O Bitcoin voltou para perto de US$ 62 mil nesta quarta-feira, acompanhando uma nova onda de venda em ações de tecnologia e semicondutores. A pressão também vem dos ETFs spot de Bitcoin nos EUA, que registraram mais de US$ 6 bilhões em saídas líquidas em 30 dias, segundo a CoinDesk.
O Bitcoin caiu para a região de US$ 62 mil nesta quarta-feira (24), em mais um sinal de que o mercado cripto segue preso ao humor global por ativos de risco. Segundo dados citados pela CoinDesk, o BTC era negociado perto de US$ 62.546, com queda de 2,1% em 24 horas e de 4,9% na semana.
A correção não ficou restrita ao Bitcoin. Ether, XRP, Solana e Dogecoin também recuaram, enquanto tokens mais sensíveis ao apetite especulativo tiveram perdas maiores. O movimento veio junto de uma nova liquidação em ações de semicondutores, setor que liderou parte relevante do rali de tecnologia em 2026.
Venda em chips puxa cripto para baixo
A pressão começou no mercado tradicional. O índice Philadelphia Semiconductor caiu 7,9% na terça-feira, com todos os seus 30 componentes no vermelho, enquanto Nasdaq 100 e S&P 500 também fecharam em queda. Como cripto ainda negocia como ativo de alto beta em momentos de estresse, a rotação para fora de tecnologia rapidamente contaminou Bitcoin e altcoins.
O contraste é importante: no início da semana, o mercado ainda tentava precificar algum alívio geopolítico após sinais de trégua entre Estados Unidos e Irã. Mas a queda do petróleo e a alta do dólar reforçaram uma leitura defensiva entre investidores, reduzindo espaço para uma recuperação mais firme do BTC.
Esse pano de fundo ajuda a explicar por que o Bitcoin segue testando zonas técnicas sensíveis. Como o CriptoBR mostrou na análise sobre Bitcoin segurando US$ 64 mil em meio ao risco no Estreito de Hormuz, a criptomoeda já vinha reagindo a choques macro de curto prazo, com traders alternando entre proteção e busca por liquidez.
ETFs spot viram sinal de alerta
Além do selloff em tecnologia, o dado mais relevante para o mercado cripto veio dos ETFs spot de Bitcoin nos Estados Unidos. De acordo com a CoinDesk, esses fundos acumulam mais de US$ 6 bilhões em saídas líquidas em 30 dias, um recorde para a janela mensal.
Na prática, isso sugere que parte do dinheiro institucional que sustentou o ciclo recente está reduzindo exposição. Mike McCluskey, cofundador da tx, disse à CoinDesk que a estabilização do Bitcoin na faixa baixa a média dos US$ 60 mil parece uma resposta medida à postura mais dura do Federal Reserve, mas alertou que altas de alívio tendem a encontrar teto enquanto os fluxos dos ETFs não virarem.
O tema conversa com movimentos recentes no próprio mercado de produtos listados. Em outra frente, o CriptoBR noticiou que a Franklin quer lançar ETF que converte dividendos em Bitcoin, sinal de que gestoras seguem testando estruturas novas mesmo em um ambiente de menor apetite no curto prazo.
US$ 60 mil vira linha psicológica
A região de US$ 60 mil passou a funcionar como piso psicológico de junho. Segundo a CoinDesk, o vencimento de opções de sexta-feira na Deribit soma cerca de US$ 10,6 bilhões em valor nocional, com grande parte das posições fora do dinheiro nos preços atuais. Isso não significa que o preço será puxado automaticamente para um nível específico, mas mostra onde o mercado está concentrando proteção e expectativa.
Para o investidor, a leitura é simples: enquanto os ETFs seguirem drenando capital e ações de tecnologia continuarem sob pressão, o Bitcoin pode ter dificuldade para transformar repiques em tendência. O alívio viria de uma reversão clara nos fluxos institucionais ou de uma melhora mais ampla no apetite por risco.
Por outro lado, a queda também reduz parte da pressão de venda de longo prazo. Como reportamos na matéria sobre Bitcoin OGs reduzindo venda e aliviando pressão no mercado, dados on-chain recentes indicaram menor atividade de carteiras antigas, um fator que pode limitar quedas se a demanda voltar.
Até lá, o mercado opera em modo defensivo: Bitcoin acima de US$ 60 mil ainda preserva a estrutura de curto prazo, mas a ausência de fluxo comprador forte deixa qualquer recuperação vulnerável a novos choques vindos de Wall Street.
Mauro Andrade cobre cripto internacional, geopolítica digital e mercado global no CriptoBR. Acompanha movimentos regulatórios nos EUA, Europa e Ásia, adoção institucional por grandes players (BlackRock, Fidelity, JPMorgan) e o impacto geopolítico das criptomoedas no cenário financeiro mundial.





