A Circle captou US$ 222 milhões em pré-venda do token ARC, avaliando a rede Arc em US$ 3 bilhões, com participação de BlackRock, Apollo, a16z crypto e outros investidores. A empresa também reportou alta de 28% no USDC em circulação e volume on-chain de US$ 21,5 trilhões no trimestre, reforçando a disputa por infraestrutura institucional de stablecoins.
A Circle levantou US$ 222 milhões em uma pré-venda do token ARC, avaliando a rede Arc em US$ 3 bilhões em valor totalmente diluído. A rodada teve participação de nomes de peso de Wall Street e do mercado cripto, incluindo BlackRock, Apollo Funds, a16z crypto, ARK Invest, Bullish, Haun Ventures, Intercontinental Exchange e Standard Chartered Ventures.
O movimento importa porque mostra a Circle tentando transformar o sucesso do USDC em uma infraestrutura própria para mercados financeiros on-chain. Segundo a empresa, o token ARC será usado como um “ativo nativo de coordenação” para governança, segurança de validadores e operação da rede Arc, uma blockchain desenhada para stablecoins, ativos tokenizados, liquidação internacional e finanças reguladas.
USDC cresce enquanto Circle mira infraestrutura própria
No balanço do primeiro trimestre de 2026, a Circle informou que o USDC em circulação chegou a US$ 77 bilhões, avanço de 28% na comparação anual. O volume de transações on-chain com USDC somou US$ 21,5 trilhões no período, alta de 263% frente ao mesmo trimestre do ano anterior.
A receita total e de reservas subiu 20%, para US$ 694 milhões, enquanto o Ebitda ajustado cresceu 24%, para US$ 151 milhões. O lucro líquido de operações continuadas, porém, caiu 15%, para US$ 55 milhões, pressionado por despesas maiores de remuneração em ações e investimentos em produto, distribuição e infraestrutura operacional.
A Arc já vinha sendo testada com instituições desde 2025. Como o CriptoBR mostrou na matéria sobre a testnet da Arc com apoio de grandes instituições, a proposta é criar uma camada mais adaptada a pagamentos, stablecoins e mercados de capitais do que redes públicas generalistas.
BlackRock, Apollo e Standard Chartered entram no radar
A presença de gestores e instituições tradicionais na pré-venda do ARC dá um sinal claro: a corrida por infraestrutura de stablecoins deixou de ser apenas uma disputa entre emissores de tokens. Agora, envolve bancos, gestoras, bolsas e provedores de tecnologia que buscam padrões para liquidação e produtos financeiros tokenizados.
Esse pano de fundo conversa com outras frentes recentes do mercado. Em março, o CriptoBR destacou que Treasuries tokenizados bateram recorde e colocaram Circle e BlackRock no centro da disputa. Mais recentemente, a integração entre JPMorgan, Ripple e Ondo mostrou como ativos tokenizados já estão sendo testados em liquidações entre blockchain pública e trilhos bancários.
Na prática, a Circle quer que a Arc seja uma espécie de camada operacional para esse novo mercado: uma rede em que USDC, ativos tokenizados, pagamentos cross-border e aplicações de agentes de IA possam circular com regras mais previsíveis para instituições.
O que muda para o mercado cripto
Para investidores, o ponto central é que a Circle está tentando reduzir sua dependência do USDC como produto isolado. Ao criar uma rede própria com token nativo, a empresa passa a disputar também a camada de infraestrutura — um espaço ocupado por Ethereum, Solana, redes de layer 2 e blockchains voltadas ao mercado institucional.
Isso não elimina riscos. A Arc ainda precisa provar tração real, atrair validadores, desenvolvedores e liquidez além do ecossistema da própria Circle. Também existe o desafio regulatório: stablecoins e tokenização estão cada vez mais no centro das discussões nos EUA, na Europa e em outros mercados.
Mesmo assim, a rodada de US$ 222 milhões indica que grandes investidores veem espaço para uma blockchain desenhada especificamente para dinheiro digital regulado. Se a tese avançar, stablecoins podem deixar de ser apenas “dólares on-chain” e passar a funcionar como base de uma infraestrutura financeira mais ampla.
Hillary Gonçalves cobre regulação cripto no Brasil, movimentações institucionais e adoção de stablecoins em real. Editora no CriptoBR desde 2026, acompanha o impacto das decisões do Banco Central e da CVM no mercado digital brasileiro.





