A stablecoin Magic Internet Money (MIM), do protocolo Abracadabra, voltou a perder força e chegou perto de US$ 0,50, segundo dados de mercado citados pela imprensa internacional. A equipe iniciou medidas emergenciais para elevar juros nos mercados Cauldron, estimular pagamento de dívidas e reduzir a oferta em circulação.
A stablecoin Magic Internet Money (MIM), emitida no ecossistema Abracadabra, entrou em uma nova fase de estresse após cair cerca de 50% abaixo da paridade de US$ 1. O protocolo afirmou que começou a adotar medidas emergenciais para tentar restaurar a confiança no ativo, em um momento delicado para stablecoins cripto-colateralizadas e mercados de empréstimo em DeFi.
Segundo o Cointelegraph, a equipe do Abracadabra disse que está “ciente” do depeg da MIM e que vai aumentar gradualmente as taxas de juros em todos os mercados Cauldron, inclusive os descontinuados. A lógica é tornar mais caro manter posições abertas, incentivar tomadores a quitarem dívidas e, com isso, reduzir a quantidade de MIM em circulação.
Como o plano tenta recuperar a paridade
Na prática, a queda da MIM cria um incentivo incomum para quem tomou empréstimos: comprar a stablecoin com desconto no mercado e usá-la para pagar dívidas denominadas em MIM. Se esse movimento ganhar escala, parte da oferta pode ser retirada do sistema e aliviar a pressão sobre a paridade.
O problema é que esse ajuste depende de liquidez, confiança e coordenação. O próprio Cointelegraph apontou que a MIM já havia passado por instabilidade em junho, com queda para a faixa de US$ 0,74, recuperação parcial para perto de US$ 0,89 e nova queda para a região de US$ 0,49. Dados do CoinMarketCap citados por diferentes agregadores também indicavam preço próximo de US$ 0,50 nesta quinta-feira.
A Pharos, que monitora eventos de depeg, registra o episódio da MIM como ainda em andamento desde 8 de junho, com desvio máximo próximo de 47% em relação à paridade. Esse tipo de painel é útil porque mostra que o episódio não parece ser apenas uma oscilação pontual de baixa liquidez, mas uma crise de confiança prolongada.
Por que isso importa para DeFi
Stablecoins colateralizadas por criptoativos são uma peça central de muitos protocolos DeFi. Elas servem como unidade de conta, liquidez de pools, garantia em operações alavancadas e ponte entre diferentes estratégias. Quando uma dessas moedas perde a paridade, o impacto pode aparecer em liquidações, retirada de liquidez e aumento do risco percebido em protocolos conectados.
O caso também reforça um alerta recorrente: stablecoin não é sinônimo automático de baixo risco. Mesmo projetos com mecanismos de colateral, arbitragem e incentivos podem enfrentar estresse quando a liquidez seca ou quando o mercado começa a questionar a capacidade de recuperação do peg.
O episódio acontece em um período em que o mercado já vinha dando mais atenção a risco em DeFi. Como o CriptoBR mostrou na matéria sobre alertas de IA para hacks bilionários em DeFi, a combinação de protocolos complexos, liquidez fragmentada e automação financeira amplia o efeito de falhas operacionais ou crises de confiança.
Mercado observa risco de contágio
Por enquanto, a crise da MIM parece concentrada no ecossistema Abracadabra. Ainda assim, o risco monitorado por traders é o efeito indireto em pools de liquidez, posições com garantia e estratégias que usam MIM como parte de uma cesta maior de stablecoins.
O pano de fundo também não ajuda. O Bitcoin voltou a negociar perto da região de US$ 62 mil nesta semana, em um ambiente de maior aversão a risco, como o CriptoBR reportou na cobertura sobre a queda do Bitcoin com fuga de risco em ações de chips. Em mercados mais defensivos, ativos menores e estruturas DeFi mais frágeis tendem a sofrer primeiro.
Ao mesmo tempo, o contraste com stablecoins usadas em pagamentos e infraestrutura regulada fica mais evidente. Enquanto empresas tentam levar stablecoins para casos de uso cotidianos, como no movimento da Oobit com Pix e stablecoins, episódios como o da MIM lembram que o desenho do colateral e a profundidade de mercado continuam sendo pontos críticos.
A próxima leitura importante será se o aumento de juros nos Cauldrons conseguirá acelerar pagamentos sem provocar mais saída de liquidez. Se a MIM recuperar parte relevante da paridade, o episódio pode ficar como mais um teste de estresse em DeFi. Se a pressão continuar, o mercado deve voltar a discutir o tamanho real do risco em stablecoins cripto-colateralizadas menores.
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





