A SBI Crypto vai encerrar seu pool de mineração de Bitcoin em 31 de julho, retirando do mercado uma operação ligada a cerca de 2% do hashrate da rede. Mineradores terão menos de um mês para redirecionar máquinas, em um momento de margens apertadas, queda do BTC e consolidação no setor.
A SBI Crypto, braço de mineração ligado ao grupo financeiro japonês SBI, vai encerrar seu pool de mineração de Bitcoin em 31 de julho de 2026. Segundo o CoinDesk, a operação representa aproximadamente 2% do hashrate total da rede Bitcoin, o que torna a saída relevante para mineradores que dependem do pool para receber pagamentos de forma previsível.
A empresa informou que deixará de aceitar shares de mineração na data de corte e orientou clientes a manterem suas máquinas conectadas até o encerramento para que os cálculos finais de pagamento sejam concluídos corretamente. A página pública da SBI Crypto ainda apresenta o SBI Mining Pool como um de seus principais serviços, mas a companhia não detalhou, no comunicado citado pela imprensa, o motivo específico para a decisão.
Por que o fechamento importa
Um pool de mineração agrega poder computacional de vários mineradores para aumentar a regularidade dos blocos encontrados e distribuir recompensas proporcionalmente. Na prática, quando um pool desse tamanho sai de operação, os participantes precisam migrar rapidamente para alternativas como Foundry, AntPool, Luxor, Braiins ou outras opções, avaliando taxas, modelo de pagamento e confiabilidade operacional.
O impacto imediato tende a ser mais operacional do que estrutural para o Bitcoin. O hashrate não desaparece automaticamente: ele pode ser redirecionado para outros pools. Ainda assim, a mudança reduz a diversidade entre operadores e reforça a discussão sobre concentração no setor, tema que também apareceu quando o CriptoBR mostrou que pools com 75% do hashrate apoiavam o Stratum V2, uma atualização pensada para melhorar a relação entre mineradores e pools.
A saída também acontece em um ambiente menos confortável para a mineração. O Bitcoin passou por forte queda nos últimos meses, e o CriptoBR reportou nesta quinta-feira que o ativo voltou a superar US$ 61 mil com alívio em dados macro, depois de semanas de pressão. Para mineradores, preço menor significa receita em dólar menor por bloco, enquanto custos com energia, máquinas e financiamento continuam pesando.
Pressão em margens e consolidação
O CoinDesk observa que a decisão vem em meio a margens mais apertadas, volatilidade no hashrate e aumento de custos operacionais. Essa combinação tem empurrado parte do setor para duas direções: consolidação entre grandes operadores e diversificação para infraestrutura de IA e data centers, especialmente entre empresas listadas que precisam defender retorno sobre capital.
No caso da SBI Crypto, há um componente adicional de histórico. O pool foi aberto ao público em 2021 e chegou ao mercado com suporte do próprio poder de mineração da SBI. A empresa também foi associada no ano passado a um hack reportado de US$ 21 milhões, embora o aviso de encerramento não tenha ligado o episódio à decisão atual.
Para o usuário comum de Bitcoin, o ponto central é menos dramático: a rede deve continuar funcionando normalmente, desde que o hashrate migre sem grandes fricções. Para mineradores, porém, o prazo curto exige ação. Quem estiver conectado ao pool da SBI precisa revisar configuração, payout e risco de interrupção antes de 31 de julho.
O que observar agora
O principal indicador nas próximas semanas será para onde esse hashrate vai. Se a maior parte migrar para pools já dominantes, o debate sobre centralização ganha força. Se parte relevante for para operadores menores ou para pools com modelos mais transparentes, o fechamento pode virar uma redistribuição saudável.
A notícia também conversa com a tendência de adaptação na mineração. Em janeiro, o CriptoBR mostrou como a mineração de Bitcoin virou aquecimento distrital na Finlândia, exemplo de como operadores buscam novas formas de monetizar energia e calor. O encerramento da SBI reforça a mesma mensagem: mineração deixou de ser apenas plugar máquinas e esperar o próximo bloco; agora é uma disputa de eficiência, escala e estratégia.
Mauro Andrade cobre cripto internacional, geopolítica digital e mercado global no CriptoBR. Acompanha movimentos regulatórios nos EUA, Europa e Ásia, adoção institucional por grandes players (BlackRock, Fidelity, JPMorgan) e o impacto geopolítico das criptomoedas no cenário financeiro mundial.





