A relação ETH/BTC caiu para 0,02835 nesta terça-feira, menor nível em 10 meses, segundo o CoinDesk. O movimento mostra que investidores seguem preferindo a defesa relativa do Bitcoin enquanto o Ethereum perde força no curto prazo.
O Ethereum voltou a perder terreno contra o Bitcoin nesta terça-feira (12), em um sinal acompanhado de perto por traders para medir o apetite por risco no mercado cripto. Segundo o CoinDesk, a relação ETH/BTC caiu para 0,02835, menor leitura desde julho de 2025.
A queda importa porque o par ETH/BTC funciona como um termômetro da rotação dentro do mercado: quando sobe, costuma indicar busca por ativos de maior beta, como ether e altcoins; quando cai, sugere preferência por Bitcoin, visto como a opção mais defensiva dentro do setor.
ETH/BTC toca menor nível desde julho de 2025
Na leitura desta terça, o ether recuava mais de 2%, enquanto o Bitcoin caía pouco acima de 1%. Essa diferença foi suficiente para pressionar novamente o ETH/BTC, que agora acumula baixa de mais de 35% desde a máxima de agosto, quando chegou a 0,04324.
O indicador já esteve acima de 0,08 em dezembro de 2021, antes de entrar em uma tendência prolongada de enfraquecimento contra o Bitcoin. Parte dessa pressão se intensificou depois do sucesso dos ETFs spot de Bitcoin nos Estados Unidos, lançados em janeiro de 2024, que ajudaram a concentrar fluxos institucionais no BTC.
O movimento também se conecta ao ambiente recente de cautela. Como o CriptoBR mostrou na cobertura sobre Bitcoin e inflação dos EUA, dados macro ainda têm pesado sobre a tomada de risco. Em períodos assim, o capital tende a privilegiar liquidez e ativos mais consolidados.
O que isso diz sobre o apetite por risco
Para o investidor, a leitura não é apenas “Ethereum caiu”. Ela mostra que, mesmo com atualizações técnicas e narrativas de adoção, o ETH ainda precisa provar força relativa contra o Bitcoin para sinalizar uma rotação mais ampla para altcoins.
O CoinDesk observa que o ETH/BTC segue bem abaixo da média móvel de 200 semanas, atualmente em 0,04828. Na prática, isso reforça a visão de que o ether permanece em tendência de baixa de longo prazo quando comparado ao BTC.
Esse contraste aparece mesmo em uma fase de desenvolvimento ativo do ecossistema Ethereum. Nos últimos dias, o CriptoBR publicou que a Ronin voltou ao Ethereum como layer 2 e que a rede mira triplicar capacidade com a atualização Glamsterdam. A questão é que fundamentos técnicos nem sempre se traduzem imediatamente em performance de mercado.
Bitcoin segue como referência defensiva
A leitura do ETH/BTC reforça uma mensagem simples: neste momento, o mercado ainda parece cobrar mais prêmio de risco para carregar Ethereum do que Bitcoin. Isso não invalida a tese de longo prazo do ETH, mas mostra que a rotação para altcoins continua frágil.
Se o par voltar a subir com volume, pode indicar melhora no apetite por risco e reabertura de espaço para altcoins. Enquanto isso não acontece, o Bitcoin segue ditando o ritmo do ciclo e atraindo a maior parte da atenção em dias de incerteza.
Mauro Andrade cobre cripto internacional, geopolítica digital e mercado global no CriptoBR. Acompanha movimentos regulatórios nos EUA, Europa e Ásia, adoção institucional por grandes players (BlackRock, Fidelity, JPMorgan) e o impacto geopolítico das criptomoedas no cenário financeiro mundial.





