O Bitcoin tentou romper a região dos US$ 80 mil, mas voltou para perto de US$ 77.800 após uma rodada de aversão a risco ligada à alta do petróleo. A pressão atingiu altcoins com mais força, enquanto ETFs e stablecoins ainda indicam entrada de capital no mercado.
O Bitcoin voltou a testar o limite psicológico dos US$ 80 mil nesta segunda-feira (27), mas perdeu força após tocar cerca de US$ 79.500 e recuar para a região de US$ 77.800, segundo dados citados pelo CoinDesk. O movimento coincidiu com a disparada do petróleo Brent para US$ 107, um sinal de estresse macroeconômico ligado às tensões entre Estados Unidos e Irã.
A leitura do mercado é simples: o apetite por risco ainda existe, mas os compradores não conseguiram absorver a oferta concentrada perto dos US$ 80 mil. A queda veio em uma sessão de maior volatilidade, com altcoins liderando as perdas e quase US$ 300 milhões em posições de futuros liquidadas nas últimas 24 horas.
US$ 80 mil vira resistência de curto prazo
De acordo com o CoinDesk, o BTC iniciou a sessão em alta durante a abertura dos futuros de Bitcoin na CME e chegou a US$ 79.480. A tentativa de rompimento, porém, falhou nas primeiras horas da manhã em UTC, quando o ativo recuou cerca de 2% em uma hora.
O analista Alex Kuptsikevich, da FxPro, afirmou que o nível de US$ 80 mil concentra ordens de venda e tem funcionado como teto de curto prazo. Ainda assim, ele avalia que a correção parece temporária dentro de uma tendência de recuperação iniciada no fim de março.
Esse comportamento dialoga com um ponto que o CriptoBR já vinha acompanhando: em matéria recente, os ETFs de Bitcoin puxaram US$ 2,1 bilhões enquanto os US$ 80 mil viraram teste. A novidade agora é que o obstáculo técnico apareceu em um dia de pressão macro, com petróleo mais caro e maior cautela em ativos de risco.
Petróleo caro pesa sobre cripto
A alta do petróleo importa porque pode reacender preocupações com inflação global. Quando energia sobe, investidores tendem a recalibrar apostas sobre juros, crescimento econômico e ativos mais voláteis. Nesse ambiente, Bitcoin e altcoins costumam sofrer mesmo quando há fundamentos específicos positivos para o setor.
O CoinDesk informou que o Brent operava a US$ 107 por barril após o cancelamento de uma viagem de autoridades dos EUA ao Paquistão para novas conversas relacionadas ao Irã. O pano de fundo geopolítico elevou o prêmio de risco e ajudou a explicar a reversão rápida do BTC perto da máxima intradiária.
Ao mesmo tempo, os dados de fluxo continuam mistos. ETFs spot de Bitcoin listados nos EUA atraíram US$ 2,44 bilhões no mês, maior entrada desde outubro, enquanto a Binance registrou cerca de US$ 3,4 bilhões em entrada líquida de stablecoins em abril, segundo dados da CryptoQuant citados pela reportagem.
Altcoins sentem mais o impacto
As altcoins foram mais castigadas que o Bitcoin. Ether caiu cerca de 2,2% desde a meia-noite UTC, enquanto o índice CoinDesk 20 recuou 1,5%. O setor DeFi teve desempenho pior, com queda de 2,3% no índice DFX, e tokens como LDO chegaram a perder cerca de 17%.
A pressão também ocorre em meio a uma sequência de incidentes de segurança em finanças descentralizadas. O protocolo Scallop, baseado na Sui, sofreu uma exploração de aproximadamente 150 mil SUI, pouco acima de US$ 140 mil. O episódio se soma a perdas maiores recentes no setor, incluindo o ataque à KelpDAO, caso em que o Aave liderou um resgate DeFi após hack de US$ 292 milhões.
Para o investidor brasileiro, o ponto central é que o mercado segue dividido entre liquidez nova e choques externos. A entrada em ETFs e stablecoins sugere demanda à espera de oportunidade; já o petróleo caro, a geopolítica e as liquidações em derivativos reforçam que a região dos US$ 80 mil ainda não foi vencida de forma limpa.
Se o Bitcoin conseguir transformar esse nível em suporte, o mercado pode retomar a narrativa de recuperação. Até lá, a faixa entre US$ 77 mil e US$ 80 mil deve seguir como termômetro para saber se o capital institucional está forte o suficiente para compensar a pressão macro.
Mauro Andrade cobre cripto internacional, geopolítica digital e mercado global no CriptoBR. Acompanha movimentos regulatórios nos EUA, Europa e Ásia, adoção institucional por grandes players (BlackRock, Fidelity, JPMorgan) e o impacto geopolítico das criptomoedas no cenário financeiro mundial.





