O Goldman Sachs declarou que o fundo do Bitcoin pode estar próximo, citando o retorno de US$ 1,32 bilhão em entradas líquidas nos ETFs spot em março. A análise coincide com avanços regulatórios nos EUA e o plano da Charles Schwab de lançar trading spot de BTC e ETH no primeiro semestre de 2026.
Após um primeiro trimestre marcado por tensões geopolíticas no Oriente Médio e uma queda de 23,8% no preço do Bitcoin, o cenário parece estar mudando. O Goldman Sachs publicou nesta semana uma nota de análise afirmando que a tendência de baixa de seis meses pode estar se esgotando — e os números sustentam a tese.
ETFs de Bitcoin voltam a atrair capital institucional
O principal indicador citado pelo Goldman Sachs é a reversão dos fluxos institucionais. Após quatro meses consecutivos de saídas líquidas, os ETFs de Bitcoin spot registraram US$ 1,32 bilhão em entradas líquidas durante março — o melhor mês desde outubro de 2025.
“A reentrada de liquidez institucional sugere que a lavagem de alavancagem está completa”, afirmou James Yaro, analista-chefe do Goldman Sachs. “Com o BTC testando suporte crítico em US$ 68 mil, estamos vendo uma transição de venda especulativa para acumulação institucional de longo prazo.”
O Bitcoin opera atualmente próximo dos US$ 67 mil — cerca de 45% abaixo de suas máximas históricas. Apesar da queda, a estabilização nesse patamar é vista por analistas como um “trampolim” para a próxima perna de alta, especialmente com sinais do Federal Reserve sobre possível afrouxamento monetário.
Clarity Act e novo marco regulatório ganham forma
Outro catalisador importante é o avanço regulatório nos EUA. O Clarity Act, que está em contagem regressiva no Senado, busca criar uma separação definitiva entre “Digital Commodities” e “Digital Securities” — algo que o mercado aguarda há anos.
A SEC também atualizou sua taxonomia de tokens, classificando:
- Digital Commodities: ativos como Bitcoin, cujo valor deriva de mecânicas automatizadas de rede
- Payment Stablecoins: regulados sob o GENIUS Act, com maior proteção para usuários de USDT e USDC
- Digital Tools: tokens de utilidade, como ingressos e identidades digitais, cada vez mais protegidos de litígios de valores mobiliários
Para investidores, isso significa menos “regulação por enforcement” e mais “regulação por regras claras” — pré-requisito para a próxima onda de adoção institucional massiva.
Charles Schwab confirma trading spot de BTC e ETH
Reforçando o sentimento institucional, a Charles Schwab — corretora com US$ 11,9 trilhões em ativos sob gestão — confirmou que lançará trading spot de Bitcoin e Ethereum no primeiro semestre de 2026. A empresa já abriu lista de espera para o “Schwab Crypto”, conta que permitirá compra e venda direta das duas maiores criptomoedas.
A escala da Schwab pode representar uma virada de jogo. Milhões de investidores de varejo e institucionais que hoje operam ações e títulos pela plataforma terão acesso direto a criptomoedas — sem precisar recorrer a exchanges nativas como a Coinbase.
A movimentação segue a tendência de grandes players de Wall Street entrando no mercado cripto, como o recente lançamento do ETF de Bitcoin pela Morgan Stanley.
O que esperar de abril?
A combinação de retorno de capital institucional, avanço regulatório e entrada de gigantes financeiros no trading spot cria um cenário que muitos analistas classificam como “acumulação estrutural”. Ainda assim, riscos permanecem: o petróleo acima de US$ 112, tensões no Estreito de Ormuz e dados fortes de emprego nos EUA podem pressionar ativos de risco no curto prazo.
O Fear & Greed Index do mercado cripto atingiu 8 na última semana — um nível registrado apenas sete vezes desde 2018. Historicamente, leituras tão extremas de medo precederam recuperações significativas.
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





