As baleias do Bitcoin estão enviando um sinal preocupante para o mercado. Após comprarem agressivamente durante o pânico da semana passada, os grandes detentores começaram a vender suas posições — justamente enquanto investidores de varejo entram comprando na queda.
Segundo dados da Santiment, carteiras que detêm entre 10 e 10.000 BTC acumularam fortemente entre 23 de fevereiro e 3 de março, quando o Bitcoin era negociado entre US$ 62.900 e US$ 69.600. Esse período cobriu o pior momento da venda provocada pelo conflito com o Irã e o início da recuperação.
Baleias compraram o pânico — e venderam a recuperação
Quando o Bitcoin atingiu US$ 74.000 na quinta-feira passada, essas mesmas carteiras começaram a realizar lucros e já se desfizeram de aproximadamente 66% do que haviam comprado.
Do outro lado, carteiras menores — com menos de 0,01 BTC — vêm aumentando suas posições conforme o preço voltou a cair abaixo de US$ 70.000 na sexta-feira e no sábado.
“Quando o varejo compra enquanto as baleias vendem, isso tipicamente sinaliza que a correção ainda não acabou”, alertou a Santiment em uma nota publicada neste fim de semana.
43% do supply de Bitcoin está no prejuízo
Dados da Glassnode agravam o cenário. Cerca de 43% do supply total do Bitcoin está atualmente no prejuízo. Isso significa que cada movimento de alta encontra vendedores que ficaram “presos” por semanas ou meses e buscam sair no zero a zero — em vez de surfar a valorização.
Foi exatamente o que aconteceu nos US$ 74.000: a recuperação bateu em uma parede de oferta formada tanto pelas baleias realizando lucro quanto por holders querendo sair no preço de custo.
Índice de Medo e Ganância despenca para 12
O amplamente monitorado Crypto Fear and Greed Index caiu 6 pontos no sábado, atingindo 12 — em território de “medo extremo”. É uma das leituras mais baixas desde o crash de outubro.
O cenário mais amplo é de um mercado que produz movimentos impressionantes dentro da semana, mas vai a lugar nenhum no horizonte mensal:
- O Bitcoin tocou US$ 60.000 em 6 de fevereiro
- Tocou US$ 74.000 em 5 de março
- Agora está em US$ 68.000 — praticamente o mesmo nível de três semanas atrás
Os dois cenários possíveis
Essa dinâmica — onde toda alta é vendida por holders querendo sair e toda queda é comprada por varejo buscando a recuperação — se resolve de duas maneiras:
Cenário otimista: A pressão vendedora se esgota, o supply “preso” é absorvido e o Bitcoin rompe os US$ 74.000 com convicção.
Cenário pessimista: O capital do varejo se esgota e o piso de US$ 60.000 é testado de verdade.
O comportamento das baleias nesta semana sugere que os grandes players estão apostando no segundo cenário.
Fonte: CoinDesk
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





