O ETH voltou a superar o Bitcoin em desempenho relativo nesta quarta-feira, com a relação ETH/BTC no maior nível em três meses. O movimento veio junto de alta no número de novos usuários, mais transações e avanço da oferta de stablecoins na rede Ethereum, sinalizando melhora do apetite por risco no mercado cripto.
O Ether voltou a ganhar tração frente ao Bitcoin nesta quarta-feira, 15, depois que a relação ETH/BTC subiu para perto de 0,0313, seu maior nível desde janeiro. O avanço chama atenção porque costuma funcionar como um termômetro do apetite por risco dentro do mercado cripto. Quando o ETH começa a superar o BTC, a leitura mais comum é de que o capital está deixando a postura defensiva e voltando a buscar ativos com mais beta.
Segundo a CoinDesk, o Ether acumulou ganho de cerca de 4% nos últimos sete dias, levemente acima da alta de 3,9% do Bitcoin no mesmo intervalo. O dado, por si só, não confirma uma reversão estrutural, mas ganha peso ao aparecer junto de sinais mais fortes nos fundamentos da rede Ethereum.
Rede Ethereum mostra aceleração em usuários e atividade
Os dados usados pela reportagem apontam que a Ethereum adicionou cerca de 284 mil novos usuários no primeiro trimestre de 2026, com alta de mais de 80% na comparação trimestral, de acordo com métricas da Artemis repercutidas pela Finbold. No mesmo período, o total de transações da rede atingiu 200,4 milhões, novo recorde trimestral.
Esse crescimento ajuda a sustentar a leitura de que o ETH não está subindo apenas por efeito de curto prazo. Há também expansão de uso real da rede, especialmente em stablecoins e tokenização. A própria CoinDesk destacou que a oferta de stablecoins na Ethereum chegou a um recorde histórico, reforçando o papel da blockchain como principal camada de liquidação para dólares tokenizados.
Isso importa porque a tese de investimento em Ethereum vinha pressionada desde a atualização Dencun, quando parte do mercado passou a questionar a captura de valor da camada base. Como o CriptoBR mostrou na matéria sobre a atualização Dencun, taxas mais baixas ajudaram a escalar o ecossistema, mas também levantaram dúvidas sobre receita da rede principal. Agora, os números de usuários e de liquidez ajudam a reequilibrar essa narrativa.
ETH/BTC mais forte pode indicar rotação dentro do mercado
A relação ETH/BTC é acompanhada de perto porque mede a força relativa entre os dois maiores criptoativos do mercado. Em ciclos mais defensivos, o Bitcoin costuma concentrar fluxo, especialmente após a expansão dos ETFs spot nos Estados Unidos. Quando essa relação volta a subir, o mercado geralmente interpreta que há espaço para uma rotação gradual em direção ao Ethereum e, depois, para segmentos ainda mais arriscados.
Esse pano de fundo combina com o ambiente institucional recente. Nos últimos meses, o site já destacou tanto a pressão sofrida pelo ETH em meio a opções e ETFs, na reportagem Ethereum perde suporte de US$ 2.000 com opções, ETFs e Irã, quanto a evolução do produto institucional com a matéria sobre o ETF de Ethereum com staking da BlackRock. O novo movimento de preço sugere que parte desse fluxo pode estar começando a voltar para o ativo.
Ainda assim, o cenário pede cautela. A CoinDesk observa que o ETH continua mais de 50% abaixo da máxima das últimas 52 semanas e que a relação ETH/BTC ainda precisaria retomar a faixa de 0,035 em fechamento semanal para dar um sinal técnico mais robusto. Em outras palavras, a melhora existe, mas ainda não equivale a uma confirmação de altseason.
Para o investidor, o principal recado é que o mercado começa a premiar novamente fundamentos de rede, e não apenas a narrativa de segurança em torno do Bitcoin. Se essa tendência continuar nas próximas semanas, o Ethereum pode voltar ao centro da rotação de capital no setor, especialmente se o crescimento de usuários, stablecoins e ativos tokenizados seguir acelerando.
Mais informações foram compartilhadas pela CoinDesk na cobertura original:
https://www.coindesk.com/markets/2026/04/15/ether-bitcoin-ratio-bounces-from-2026-lows-in-signs-of-broader-crypto-recovery
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





