O Bitcoin caiu abaixo de US$ 73 mil nesta quinta-feira, enquanto quase US$ 1 bilhão em posições alavancadas foi liquidado no mercado cripto. A pressão veio após novos ataques dos EUA ao Irã reacenderem o modo de aversão a risco e coincidiu com fortes saídas dos ETFs spot de Bitcoin.
O Bitcoin perdeu o nível de US$ 73 mil nesta quinta-feira (28) e puxou uma nova rodada de liquidações no mercado cripto. Segundo o CoinDesk, a queda ocorreu após ataques dos Estados Unidos contra o Irã elevarem a tensão perto do Estreito de Ormuz, levando investidores a reduzir exposição a ativos de risco.
O movimento apagou posições compradas em escala. Dados citados pelo CoinDesk a partir da CoinGlass apontaram US$ 958,8 milhões em liquidações em 24 horas, com 167.706 traders afetados. As posições long representaram a maior parte do ajuste, sinal de que o mercado estava posicionado para uma recuperação que não veio.
Bitcoin e Ethereum lideram as perdas
Na mínima da sessão asiática, o Bitcoin tocou US$ 72.912 e era negociado perto de US$ 72.978, em queda de 3,4% no dia e 6,3% na semana, segundo dados de mercado compilados pelo CoinDesk. O Ethereum também perdeu o patamar psicológico de US$ 2.000, recuando para perto de US$ 1.976.
A liquidação ficou concentrada justamente nos dois maiores ativos do mercado. O Bitcoin respondeu por cerca de US$ 386 milhões em posições forçadas, enquanto o Ether somou US$ 246 milhões. A maior ordem individual liquidada foi uma posição de BTC de US$ 15,34 milhões na Hyperliquid.
O pano de fundo é importante porque o mercado já vinha fragilizado. Como o CriptoBR mostrou na matéria sobre a venda de US$ 1,3 bilhão em IBIT que pressionou o Bitcoin, grandes ordens em produtos institucionais vinham pesando no humor dos investidores desde a véspera.
ETFs ampliam o sinal de cautela
A pressão não veio apenas do mercado futuro. Os ETFs spot de Bitcoin nos Estados Unidos registraram saída líquida de US$ 733,4 milhões em 27 de maio, de acordo com dados da Farside Investors reportados pela CoinNess. Foi o oitavo dia consecutivo de resgates no conjunto dos fundos.
O destaque negativo foi o IBIT, da BlackRock, com US$ 527,8 milhões em saída líquida. Também houve resgates em FBTC, da Fidelity, GBTC, da Grayscale, e outros produtos menores. A única entrada positiva citada no levantamento foi de US$ 4,3 milhões no MSBT, da Morgan Stanley, valor pequeno diante do fluxo total.
Essa sequência reforça uma mudança de comportamento em maio: em vez de absorver quedas, o canal institucional passou a retirar capital do Bitcoin. Em ciclos anteriores, entradas em ETFs ajudaram a sustentar testes de resistência; agora, a combinação de saídas, tensão geopolítica e alavancagem elevada cria uma estrutura mais frágil.
O que muda para traders e holders
Para traders, a mensagem é de gestão de risco. Um mercado com liquidações concentradas em posições compradas tende a ficar mais sensível a novas perdas de suporte, porque stops e chamadas de margem podem acelerar movimentos curtos. A região dos US$ 70 mil volta a ser observada como referência psicológica se o fluxo vendedor continuar.
Para holders, a leitura é menos sobre um único candle e mais sobre a origem da pressão. A queda combina macro, derivativos e ETFs, três frentes que podem se retroalimentar. O CriptoBR já vinha acompanhando esse enfraquecimento na cobertura sobre o Bitcoin a US$ 74 mil com saídas bilionárias em ETFs.
O Ethereum também merece atenção. A perda dos US$ 2.000 amplia a pressão sobre altcoins e DeFi, especialmente depois de semanas em que a rede já enfrentava ruído institucional e mudanças internas, como mostrou a cobertura sobre a defesa de Vitalik Buterin por uma Fundação Ethereum menor.
Por enquanto, a notícia central não é uma ruptura definitiva de tese, mas uma limpeza forte de alavancagem em um mercado que estava exposto demais ao lado comprado. Se os ETFs estabilizarem e a tensão geopolítica arrefecer, parte da queda pode ser absorvida. Se os resgates continuarem, o Bitcoin pode precisar testar níveis mais baixos antes de reconstruir demanda.
Mauro Andrade cobre cripto internacional, geopolítica digital e mercado global no CriptoBR. Acompanha movimentos regulatórios nos EUA, Europa e Ásia, adoção institucional por grandes players (BlackRock, Fidelity, JPMorgan) e o impacto geopolítico das criptomoedas no cenário financeiro mundial.





