XRP, Dogecoin e Bitcoin subiram após o Comitê Bancário do Senado dos EUA avançar o Clarity Act em votação bipartidária de 15 a 9. O movimento reforça a leitura de que regras mais claras podem reduzir o desconto regulatório sobre criptoativos nos EUA.
O mercado cripto voltou a respirar nesta sexta-feira (15) depois que o Comitê Bancário do Senado dos Estados Unidos avançou o Digital Asset Market Clarity Act, projeto que busca definir a estrutura regulatória para ativos digitais no país. A reação foi imediata: segundo dados citados pelo CoinDesk, o Bitcoin recuperou a região de US$ 81 mil, enquanto XRP e Dogecoin lideraram os ganhos entre os principais criptoativos.
O XRP subiu 4,5%, para US$ 1,49, e ampliou o avanço semanal para 7,6%. Dogecoin ganhou cerca de 3%, BNB avançou 2% e Solana também teve alta próxima de 2%. A leitura do mercado é simples: quanto menor a incerteza sobre a divisão de competências entre reguladores, menor tende a ser o desconto aplicado a tokens que dependem de clareza jurídica para atrair capital institucional.
Por que o Clarity Act mexeu com os preços
O Clarity Act passou no comitê por 15 votos a 9, com apoio bipartidário, após uma manobra do presidente do colegiado, Tim Scott, para reabrir espaço a emendas que haviam sido rejeitadas anteriormente. O texto ainda não virou lei: ele precisa ser combinado com uma versão aprovada pelo Comitê de Agricultura do Senado, passar pelo plenário e depois pela Câmara dos Representantes.
Mesmo assim, o avanço muda o humor porque sinaliza que Washington está mais perto de estabelecer uma moldura para mercado secundário, custódia, emissão e negociação de ativos digitais. O tema já vinha sendo acompanhado de perto pelo CriptoBR em matéria sobre o avanço do Clarity Act no Senado e também em cobertura sobre a disputa por emendas ao projeto.
Para o XRP, o efeito é ainda mais direto. O token foi um dos principais símbolos da insegurança regulatória nos EUA desde o processo da SEC contra a Ripple Labs. Por isso, qualquer sinal de separação mais clara entre commodities digitais, valores mobiliários e ativos de pagamento tende a ser lido como redução de risco jurídico.
Bitcoin recupera US$ 81 mil, mas macro ainda pesa
O Bitcoin também reagiu bem ao noticiário regulatório, recuperando o patamar de US$ 81 mil depois de ter perdido força na esteira de dados de inflação ao produtor nos EUA. A recuperação contrasta com o movimento recente de aversão a risco, registrado quando o Bitcoin caiu perto de US$ 80 mil após a inflação surpreender.
O pano de fundo, porém, segue misto. Juros dos Treasuries continuam pressionados, o dólar ganhou força por demanda defensiva e o petróleo voltou ao radar com tensões geopolíticas. Em outras palavras, o avanço regulatório ajudou a compensar parte da pressão macro, mas ainda não elimina o risco de volatilidade se os dados de inflação ou juros piorarem.
Outro ponto importante é que ações ligadas ao setor também reagiram. A Coinbase apareceu entre os destaques positivos em leituras de mercado, com investidores precificando que regras mais claras podem acelerar a participação institucional em criptoativos nos EUA.
O que observar agora
O próximo teste é político. O projeto ainda precisa sobreviver à fusão com o texto do Comitê de Agricultura, a novas disputas sobre aplicação da lei e a possíveis exigências éticas defendidas por parte dos democratas. Se a tramitação avançar sem diluição excessiva, o mercado pode continuar tratando regulação como catalisador, especialmente para tokens mais sensíveis ao risco jurídico.
Para o investidor brasileiro, o ponto não é apenas a alta de curto prazo. Uma regra americana mais clara pode influenciar listagens, produtos de investimento, liquidez global e o apetite de gestoras por exposição a cripto. Por enquanto, o mercado comprou a notícia; agora falta ver se o Congresso consegue entregar a lei.
Hillary Gonçalves cobre regulação cripto no Brasil, movimentações institucionais e adoção de stablecoins em real. Editora no CriptoBR desde 2026, acompanha o impacto das decisões do Banco Central e da CVM no mercado digital brasileiro.





