Tangem reforça autocustódia sem depender de intermediários
A Tangem vem usando seus canais para insistir em uma mensagem simples: a carteira deve funcionar mesmo quando a empresa não está no caminho da transação. Entre segurança de hardware, migrações de rede e leitura de mercado, o foco está na posse direta das chaves.
Autocustódia como arquitetura, não como slogan
A tese central da Tangem é que uma carteira de hardware não deve transformar o usuário em dependente permanente da própria fabricante. Em um dos tweets recentes, a empresa resumiu essa ideia com uma provocação direta: mesmo que a sede da Tangem fosse atingida por um meteoro, a carteira ainda conseguiria assinar transações. A frase chama atenção, mas o ponto técnico é mais importante: a assinatura acontece no dispositivo, e a confirmação fica a cargo da blockchain.
Essa abordagem conversa com o posicionamento do produto no mercado brasileiro: chaves criadas e mantidas dentro de um chip offline, com uso via cartão NFC e sem seed phrase exposta para ser anotada, fotografada ou vazada. Para um público que ainda associa autocustódia a processos complexos, a Tangem tenta reduzir a fricção sem abandonar a lógica de hardware.
https://x.com/Tangem/status/2077339489811214611
Quando a infraestrutura muda, a carteira precisa acompanhar
Outro ponto relevante apareceu no caso da SEI, que decidiu encerrar sua infraestrutura Cosmos em favor de EVM. Segundo a Tangem, durante o desenvolvimento do suporte à migração, a equipe identificou que cartões “Cosmos-only” não tinham endereço EVM para migrar. Na prática, o fluxo padrão não funcionaria para esses usuários.
A empresa afirma que sinalizou o problema diretamente ao time da SEI, que então atualizou o fluxo de migração. O episódio é um lembrete de que autocustódia não elimina a necessidade de suporte técnico em momentos de transição de rede. Ela muda, porém, onde está o controle: o usuário mantém as chaves, enquanto a carteira precisa garantir compatibilidade com o caminho que a blockchain passa a exigir.
Leitura de mercado também entra no produto
A Tangem também tem usado seu perfil para publicar análises sobre temas que orbitam o uso de carteiras cripto. Um exemplo recente foi o recorte sobre ouro tokenizado. A empresa destacou que o ouro atingiu US$ 5.400 por onça neste ano e que o ouro tokenizado se tornou um segmento de US$ 6 bilhões dentro do mercado cripto.
No mesmo tweet, a Tangem apontou que dois contratos em Ethereum controlam 96% a 97% desse mercado, comparando características como auditorias mensais da KPMG, supervisão da NYDFS, acesso multi-chain e liquidez mais profunda. A mensagem não é uma recomendação de alocação, mas mostra como a empresa tenta educar o usuário sobre ativos que podem acabar dentro da carteira.
https://x.com/Tangem/status/2077700302493413519
O que observar daqui pra frente
Para a Tangem, o desafio é manter a promessa de simplicidade sem diluir a responsabilidade da autocustódia. Cartão NFC, ausência de seed phrase exposta e chaves offline tornam a experiência mais direta, mas o mercado continua exigindo atenção a migrações, compatibilidade de redes e entendimento dos ativos guardados. É nesse cruzamento entre usabilidade e soberania que a narrativa da marca deve seguir evoluindo.
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Mauro Andrade cobre cripto internacional, geopolítica digital e mercado global no CriptoBR. Acompanha movimentos regulatórios nos EUA, Europa e Ásia, adoção institucional por grandes players (BlackRock, Fidelity, JPMorgan) e o impacto geopolítico das criptomoedas no cenário financeiro mundial.





