A SBI Holdings fechou acordo para comprar a exchange japonesa Bitbank por ¥46,7 bilhões, cerca de US$ 289 milhões. Se aprovado pelo órgão antitruste do Japão, o negócio pode criar a maior operação cripto regulada do país por ativos sob custódia e reforçar a aposta do grupo em stablecoins e finanças on-chain.
A SBI Holdings assinou um acordo para transformar a Bitbank em subsidiária integral, em uma transação avaliada em ¥46,7 bilhões, aproximadamente US$ 289 milhões. O movimento coloca um dos maiores conglomerados financeiros do Japão no centro de uma nova rodada de consolidação do mercado cripto local.
Segundo o comunicado oficial da SBI, a operação ainda depende da análise da Japan Fair Trade Commission e de outras condições de fechamento. A conclusão está prevista para outubro de 2026, após uma sequência de compra de ações, aumento de capital e aquisição de participações hoje detidas por acionistas como MIXI e Ceres.
SBI quer escala em custódia e contas cripto
O ponto central do negócio é escala. A SBI afirma que, somando os números da SBI VC Trade e da Bitbank em 30 de abril de 2026, o grupo passaria a ter cerca de ¥1,1 trilhão em ativos sob custódia e 2,92 milhões de contas cripto.
Com esses números, a companhia espera ocupar a primeira posição entre provedores domésticos de serviços de exchange cripto em ativos sob custódia. A leitura é importante porque o Japão tem um dos regimes regulatórios mais rígidos do setor, o que favorece plataformas com capital, controles internos e estrutura de compliance.
A Bitbank foi fundada em 2014 e opera uma das exchanges locais mais conhecidas do país. No comunicado, a SBI destacou o histórico de segurança da plataforma, incluindo a ausência de incidentes de hack desde sua criação, como parte da justificativa estratégica para a aquisição.
A compra também conversa com um tema que já vem ganhando força no mercado japonês. O CriptoBR mostrou recentemente que o Japão avança em uma proposta para tratar criptoativos de forma mais próxima das ações, mudança que pode elevar o peso de regras de divulgação, supervisão e proteção ao investidor.
Stablecoins entram no plano
A SBI não está olhando apenas para negociação à vista. A empresa cita, no próprio anúncio, a intenção de expandir serviços financeiros ligados a stablecoins e finanças on-chain. Isso coloca a aquisição dentro de uma estratégia mais ampla de infraestrutura para ativos digitais, e não apenas como compra de volume de clientes.
Esse ponto é relevante porque o Japão vem acelerando projetos de moedas digitais privadas reguladas. Nesta semana, o CriptoBR também noticiou que a Ripple lançou a stablecoin RLUSD no Japão após aval regulatório, reforçando a disputa por trilhos de liquidação em dólar dentro de ambientes supervisionados.
Em outra frente, bancos japoneses seguem testando modelos próprios. A matéria sobre os megabancos do Japão mirando stablecoins até 2027 mostra que o país tenta combinar inovação com controle regulatório, evitando uma abertura desordenada como a vista em outros mercados.
Consolidação favorece grupos maiores
Para o investidor de varejo, a SBI diz que a transação deve preservar a continuidade dos serviços da Bitbank durante a mudança de controle. Para o mercado, porém, o recado é maior: exchanges independentes podem enfrentar mais pressão em um ambiente de custos regulatórios crescentes.
A CoinDesk e a Bitcoin Magazine trataram o negócio como um dos movimentos mais relevantes de consolidação cripto no Japão. O racional é simples: se as regras ficarem mais próximas do mercado de capitais tradicional, grupos financeiros com bancos, corretoras, custódia e relacionamento regulatório tendem a ganhar vantagem.
O cronograma previsto pela SBI indica a primeira etapa de transferência de ações em agosto, seguida por aumento de capital e conclusão em outubro. Até lá, o ponto decisivo será a aprovação antitruste. Se passar, a SBI sairá com uma base maior para competir em exchange, custódia, stablecoins e pagamentos cripto no Japão.
Hillary Gonçalves cobre regulação cripto no Brasil, movimentações institucionais e adoção de stablecoins em real. Editora no CriptoBR desde 2026, acompanha o impacto das decisões do Banco Central e da CVM no mercado digital brasileiro.





