Grandes traders de Bitcoin na Hyperliquid estão cada vez mais comprados, enquanto o funding de perpétuos segue negativo há cerca de 47 dias. A combinação pode aumentar o risco de short squeeze se o BTC romper resistências perto de US$ 80 mil.
As baleias do Bitcoin estão aumentando posições compradas em contratos perpétuos na Hyperliquid justamente no momento em que parte do mercado continua apostando contra a alta. Segundo dados da Glassnode citados pelo CoinDesk, os maiores traders da corretora on-chain viraram de vendidos para comprados no início de março e ampliaram esse viés ao longo de abril.
O movimento chama atenção porque acontece com o BTC rondando a região de US$ 78 mil a US$ 80 mil, depois de sair da faixa dos US$ 60 mil em fevereiro. Na prática, grandes contas parecem estar posicionadas para continuidade da recuperação, enquanto o funding negativo indica que muitos operadores ainda pagam para manter apostas vendidas abertas.
Por que o funding negativo importa
Em mercados de perpétuos, o funding é uma taxa periódica entre comprados e vendidos. Quando fica negativo, em geral significa que há mais pressão do lado vendido: shorts pagam longs para manter o contrato próximo ao preço à vista.
De acordo com dados da Coinglass mencionados pelo CoinDesk, o funding de swaps perpétuos de Bitcoin nas principais exchanges está em cerca de -0,13% na base de sete dias. A leitura negativa teria se mantido por aproximadamente 47 dias consecutivos, uma das sequências mais longas de pessimismo em derivativos já registradas.
Esse detalhe é importante porque funding negativo não é, sozinho, sinal automático de alta. Mas, quando ele aparece junto de baleias aumentando posições longas e o preço à vista começa a subir, o cenário pode pressionar traders vendidos a recomprar BTC para encerrar posições. Esse efeito é conhecido como short squeeze.
Hyperliquid virou termômetro das baleias
A Hyperliquid ganhou relevância como uma das principais venues on-chain para traders com posições grandes em perpétuos. Por isso, o comportamento dos maiores participantes na plataforma passou a ser observado como possível antecedente do preço à vista, especialmente em movimentos de curto e médio prazo.
Segundo o levantamento, o viés comprado desse grupo cresceu de forma consistente entre fevereiro, março e abril. O CoinDesk aponta que o posicionamento atual é o mais agressivamente comprado da série acompanhada, enquanto o Bitcoin testa novamente a região psicológica dos US$ 80 mil.
O pano de fundo também ajuda a explicar o apetite por risco. As ações americanas se recuperaram, o S&P 500 renovou recorde na sexta-feira e os investidores seguem acompanhando ruídos macroeconômicos e geopolíticos, incluindo negociações envolvendo EUA e Irã. Ainda assim, o mercado cripto tem mostrado força relativa nas últimas semanas.
US$ 80 mil segue como divisor de águas
Para o leitor, o ponto central é simples: a região de US$ 80 mil segue funcionando como uma barreira psicológica e técnica para o Bitcoin. Se o preço romper com volume e as posições vendidas continuarem pressionadas pelo funding negativo, o movimento pode ganhar velocidade.
O quadro conversa com o cenário recente dos ETFs de Bitcoin, que atraíram US$ 2,1 bilhões enquanto US$ 80 mil virou teste. Também reforça a leitura de que o Bitcoin mira seu melhor mês em um ano com o avanço da liquidez em USDT.
Ao mesmo tempo, o risco não desapareceu. Um rompimento sem demanda real pode virar armadilha para compradores tardios, principalmente se os fluxos institucionais enfraquecerem ou se o mercado global voltar a precificar choques macro. Como o CriptoBR mostrou na cobertura sobre futuros perpétuos do S&P 500 na Hyperliquid, a fronteira entre DeFi e mercado tradicional está cada vez mais conectada.
Por enquanto, o sinal das baleias é de apetite por alta. Mas a confirmação depende do preço: sem rompimento claro acima da faixa de resistência, o posicionamento segue sendo um alerta de volatilidade, não uma garantia de tendência.
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





