O We Dev Group, contra o qual a ContaRico iniciou uma ação judicial pedindo ressarcimento de mais de R$ 1,5 milhão por supostamente não ter recebido os serviços contratados, respondeu à acusação por meio de uma contestação judicial afirmando que entregou os serviços pedidos e, por sua vez, pede ressarcimento por danos morais. Quanto à quantia de R$ 1,5 milhão que recebe num contrato de mútuo, afirmou que devolverá no final do contrato de 12 meses, em 2025.
A ContaRico deixou de atender a pedidos de rendimentos e saques de quem lhe passou recursos para supostos investimentos em tokenização e diz que isso aconteceu por conta da retenção do valor milionário pela We Dev. Por isso, a empresa de Marlon Klein pede tutela de urgência e arresto de valores de contas bancárias da We Dev. A Justiça, no entanto, não concedeu os dois pedidos. O processo segue sem essas duas condições.
Conforme o processo ao qual o Blocknews teve acesso, a We Dev alega que nunca participou de captação de recursos de terceiros. Assim, defende que não se envolveu nessa parte do negócio de Klein que está dando problemas. Um dos acordos entre as empresas foi o ingresso da ContaRico no programa de incubação da We Dev, que para isso receberia R$ 150 mil em três parcelas de abril a junho de 2024.
Mas, diz a We Dev, como a “Conta Rico, apesar de apresentar-se ao mercado há muitos anos como atuante no mercado de economia tokenizada, em verdade não possuía a tecnologia e tampouco capacidade técnica para desenvolvê-la. Sendo assim, como parte do programa de incubação, a We Dev, mediante contratação de prestação de
serviços, passou a desenvolver o projeto piloto para tokenização de unidades imobiliárias”, diz o processo.
Além disso, afirma que desenvolveu o projeto na íntegra e ainda executou serviços adicionais, prestados inclusive por Eduardo Ribeiro Filho, cofundador da We Dev e iHold Bank, ambas sob acusação de Marlon Klein.
No processo, a We Dev diz que Klein pediu valores de volta porque 38 pessoas estavam solicitando resgates de depósitos feitos para a ContaRico e que a empresa estava ficando sem liquidez. Além disso, em mensagem afirmou que “sobre as soluções ali, eu não gostei de nenhuma, não gostei, não adianta, não é isso que eu quero para mim. Então, é melhor eu buscar uma outra coisa, estudar, porque eu não gostei desse modelo e não é isso que eu quero pra mim, tá?”
Em relação à IHold, parte do We Dev, a empresa diz que houve a contratação e suporte para o licenciamento de plataforma própria com customizações para o modelo de negócio da Conta Rico. E que o acordo não prevê “contraprestação em dinheiro antes do vencimento do contrato. A Requerente aduz que haveria a remuneração mensal dos juros, todavia, apesar de não haver previsão de pagamento mensal de juros, somente no mês de junho foi
permitido um desconto do valor de R$ 3 mil em uma das parcelas de R$ 12 mil que remuneraria o setup do contrato de licenciamento com o IHold, mas que não passou de mera liberalidade da requerida, que procurou ajudar Marlon
Klein que informou que precisava de liquidez”.
As empresas fizeram um contrato de mútuo, um espécie de empréstimo, em que a maior parte do pagamento seria em serviços da We Dev para a Conta Rico para estruturar um projeto de tokenização e customização de plataforma white label do iHold. A empresa diz que executou tudo.
E diz ainda que “Marlon Klein, que apesar de identificar-se com agente da economia tokenizada, a bem da verdade não entendia nada do assunto, razão pela qual se aproximou da We Dev a fim de obter ajuda e orientação, e em boa-fé, a We Dev lhe mostrou o caminho mediante o programa de incubação da We Dev Founders. Sendo assim, os valores do Contrato de Mútuo deverão restituídos no seu vencimento, devendo ser mantida a sua vigência, posto que não houve inadimplemento das partes Requeridas”.
A We Dev diz que o iHold oferece serviços através de instituições de pagamento parceiras por meio de integrações de API’s. Entre elas estão Bankly, banco BV, Celcoin, EasyCredito, Fireblocks. Klein, segundo consta no processo, teria pedido orçamento para que o IHold licenciasse sua Plataforma para integrações por API’s com instituições que viabilizam a tokenização de ativos.
E neste caso seria utilizada a Fireblocks, cujo serviço chegou a ser contratado, segundo cópias de documentos no processo. O custo do serviço total da IHold era de R$ 70 mil, mais parcelas variáveis, que a empresa afirma que não foi pago.
A IHold disse ainda que a ContaRico não apresentou documentos fiscais de contábeis como Cartão CNPJ, balanços e contrato social para desenvolvimento do setup do projeto. Sem pagar as parecelas devidas e documentos, a IHold parou o projeto. E assim, a We Dev pede, entre outros pontos, improcedência da ação da ContaRico, condenação dela por má-fé e R$ 60 mil em danos morais, sendo R$ 30 mil por cada empresa – We Dev e IHold.
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





