A Coinbase habilitou depósitos e saques em rúpias via IMPS na Índia, permitindo que clientes locais acessem spot, futuros perpétuos e a interface Advanced em uma única plataforma. O movimento marca uma nova tentativa da exchange de crescer em um mercado gigante, agora com registro na FIU-IND e sob regras locais de compliance.
A Coinbase voltou a acelerar sua estratégia na Índia com uma peça central que faltava desde sua estreia problemática no país: trilhos bancários diretos em rúpias. A exchange informou que clientes indianos agora podem depositar e sacar INR via IMPS, rede de pagamentos instantâneos do país, e usar os fundos para negociar no mercado spot, em futuros perpétuos e na plataforma Advanced.
O anúncio importa porque a Índia segue como um dos mercados mais disputados para cripto no mundo, mesmo com impostos pesados e um ambiente regulatório exigente. Segundo a própria Coinbase, a operação está registrada na Financial Intelligence Unit da Índia, a FIU-IND, e foi estruturada para cumprir as regras locais aplicáveis a provedores de serviços de ativos digitais.
O que muda para usuários indianos
Na prática, o suporte a INR reduz a dependência de caminhos indiretos, como P2P ou intermediários, para entrar e sair do mercado cripto. A Coinbase afirma que os usuários poderão transferir rúpias de suas contas bancárias por IMPS, negociar ativos digitais e sacar de volta para o banco sem etapas adicionais.
A exchange também diz ter criado livros de ordem locais em INR, ao mesmo tempo em que mantém acesso à liquidez global da plataforma. Para traders mais ativos, a empresa destaca APIs, streaming de livro de ofertas via WebSocket, integração com TradingView e diferentes tipos de ordem na interface Advanced.
O retorno é especialmente simbólico porque a Coinbase já havia tentado operar depósitos em rúpias em 2022, usando UPI, mas suspendeu o recurso poucos dias depois. Na época, autoridades e parceiros de pagamento se distanciaram do uso da rede para cripto, o que deixou a operação local sem uma ponte bancária robusta.
Índia combina escala e atrito regulatório
A Índia aparece no topo do índice global de adoção cripto da Chainalysis de 2025, citada pelo Cointelegraph, à frente de mais de 150 países. O ranking considera fatores como atividade on-chain de varejo, uso de corretoras centralizadas, protocolos DeFi e volume de transações.
Esse tamanho explica por que grandes exchanges continuam tentando ganhar espaço no país. A Coinbase entra em uma arena já ocupada por nomes locais como CoinDCX, CoinSwitch, ZebPay e WazirX, além de concorrentes globais usados por indianos. A diferença, neste caso, é a oferta de trilhos bancários diretos em rúpias dentro de uma estrutura regulada.
O outro lado da história é que o mercado indiano segue caro para muitos investidores. O país mantém imposto de 30% sobre ganhos com vários ativos digitais e uma retenção de 1% na fonte em determinadas transações. Isso pode limitar frequência de negociação e reduzir apetite de usuários menores, mesmo quando o acesso bancário melhora.
Base e compliance entram na estratégia
A Coinbase também tenta vender a operação indiana como algo maior que uma simples expansão de exchange. A empresa afirma ter investido mais de US$ 1 milhão na comunidade local de builders por meio da Base, sua rede de segunda camada no Ethereum, incluindo hackathons, grants e fellowships.
Esse ponto conversa com movimentos recentes da empresa no ecossistema on-chain. O CriptoBR mostrou que a Base ligou ChatGPT e Claude a carteiras cripto via MCP, reforçando a aposta da Coinbase em infraestrutura para aplicações e agentes. Também cobrimos como AWS, Coinbase e Stripe avançaram em pagamentos cripto para IA, outra frente onde a empresa tenta transformar stablecoins e carteiras em infraestrutura de uso cotidiano.
Para o mercado, o recado é claro: a Coinbase quer se posicionar como uma porta regulada entre bancos, traders e aplicações on-chain em uma das maiores economias digitais do mundo. Para os usuários indianos, o teste será mais prático: se a combinação de acesso bancário, liquidez e compliance compensa os custos tributários e a concorrência local.
Também há uma leitura institucional. Como discutimos na cobertura sobre stablecoins e a reação de Wall Street aos números da Coinbase, a empresa vem tentando reduzir a dependência de ciclos puramente especulativos e ampliar fontes de receita ligadas a infraestrutura, pagamentos, custódia e mercados regulados. A Índia entra nessa tese como mercado de escala, mas com execução difícil.
Hillary Gonçalves cobre regulação cripto no Brasil, movimentações institucionais e adoção de stablecoins em real. Editora no CriptoBR desde 2026, acompanha o impacto das decisões do Banco Central e da CVM no mercado digital brasileiro.





