MARA Holdings demitiu 15% dos funcionários após vender US$ 1,1 bilhão em Bitcoin. A Riot Platforms se juntou ao movimento e liquidou 3.778 BTC no primeiro trimestre. O mercado responde com o Fear & Greed Index em 9 — nível de medo extremo.
As duas maiores mineradoras de Bitcoin listadas nos Estados Unidos estão em processo de transformação acelerada — e o mercado está pagando a conta. A MARA Holdings demitiu cerca de 15% dos seus funcionários nesta semana, dias após concluir a venda de 15.133 BTC por aproximadamente US$ 1,1 bilhão. Já a Riot Platforms revelou ter liquidado 3.778 BTC ao longo do primeiro trimestre de 2026, gerando US$ 289,5 milhões em receitas.
O resultado: o mercado crypto registra queda de 2,4% nas últimas 24 horas, com capitalização total recuando para US$ 2,38 trilhões. O Bitcoin opera em torno de US$ 66.800, e o Crypto Fear & Greed Index está em 9 — nível de Medo Extremo, um dos mais baixos do ano.
MARA abandona mineração pura e demite em massa
A MARA Holdings, que chegou a ser uma das maiores reservas corporativas de Bitcoin do mundo, está em plena transformação estratégica. Segundo o Bitcoin Magazine, as demissões ocorreram em pelo menos duas rodadas nesta semana — quarta e quinta-feira — afetando múltiplos departamentos. A empresa não divulgou o número exato de cortes, mas fontes familiarizadas com o processo confirmam que o processo foi “contínuo”.
O CEO Fred Thiel enquadrou a decisão como parte de uma “reestruturação estratégica” voltada para infraestrutura de Inteligência Artificial (IA) e computação de alto desempenho (HPC). A empresa possui cerca de 266 funcionários em tempo integral, o que indica a eliminação de aproximadamente 40 posições.
Antes das demissões, a MARA realizou um dos maiores movimentos de desinvestimento em Bitcoin da história corporativa: entre 4 e 25 de março, vendeu 15.133 BTC para recomprar aproximadamente 30% de sua dívida conversível, reduzindo o passivo de US$ 3,3 bilhões para US$ 2,3 bilhões. O CEO afirmou que a empresa planeja vender BTC “de tempos em tempos” ao longo de 2026 para sustentar liquidez e financiar novas iniciativas — incluindo parcerias com a Starwood Digital Ventures e a Exaion para data centers com foco em IA.
Riot vende mais BTC do que minerou no trimestre
A Riot Platforms se juntou ao movimento de liquidação. No Q1 2026, a empresa vendeu 3.778 BTC por US$ 289,5 milhões — enquanto produziu apenas 1.473 BTC no mesmo período. Ou seja, vendeu mais do que o dobro do que minerou, drenando suas reservas acumuladas.
O movimento não é isolado. A Genius Group liquidou toda a sua reserva de 84,15 BTC em 1º de abril, e a Nakamoto Holdings reduziu suas reservas em aproximadamente 284 BTC em março. No lado oposto, empresas como a Strategy e a Metaplanet seguem acumulando — criando uma divisão clara no mercado entre holders corporativos e sellers.
Como reportamos anteriormente, o Bitcoin fechou o pior primeiro trimestre de sua história com queda de 24%, e baleias vendendo enquanto o varejo compra é historicamente um sinal bearish de alerta.
Fear Index em 9: o que significa para o mercado
O Crypto Fear & Greed Index marca 9 nesta sexta-feira — nível de Medo Extremo. Para contexto: o índice ficou abaixo de 10 em apenas alguns dias ao longo de toda a história do mercado crypto. Tecnicamente, representa um mercado com forte aversão ao risco, venda forçada de posições e posicionamento defensivo dos investidores.
O Ethereum cai 2,59%, operando em US$ 2.058. O BNB recua 3,75%, em US$ 584. O mercado DeFi acumulou queda de 2,5% nas últimas 24 horas, com capitalização em US$ 49 bilhões.
Analistas divergem sobre a causa principal. Parte atribui a queda ao discurso de Trump sobre o Irã, que reacendeu tensões geopolíticas após uma breve janela de otimismo. Outra corrente, liderada pelo analista Benjamin Cowen, argumenta que o movimento segue padrões históricos de ciclos de eleições de meio de mandato nos EUA — com Bitcoin formando fundo em fevereiro, máximo mais baixo em março e nova fraqueza em abril.
O fato é que as mineradoras estão enviando Bitcoin de volta ao mercado em escala significativa. Quando produtores vendem acima da produção, a pressão de venda é estrutural — não apenas emocional.
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





