A THORChain interrompeu operações de trading e assinatura após investigadores apontarem um possível exploit acima de US$ 10 milhões. O caso envolve fluxos suspeitos em Bitcoin, Ethereum, BNB Chain e Base, pressionou o token RUNE e reacendeu o debate sobre segurança em protocolos cross-chain.
A THORChain paralisou operações nesta sexta-feira (15) após alertas de investigadores on-chain sobre um possível exploit superior a US$ 10 milhões em múltiplas redes. Segundo a cobertura reproduzida pela TradingView a partir do Cointelegraph, o protocolo interrompeu trading e assinatura de transações enquanto apurava movimentações suspeitas ligadas a Bitcoin, Ethereum, BNB Chain e Base.
O caso importa porque a THORChain é uma das principais infraestruturas de liquidez cross-chain do mercado DeFi: ela permite swaps entre redes sem depender de uma ponte tradicional custodial. Quando um protocolo desse tipo congela operações, o impacto vai além do token RUNE e atinge a confiança em mecanismos usados para movimentar capital entre diferentes blockchains.
O que se sabe até agora
De acordo com o relato citado pelo Cointelegraph, um canal de alertas da THORChain indicou a pausa global de trading e signing, com a interrupção estendida até um bloco específico da rede. A decisão veio depois de ZachXBT afirmar que o protocolo provavelmente havia sido explorado em várias chains.
Dados atribuídos à Arkham apontaram uma carteira rotulada como exploradora da THORChain com cerca de US$ 10,8 milhões em ativos, movimentados em pequenas transações pouco antes do alerta. Já a U.Today citou investigadores como PeckShield ao mencionar saques suspeitos envolvendo aproximadamente 36,75 BTC, cerca de US$ 3 milhões, além de outros US$ 7 milhões em ativos conectados a BNB Chain e outras redes.
Até a publicação dos relatos internacionais, a equipe da THORChain ainda não havia confirmado publicamente todos os detalhes do incidente. Por isso, o ponto central é tratar o episódio como suspeita em apuração — embora a própria pausa operacional do protocolo indique que os validadores consideraram o risco grave o suficiente para interromper a atividade.
RUNE cai e DeFi volta ao radar de segurança
O token RUNE recuou cerca de 13% após a suspeita de exploit, segundo dados citados pela cobertura internacional. A queda reflete não apenas o possível prejuízo financeiro, mas também o risco de reputação para a THORChain, que já vinha sendo observada de perto por seu papel na movimentação de fundos entre redes.
A leitura do mercado é sensível porque ataques recentes continuam pesando sobre a percepção de risco em DeFi. Como o CriptoBR mostrou no caso em que o hack da Kelp DAO drenou US$ 292 milhões e travou rsETH em 20 redes, incidentes em infraestrutura de liquidez tendem a se espalhar rapidamente por diferentes ecossistemas.
Depois daquele episódio, também houve uma corrida coordenada para conter danos: a Arbitrum congelou US$ 71 milhões em ETH ligados ao hack da Kelp DAO, enquanto protocolos e equipes de segurança tentavam limitar a movimentação dos fundos. O possível caso da THORChain reforça a mesma dinâmica: velocidade de resposta e rastreamento público são decisivos nas primeiras horas.
Por que a THORChain é um caso diferente
A THORChain não funciona como uma exchange centralizada e também não é um mixer como o Tornado Cash. Seu modelo é de liquidez cross-chain não custodial, o que torna o protocolo útil para swaps legítimos, mas também atrativo para agentes que tentam converter ativos roubados rapidamente entre redes.
Esse ponto já havia aparecido em investigações anteriores. Após o hack da Bybit, por exemplo, parte relevante dos fundos foi movimentada por infraestruturas de troca entre chains, segundo executivos e investigadores citados na época. Mais recentemente, o CriptoBR também destacou como a Coreia do Norte domina a maior parte dos roubos cripto em 2026, ampliando a pressão por mecanismos mais eficientes de resposta on-chain.
Para usuários, a orientação prática é simples: enquanto a investigação estiver em andamento, é prudente evitar novas operações no protocolo, acompanhar os canais oficiais da THORChain e verificar qualquer exposição direta ao RUNE ou a pools relacionados. Para o setor, o incidente reforça que liquidez entre redes segue sendo uma das áreas mais críticas — e mais visadas — do mercado cripto.
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





