A Payward, dona da Kraken, está cortando cerca de 150 vagas, ou perto de 5% da equipe global, enquanto reorganiza custos antes de uma possível abertura de capital. A exchange segue buscando capital, fazendo aquisições e esperando condições melhores para avançar com o IPO nos EUA.
A Payward, empresa controladora da Kraken, está cortando cerca de 150 empregos em meio a uma reorganização ligada ao plano de abrir capital nos Estados Unidos. O número representa aproximadamente 5% de uma força de trabalho global estimada em 3 mil pessoas, segundo reportagens da Crypto Briefing e da The Crypto Times, que citam fontes familiarizadas com o tema.
O movimento chama atenção porque ocorre ao mesmo tempo em que a Kraken tenta se posicionar como uma das próximas grandes exchanges cripto a acessar o mercado público. A companhia já havia dado passos nessa direção, mas mantém o IPO em compasso de espera enquanto avalia condições de mercado, valuation e apetite dos investidores por empresas do setor.
Reestruturação antes do mercado público
De acordo com a cobertura internacional, a redução faz parte de um esforço de “otimização” operacional antes de uma possível listagem. A Kraken não confirmou detalhes específicos sobre o corte, mas afirmou em comunicado citado pela imprensa que revisa regularmente sua estrutura para garantir que tem o time adequado para crescer e atender clientes.
Na prática, esse tipo de ajuste costuma aparecer quando empresas privadas querem melhorar margens, simplificar equipes e deixar a operação mais previsível antes de conversar com investidores institucionais. Para uma exchange cripto, isso pesa ainda mais: receita, volume de negociação e custos de compliance podem variar bastante conforme o ciclo de mercado.
O CriptoBR já havia mostrado que a Kraken protocolou um pedido confidencial de IPO nos EUA, etapa que permite preparar documentos junto à SEC sem divulgar imediatamente todos os detalhes ao público. O novo corte indica que a empresa segue trabalhando nesse caminho, ainda que sem data definida para a estreia.
Kraken também acelera aquisições
A reestruturação não significa que a Kraken esteja encolhendo sua ambição. Pelo contrário: a Payward vem combinando cortes seletivos com compras estratégicas. Em abril, a empresa fechou a aquisição da Bitnomial, plataforma de derivativos de ativos digitais, em acordo de até US$ 550 milhões. A operação reforça a frente regulada de derivativos nos EUA, como o CriptoBR explicou na matéria sobre a compra da Bitnomial pela Kraken.
Também pesa no contexto a entrada de investidores tradicionais no radar da exchange. Em outra movimentação recente, a dona da Bolsa de Frankfurt comprou uma participação de 1,5% na Kraken por US$ 200 milhões, sinal de que infraestrutura cripto segue atraindo capital mesmo em um ambiente mais seletivo. Essa aproximação com finanças tradicionais foi detalhada pelo CriptoBR na cobertura sobre a participação da Deutsche Börse na Kraken.
Por que isso importa para o setor cripto
A combinação de demissões, aquisições e preparação para IPO mostra uma fase mais madura — e mais exigente — das grandes empresas cripto. Depois de anos em que crescimento de usuários e volume era suficiente para sustentar narrativas otimistas, o mercado agora cobra eficiência, controles internos e capacidade de gerar resultados em ciclos diferentes.
Para usuários brasileiros, o caso importa menos pelo corte em si e mais pelo sinal que ele envia: exchanges globais estão tentando se adaptar a um ambiente em que regulação, capital institucional e produtos financeiros tradicionais passam a andar junto com cripto. Empresas que querem abrir capital precisam apresentar governança, previsibilidade e uma história clara de crescimento.
A Kraken continua sendo uma das marcas mais antigas do setor, com presença relevante em negociação spot, derivativos e infraestrutura para investidores profissionais. Mas, se o IPO avançar, a empresa terá de convencer o mercado de que consegue crescer sem depender apenas de picos de volatilidade — e os cortes mostram que essa preparação já começou.
Hillary Gonçalves cobre regulação cripto no Brasil, movimentações institucionais e adoção de stablecoins em real. Editora no CriptoBR desde 2026, acompanha o impacto das decisões do Banco Central e da CVM no mercado digital brasileiro.





