Michael Saylor, presidente da Strategy (ex-MicroStrategy), declarou que o tradicional ciclo de 4 anos do Bitcoin está oficialmente morto. Segundo ele, o preço agora é ditado por fluxos de capital institucional e crédito bancário — não mais pelo halving. A declaração reacende o debate sobre como precificar o BTC em sua nova fase.
O presidente da Strategy, Michael Saylor, fez uma das declarações mais ousadas do ano sobre o Bitcoin neste sábado. Em post no X, ele afirmou que o ciclo de 4 anos do Bitcoin — historicamente ligado aos eventos de halving — está oficialmente morto.
“O preço agora é ditado por fluxos de capital. Crédito bancário e crédito digital determinarão a trajetória de crescimento do Bitcoin”, escreveu Saylor, em uma mensagem que rapidamente viralizou no Crypto Twitter.
https://x.com/saylor/status/2040438683380146574
O que era o ciclo de 4 anos?
Desde a criação do Bitcoin, o mercado seguiu um padrão razoavelmente previsível: a cada halving — evento que corta pela metade a recompensa dos mineradores —, seguia-se um período de alta agressiva, topo, correção e acumulação. Isso aconteceu em 2012, 2016, 2020 e, em teoria, deveria se repetir após o halving de abril de 2024.
O problema? O roteiro não funcionou dessa vez. O Bitcoin atingiu a máxima histórica de US$ 124.720 em outubro de 2025, mas desde então caiu cerca de 44%, negociando agora próximo dos US$ 69.000. O “super ciclo” pós-halving que muitos esperavam não se materializou da forma tradicional.
Capital institucional é o novo halving
Para Saylor, o motivo é claro: o Bitcoin mudou de patamar. Com a aprovação dos ETFs spot de Bitcoin nos EUA e a entrada de gigantes como BlackRock, Goldman Sachs e Charles Schwab, o ativo não depende mais exclusivamente do choque de oferta dos mineradores.
A tese de Saylor é que fluxos de capital, crédito bancário e demanda institucional agora exercem uma influência muito maior no preço do que a dinâmica de oferta dos halvings. Em outras palavras: o que move o BTC hoje são os bilhões que entram (ou saem) via ETFs, tesourarias corporativas e produtos financeiros regulados.
Os dados parecem apoiar essa visão. Como reportamos, a BlackRock acumulou US$ 3,1 bilhões em Bitcoin mesmo durante o pânico geopolítico recente, enquanto a Charles Schwab anunciou que vai oferecer trading spot de Bitcoin e Ethereum.
Dados on-chain confirmam a mudança
Dados da CryptoQuant mostram que a demanda geral por Bitcoin está contraindo a -63.000 BTC por mês, mesmo com compradores institucionais acelerando compras. Grandes holders distribuíram quase 188.000 BTC no último ano.
Ao mesmo tempo, o varejo atingiu sua menor participação no mercado desde 2017, como mostramos mais cedo. A combinação sugere exatamente o que Saylor descreve: um mercado cada vez mais dominado por players institucionais, onde fluxos de capital são o driver principal.
O que isso significa para o investidor
Se Saylor estiver certo, a implicação prática é significativa: analisar o Bitcoin usando o modelo tradicional de ciclo de 4 anos pode ser uma armadilha. Em vez de esperar o próximo “bull run pós-halving”, investidores precisariam monitorar indicadores diferentes — como fluxos de ETF, movimentos de tesouraria corporativa e políticas de crédito bancário.
Adam Livingston, comentarista de mercado, reforçou o ponto ao afirmar que a Strategy (ex-MicroStrategy) “venceu o jogo” da acumulação institucional de Bitcoin, construindo uma posição tão grande que rivais teriam dificuldade em replicar.
O Bitcoin é negociado atualmente a US$ 69.020, com alta de 2,5% nas últimas 24 horas. Abril historicamente é um dos meses mais fortes para o ativo, com média de +20,9% nos últimos 15 anos — mas como o próprio Saylor alertou, sazonalidade não opera contra uma guerra, distribuição de baleias e medo extremo no mercado.
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





