Banco Central vai anunciar blockchain do Real Digital nas próximas semanas

O Banco Central do Brasil deve anunciar nas próximas semanas a blockchain que será utilizada pelo regulador para o Real Digital, a CBDC do Brasil. A informação foi revela por Fábio Araújo, coordenador do Real Digital no BC, durante o evento Lide Next _ Economia Digital, organizado pelo grupo LIDE.

Araújo afirmou também que a blockchain que será utilizada não é um ledger próprio desenvolvido pelo BC, mas uma das redesem blockhchains atuais, sem especificar se será uma blockchain pública como Ethereum, Tron ou Polkadot, ou um DLT privado como Hyperledger e Corda. 

O anúncio da blockchain do Real Digital ocorrerá com uma ‘nova fase’ do Real Digital, no qual será anunciada oficialmente os primeiros testes oficiais do BC, já que até o momento, o que vem sendo testado são as provas de conceito criadas pelas empresas participantes do LIFT Challenge e não o sistema do Real Digital propriamente.

Além disso, Araújo destacou que também será anunciado a abertura de uma nova rodada para que empresas do mercado financeiro e de criptomoedas possam testar soluções com base no Real Digital. Nesta nova fase o foco será em infraestrutura e privacidade.

O anúncio deve ocorrer conjuntamente com o Lift Day, evento que será organizado pelo Banco Central e no qual as empresas que estão desenvolvendo provas de conceito para o Real Digital devem apresentar seus projetos e resultados para que o BC possa selecionar àqueles que seguiram e serão implementados na primeira fase da CBDC.

Durante o evento, Araújo também afirmou que o cronograma estipulado pelo BC prevê que esta nova fase de testes do Real Digital seja concluída até o final deste ano para o Real Digital começar a ser disponibilizado pela população já em 2024, provavelmente no segundo semestre do ano.

“São varias iniciativas que estamos desenvolvendo e que estão interligadas para promover a inovação do sistema financeiro. Não estamos aqui para barrar inovação, estamos aqui para absorver a inovação e desenvolver mecanismos para que ela possa ser usada em benefício da sociedade”, destacou Araújo sobre o Real Digital.

Depósitos tokenizados

Em sua apresentação no evento, Araújo destacou os benefícios que a CBDC nacional pode promover no sistema econômico nacional e voltou a afirmar que a população terá contato com o Real Digital via depósitos tokenizados convertidos em stablecoins emitidas pelos bancos.

“Quem tem experiência de lidar com os consumidores são as instituições financeiras, não o Banco Central. Os ativos de liquidação financeira serão emitidos pelos bancos tendo o Real Digital como garantia junto ao BC”, reforçou.

Questionado sobre a necessidade da economia nacional possuir uma CBDC já que o Pix já funcional como um dinheiro eletrônico, Araújo destacou os benefícios do mercado da tokenização da economia e ressaltou que a migração para um ambiente digital pode aumentar a eficiência de todo o sistema financeiro nacional.

“O Banco Central vem debatendo esta inovação com a CVM, pois há convergência nas pautas envolvendo a tokenização da economia. Em abril devemo abrir um Fórum mais amplo para debater esta inovação com a sociedade. As novas tecnologias, como o Real Digital, podem simplificar processos do mercado”, disse.

O executivo do BC citou como exemplo do potencial do Real Digital a possibilidade de comercializar globalmente créditos de carbono tokenizados e também as operações compromissadas que são muito complicadas e inacessíveis para a população atualmente.

“As operações compromissadas tem uma sistemática muito complicada atualmente e acabam sendo restritas para grandes players, no entanto, com o Real Digital isso passa a ser muito simples, podendo se executada pelo cliente da instituição financeira com apenas um clique no app do banco. Estamos só no começo desta jornada com o Real Digital, as soluções e os casos de uso serão criados pelas instituições participantes do mercado, enquanto o BC será o garantidor e provedor deste Ledger comum”, afirmou.

Além disso, como parte da grande estratégia do BC de modernização da economia, Araújo também reforçou o papel do Pix e do Open Finance e afirmou também que a velocidade da evolução tecnológica é muito grande e o Banco Central tem que acompanhar esta evolução e velocidade.

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