Bitcoin e Ether recuaram depois que o Federal Reserve manteve os juros dos EUA em 3,50% a 3,75% e sinalizou uma postura mais dura contra a inflação. O movimento esfriou apostas de corte, pressionou os ETFs cripto e deixou o mercado atento aos próximos dados de juros e fluxos institucionais.
O Bitcoin voltou a operar perto de US$ 63.800 nesta quinta-feira (18), enquanto o Ether caiu para a região de US$ 1.730, depois que o Federal Reserve manteve os juros dos Estados Unidos e adotou um tom mais duro contra a inflação. A reação negativa veio mesmo com o alívio em outros mercados após o acordo entre EUA e Irã, mostrando que, para cripto, a política monetária voltou a pesar mais do que a geopolítica no curto prazo.
Segundo o CoinDesk, a capitalização total do mercado cripto ficou praticamente parada perto de US$ 2,26 trilhões desde terça-feira, com a recuperação perdendo força após o Fed reduzir as expectativas de cortes. Bitcoin e Ether também foram pressionados por saques líquidos combinados de cerca de US$ 111 milhões em ETFs spot, sinal de que o apetite institucional ainda não voltou de forma consistente.
Fed mantém juros e muda o tom
O Comitê Federal de Mercado Aberto manteve a faixa dos Fed Funds entre 3,50% e 3,75%, em decisão unânime. No comunicado oficial, o Fed afirmou que a atividade econômica segue em expansão, mas reforçou que a inflação permanece elevada em relação à meta de 2% e que o comitê vai entregar estabilidade de preços.
A leitura do mercado foi simples: a porta para cortes ficou mais estreita. O próprio CoinDesk destacou que o tom do novo presidente do Fed, Kevin Warsh, levou traders a precificar uma chance maior de alta de juros ainda em 2026. Isso mexe diretamente com ativos de risco, já que juros mais altos elevam o retorno de títulos públicos e reduzem a disposição por posições em Bitcoin, altcoins e ações de tecnologia.
Esse pano de fundo inverte parte do alívio visto no começo da semana. Como o CriptoBR mostrou na matéria sobre o salto do Bitcoin com o alívio no petróleo após o acordo EUA-Irã, a queda do risco geopolítico ajudou a sustentar uma recuperação rápida. Agora, o mercado volta a perguntar se esse fôlego resiste sem ajuda da liquidez.
ETFs voltam a pesar no preço
O fluxo dos ETFs spot virou uma peça central nessa correção. Depois de semanas de saques relevantes, houve sinais de estabilização em alguns pregões, mas o retorno para outflows combinados em Bitcoin e Ether enfraquece a tese de retomada imediata. Para o investidor, isso importa porque os ETFs funcionam como termômetro da demanda institucional nos EUA.
A pressão também conversa com movimentos recentes já acompanhados pelo site. Na terça-feira, o CriptoBR relatou que o Bitcoin teve acúmulo de 259 mil BTC durante a queda, apontando interesse de compradores de longo prazo. Em outra frente, a análise sobre o fundo do Bitcoin em US$ 59 mil segundo o Standard Chartered mostrou como parte do mercado ainda vê a correção como fase de formação de base, não necessariamente como início de uma nova perna de baixa.
A diferença é que sinais on-chain e fluxo institucional nem sempre andam juntos. Carteiras acumuladoras podem comprar enquanto gestores reduzem exposição via ETF para atravessar eventos macro. Por isso, a reação aos próximos dados de inflação e às probabilidades de alta de juros será tão importante quanto o preço à vista.
O que observar agora
Para o curto prazo, o ponto central é se o Bitcoin consegue sustentar a faixa dos US$ 63.000 a US$ 64.000 sem novas entradas fortes em ETFs. Uma perda dessa região pode reacender a busca por suportes mais baixos, enquanto uma recuperação acompanhada por inflows mostraria que o choque do Fed foi absorvido.
No Ether, a atenção recai sobre a região de US$ 1.700 e sobre a capacidade dos ETFs de ETH de voltarem a atrair capital. Já entre altcoins, o ambiente fica mais seletivo: tokens que subiram forte nos últimos dias tendem a sofrer mais quando os juros pressionam o apetite por risco.
A mensagem para o leitor é pragmática. O mercado cripto ainda tem sinais de acumulação e narrativas de recuperação, mas o Fed acabou de lembrar que liquidez continua sendo o eixo do ciclo. Sem queda clara nas expectativas de juros, rallies podem continuar curtos e dependentes de fluxo.
Mauro Andrade cobre cripto internacional, geopolítica digital e mercado global no CriptoBR. Acompanha movimentos regulatórios nos EUA, Europa e Ásia, adoção institucional por grandes players (BlackRock, Fidelity, JPMorgan) e o impacto geopolítico das criptomoedas no cenário financeiro mundial.





