O Ethereum perdeu o suporte psicológico de US$ 2.000 neste domingo, acumulando queda de mais de 7% na semana. A quebra coincide com US$ 14 bilhões em opções expiradas, escalada geopolítica no Oriente Médio e saídas recordes de ETFs — com o Fear & Greed Index em 23.
O Ethereum (ETH) rompeu o suporte psicológico de US$ 2.000 neste domingo (29), caindo para cerca de US$ 1.970 e registrando seu menor nível desde o início de março. A queda de 7,24% na semana acompanha uma derrocada generalizada no mercado cripto, que perdeu mais de US$ 80 bilhões em capitalização desde 24 de março.
A perda do nível de US$ 2.000 é especialmente significativa porque esse patamar funcionava como suporte técnico e psicológico desde fevereiro. Analistas apontam que a ruptura de uma linha de tendência ascendente de longo prazo pode abrir espaço para quedas mais acentuadas, com o próximo suporte relevante na faixa de US$ 1.800.
O que derrubou o mercado cripto
A pressão vendedora se intensificou após uma combinação rara de eventos negativos. Na quinta-feira (27), a Deribit liquidou US$ 14,16 bilhões em opções de Bitcoin — o maior vencimento trimestral de 2026 —, eliminando quase 40% das posições abertas na plataforma. Mais de 122 mil traders foram liquidados, com perdas totais de US$ 451 milhões.
No mesmo dia, o Irã ameaçou bloquear o Estreito de Bab el-Mandeb, passagem estratégica no Mar Vermelho responsável por 12% do petróleo transportado por via marítima. Com o petróleo ultrapassando US$ 103 o barril, investidores fugiram de ativos de risco.
Os ETFs de Ethereum registraram sua sétima sessão consecutiva de saídas líquidas, com US$ 92,5 milhões retirados apenas em 26 de março. No lado do Bitcoin, os ETFs spot perderam US$ 296 milhões na semana, com a BlackRock liderando as vendas através do IBIT.
Ethereum a 60% de sua máxima histórica
Com a cotação atual, o ETH já acumula queda de aproximadamente 60% em relação à sua máxima histórica. O ativo está sendo negociado bem abaixo das médias móveis de 50 e 200 dias, e o RSI (Índice de Força Relativa) entrou em território de sobrevenda — sinal que historicamente antecede repiques técnicos, mas não garante reversão de tendência.
O cenário macro também não ajuda. O Fed revisou a projeção de inflação PCE de 2026 de 2,4% para 2,7% na última reunião, empurrando as expectativas de corte de juros para mais longe. O rendimento do Treasury de 10 anos está próximo de 4,5%, e o dólar se fortaleceu 0,57% na semana — ambos fatores negativos para criptoativos.
O Fear & Greed Index do mercado cripto está em 23, sinalizando medo extremo. A última vez que o indicador esteve tão baixo foi no crash de fevereiro.
O que analistas esperam
Enquanto o cenário de curto prazo permanece bearish, alguns analistas veem a zona de US$ 1.800–2.000 como região de acumulação institucional. O recém-lançado ETF de Ethereum com staking da BlackRock (ETHB), que estreou com US$ 100 milhões em ativos, pode servir como catalisador de demanda assim que o sentimento de mercado se estabilizar.
Por outro lado, a persistência das saídas de ETFs de Ethereum — agora em oito semanas consecutivas de fluxo negativo — sugere que investidores institucionais estão reduzindo exposição ativamente, e não apenas realizando lucros.
O próximo nível crítico a ser observado é US$ 1.980. Se o ETH não conseguir recuperar os US$ 2.000 nos próximos dias, analistas preveem que a pressão vendedora pode se intensificar rumo aos US$ 1.800, onde está o próximo suporte estrutural relevante.
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





