Uma proposta em discussão no repositório de padrões do XRP Ledger quer ampliar o AMM nativo com curvas de liquidez mais flexíveis e reforça que ataques via flash loan são estruturalmente impossíveis na rede. O ponto importa porque DeFi segue acumulando perdas milionárias em exploits, enquanto o XRPL tenta vender segurança e tokenização como vantagem competitiva.
O XRP Ledger voltou ao radar do mercado DeFi neste domingo (31) após uma nova análise destacar que a arquitetura da rede impede um dos vetores de ataque mais recorrentes em protocolos descentralizados: os flash loans. A discussão ganhou força porque a proposta “AMM Swappable Curves”, aberta no repositório de padrões da XRPL Foundation, combina melhorias para liquidez com uma afirmação direta na seção de segurança: ataques de flash loan são estruturalmente impossíveis no XRPL.
Segundo o CoinDesk, a diferença está no desenho das transações. No Ethereum e em outras redes com contratos altamente composáveis, um agente pode tomar um empréstimo sem garantia, manipular um preço, explorar uma pool e devolver o capital dentro da mesma transação. No XRPL, as transações também são atômicas, mas não permitem chamadas internas componíveis no mesmo envelope.
O que muda com a proposta de AMM
A proposta AMM Swappable Curves, iniciada por Denis Angell e Roman Thpt, está em status de rascunho. Ela pretende ampliar o AMM nativo do XRP Ledger, hoje baseado no modelo de produto constante, para permitir diferentes curvas de precificação na criação de pools.
Na prática, o plano inclui suporte a modelos como liquidez concentrada e StableSwap. A liquidez concentrada permite que provedores de liquidez escolham faixas de preço específicas, aumentando a profundidade útil por dólar depositado. Já o StableSwap é mais adequado para pares que tendem a negociar perto de 1:1, como stablecoins ou ativos tokenizados correlacionados.
Esse ponto é relevante porque o XRPL tenta avançar em uma área onde ficou atrás de ecossistemas como Ethereum, Solana e BNB Chain: aplicações DeFi mais sofisticadas. Como o CriptoBR mostrou na matéria sobre liquidação de Treasuries tokenizados no XRPL, a rede já tem tração em pilotos institucionais. A lacuna está em transformar essa infraestrutura em mercados líquidos, com negociação e rendimento on-chain.
Por que flash loans viraram um problema para DeFi
Flash loans não são, por si só, maliciosos. Eles também são usados para arbitragem, liquidações e trocas de colateral sem necessidade de capital próprio grande. O problema aparece quando a mesma mecânica permite manipular oráculos, distorcer preços ou drenar pools frágeis em uma única operação.
O CoinDesk cita ataques recentes contra protocolos como Thorchain, Drift e KelpDAO para contextualizar o risco. A tese do XRPL é que esse tipo de sequência não cabe em sua arquitetura: a rede não permite encadear “tomar emprestado, manipular e devolver” em uma chamada composta. Essa escolha reduz uma classe inteira de ataques, mas também elimina funcionalidades que se tornaram úteis em DeFi mais maduro.
O tema chega em um momento sensível para segurança on-chain. Nos últimos dias, o CriptoBR noticiou o exploit de US$ 5,4 milhões na Gravity Bridge e o prejuízo de US$ 840 milhões em hacks DeFi, reforçando como bridges, pools e protocolos de liquidez continuam sendo alvos preferenciais.
Vantagem real ou trade-off de liquidez?
O ponto central para investidores e desenvolvedores é o trade-off. O XRPL pode oferecer resistência estrutural a flash loans, mas ainda precisa provar que consegue atrair liquidez suficiente para competir com redes onde a composabilidade já sustenta um ecossistema DeFi amplo.
A própria proposta ainda precisa passar pelo processo de emenda da rede, que pode levar meses e não tem aprovação garantida. Se avançar, o upgrade pode tornar o AMM do XRPL mais competitivo para stablecoins, ativos tokenizados e pares com maior necessidade de eficiência de capital.
Para o leitor, a leitura prática é simples: a notícia não é uma promessa de alta para XRP no curto prazo, mas um sinal de que o ecossistema tenta posicionar segurança e tokenização como diferenciais. Em um mercado ainda marcado por exploits, essa narrativa pode pesar mais para instituições do que para traders de varejo.
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





