A BlackRock acumulou US$ 3,1 bilhões em Bitcoin e quase US$ 500 milhões em Ethereum desde o início do conflito EUA-Irã em fevereiro. As compras ocorreram com o Fear & Greed Index em 9 — nível de medo extremo — reforçando a tese institucional de acumulação em quedas.
Enquanto o mercado crypto enfrentava uma das piores ondas de pânico dos últimos anos, a BlackRock — maior gestora de ativos do mundo — fez o oposto do que a maioria dos investidores de varejo: comprou agressivamente.
Dados da Arkham Intelligence revelam que entre 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel lançaram ataques aéreos contra o Irã, e 3 de abril, a gestora de Larry Fink adicionou aproximadamente US$ 3,1 bilhões em Bitcoin e cerca de US$ 500 milhões em Ethereum ao seu portfólio.
Compras em meio ao medo extremo
A maratona de compras aconteceu durante um período em que o Fear & Greed Index atingiu a marca de 9 em 100 — classificado como medo extremo. Como reportamos recentemente, o indicador já vinha em queda livre, refletindo o pânico causado pelo fechamento do Estreito de Ormuz e a escalada nos preços do petróleo.
Segundo o painel em tempo real da Arkham, a BlackRock detém hoje cerca de 783.290 BTC, avaliados em aproximadamente US$ 53,39 bilhões. Em 28 de fevereiro, esse número era de 764.930 tokens. O aumento líquido de ~19.000 BTC em pouco mais de um mês evidencia uma estratégia deliberada de acumulação durante a crise.
Portfólio digital total ultrapassa US$ 58 bilhões
No total, a gestora mantém US$ 58,78 bilhões em ativos digitais, divididos entre Bitcoin (US$ 52,54 bilhões) e Ethereum (US$ 6,25 bilhões). A carteira também contém pequenas quantias de outros tokens, embora esses não tenham sido adquiridos ativamente pela empresa.
Como é comum com endereços de alto perfil, holders de projetos menores frequentemente enviam tokens para carteiras famosas como forma de publicidade — prática que até Vitalik Buterin, cofundador do Ethereum, enfrenta rotineiramente.
No caso do Ethereum, a BlackRock adicionou quase US$ 400 milhões em ETH desde o início do conflito, elevando suas participações para pouco mais de 3 milhões de tokens. Essa movimentação segue o padrão que observamos com o lançamento do ETF de Ethereum com staking pela própria gestora.
O que isso significa para o mercado
A postura da BlackRock contrasta fortemente com o comportamento do mercado de varejo e até de outras instituições. Enquanto mineradoras como a MARA demitiram 15% do quadro e a Riot vendeu BTC para cobrir custos operacionais, a BlackRock tratou cada queda como oportunidade.
A lição é clara: em momentos de pânico sistêmico, o dinheiro institucional inteligente acumula. O Bitcoin era negociado a US$ 66.800 no momento da publicação, com alta de 0,8% no dia, e o market cap total do mercado crypto superava US$ 2,3 trilhões.
A estratégia reforça a narrativa de que, para players como a BlackRock, o Bitcoin já se consolidou como ativo de reserva estratégica — não um trade especulativo, mas uma posição de longo prazo que se fortalece justamente quando o medo domina o mercado.
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





