O Bitcoin voltou a testar a região dos US$ 80 mil nesta segunda-feira e provocou uma onda de liquidações contra traders vendidos. Dados citados pelo CoinDesk apontam mais de US$ 370 milhões em posições liquidadas no mercado cripto, com cerca de US$ 302 milhões vindo de shorts.
O Bitcoin voltou a encostar na faixa dos US$ 80 mil nesta segunda-feira (4), reacendendo o debate sobre uma possível retomada de momentum após semanas de mercado lateral. O movimento pegou traders vendidos no contrapé e gerou mais de US$ 370 milhões em liquidações no mercado cripto em 24 horas, segundo dados da CoinGlass citados pelo CoinDesk.
Do total liquidado, aproximadamente US$ 301,9 milhões vieram de posições short, aquelas que apostavam na queda dos preços. O Bitcoin sozinho respondeu por cerca de US$ 179 milhões do ajuste, enquanto traders de Ether somaram outros US$ 95 milhões. A maior liquidação individual registrada foi uma posição vendida de US$ 11,77 milhões em ETH/USDT na Binance.
Vendidos são pressionados de novo
Segundo o CoinDesk, o Bitcoin chegou a tocar US$ 80.594 no início do dia, o maior nível desde 31 de janeiro, antes de recuar para perto de US$ 79,8 mil. A alta foi suficiente para forçar recompras de traders vendidos, alimentando o chamado short squeeze, quando apostas contra o mercado precisam ser encerradas às pressas e acabam adicionando pressão compradora.
O episódio não aconteceu isoladamente. Em 18 de abril, uma configuração parecida já havia liquidado US$ 593 milhões em shorts quando o Bitcoin superou os US$ 77 mil. Para o leitor, o ponto importante é que o mercado ainda parece carregado de apostas defensivas: quando o preço rompe resistências psicológicas, a desalavancagem pode acelerar o movimento.
Esse cenário conversa com a leitura feita recentemente pelo CriptoBR sobre baleias mirando alta enquanto o funding seguia negativo. Funding negativo significa, em termos simples, que traders vendidos pagam para manter suas posições abertas; se o preço sobe contra eles, o ajuste pode ser rápido e violento.
ETFs e apetite institucional ajudam o movimento
Além da pressão técnica em derivativos, os fluxos institucionais seguem no radar. Fundos spot de Bitcoin listados nos Estados Unidos registraram entrada líquida de US$ 153,9 milhões na semana passada, segundo dados da SoSoValue citados pelo CoinDesk. Em abril, os produtos captaram US$ 1,97 bilhão, o maior volume mensal desde outubro de 2025.
A leitura reforça um tema que já vinha aparecendo no mercado: ETFs continuam sendo um canal importante de demanda para Bitcoin. Como o CriptoBR mostrou em matéria sobre ETFs de Bitcoin e o teste dos US$ 80 mil, entradas fortes podem sustentar a narrativa de retomada, mas a região ainda funciona como resistência psicológica.
Analistas da FxPro citados pelo CoinDesk afirmaram que preferem ver o Bitcoin consolidar acima de US$ 85 mil para confirmar o rompimento. Antes disso, a área entre US$ 80 mil e US$ 83,6 mil segue como zona crítica, especialmente porque coincide com referências técnicas acompanhadas por traders de curto prazo.
Altcoins acompanham, mas com força desigual
O rali também alcançou outras grandes criptomoedas. Ether subiu 2,3% para US$ 2.368, XRP avançou 2,1% para US$ 1,42, BNB ganhou 1,9% para US$ 630 e Solana teve alta de 1,4% para US$ 85,14. Dogecoin apareceu como destaque entre os maiores ativos, com ganho diário de 3,5% e alta semanal de 14,3%.
Mesmo assim, o mercado não está uniformemente eufórico. O aumento de interesse aberto em Bitcoin, Ether e Zcash sugere entrada de capital em derivativos, mas também eleva o risco de novas liquidações caso o preço perca força. Em outras palavras: a mesma alavancagem que impulsiona o rali pode amplificar uma correção.
O pano de fundo macro também exige cautela. O CoinDesk aponta que tensões entre Estados Unidos e Irã, além de riscos ligados ao petróleo e ao Estreito de Hormuz, continuam como potenciais gatilhos de volatilidade. Essa dinâmica já apareceu em outra cobertura do CriptoBR, quando o Bitcoin falhou nos US$ 80 mil enquanto o petróleo pressionava cripto.
O que observar agora
Para traders, o nível de US$ 80 mil continua sendo a primeira linha de atenção. Uma manutenção consistente acima dessa faixa pode atrair novas compras e obrigar mais vendidos a reduzirem exposição. Por outro lado, uma rejeição clara pode transformar o movimento em realização de lucro, especialmente depois de uma alta movida por liquidações.
Para investidores de médio prazo, o sinal mais relevante está na combinação entre fluxo de ETFs, estrutura de derivativos e comportamento das altcoins. Se os fundos spot seguirem captando e o Bitcoin conseguir consolidar acima das resistências, a leitura de retomada ganha força. Se os fluxos enfraquecerem, o mercado pode voltar rapidamente para a lógica de intervalo que marcou as últimas semanas.
Por enquanto, a mensagem é simples: os vendidos foram pressionados outra vez, mas o rompimento definitivo ainda precisa de confirmação.
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





