ETFs de Bitcoin com recorde de saques seguidos, os fundos listados nos EUA vêm sofrendo resgates persistentes, reduzindo um dos principais motores de demanda institucional do ciclo atual.
Esse ponto é importante porque os ETFs funcionaram, por meses, como uma ponte direta entre o mercado tradicional e o Bitcoin. Quando os fluxos esfriam, o preço fica mais dependente de compradores no mercado à vista, derivativos e tesourarias corporativas. A consequência é um BTC mais sensível a liquidações, mudanças de apetite por risco e leitura macro de curto prazo.
O cenário conversa com outro tema recente: a pressão sobre empresas que usam Bitcoin como ativo de tesouraria. O debate ganhou força após críticas ao modelo de financiamento da Strategy, tema que se conecta ao risco de vendas futuras caso obrigações financeiras apertem. No Brasil, o CriptoBR também acompanhou como o mercado reagiu quando o Bitcoin caiu abaixo de US$ 73 mil em uma onda de liquidações.
Queda no ranking não muda a tese, mas muda o humor
Para investidores de longo prazo, sair do top 10 global não altera a escassez programada do Bitcoin nem sua função como ativo monetário digital. Ainda assim, rankings desse tipo têm efeito narrativo: eles ajudam a medir se o BTC está capturando ou perdendo atenção em relação a outros grandes temas de mercado.
A leitura mais equilibrada é que o Bitcoin continua relevante, mas deixou de operar com vento a favor em todas as frentes. A criptomoeda enfrenta uma combinação de saídas em ETFs, realização após meses de alta, busca por proteção em metais e forte competição das ações de IA. Esse conjunto torna mais difícil sustentar múltiplos altos sem uma nova rodada clara de demanda.
Para o investidor brasileiro, o ponto prático é acompanhar menos o número isolado do ranking e mais os sinais de fluxo. Se os ETFs voltarem a captar, se o preço recuperar a região perdida e se a liquidez global melhorar, o BTC pode voltar rapidamente ao top 10. Se a pressão continuar, a faixa de US$ 70 mil tende a seguir como zona psicológica importante para o mercado.
O Bitcoin ainda está longe de ser pequeno. Mas, em um mercado global onde ouro, prata e IA disputam o mesmo capital institucional, estar acima de US$ 1 trilhão já não basta para manter lugar garantido entre os dez maiores ativos do planeta.
Mauro Andrade cobre cripto internacional, geopolítica digital e mercado global no CriptoBR. Acompanha movimentos regulatórios nos EUA, Europa e Ásia, adoção institucional por grandes players (BlackRock, Fidelity, JPMorgan) e o impacto geopolítico das criptomoedas no cenário financeiro mundial.





