A Capital B recebeu aval dos acionistas para criar até €105 bilhões em capacidade financeira ligada à sua estratégia de tesouraria em Bitcoin. O plano não significa compra imediata, mas dá à empresa espaço para emitir ações e instrumentos de dívida enquanto busca aumentar o Bitcoin por ação totalmente diluída.
A Capital B, empresa listada na Euronext Growth Paris e antes conhecida como The Blockchain Group, recebeu aprovação dos acionistas para abrir uma capacidade financeira de até €105 bilhões, cerca de US$ 120 bilhões, em uma estrutura voltada à sua estratégia de acúmulo de Bitcoin.
O sinal é relevante porque coloca uma companhia europeia em posição formal para ampliar sua tesouraria em BTC em escala muito acima do que já foi captado até agora. Ao mesmo tempo, a autorização também acende um ponto de atenção para acionistas: se usada integralmente, a emissão de novas ações pode causar forte diluição.
O que foi aprovado
De acordo com o comunicado divulgado pela Capital B, a assembleia aprovou uma capacidade máxima de €5 bilhões em aumentos de capital, o equivalente a até 125 bilhões de novas ações considerando o valor nominal atual de €0,04 por ação.
Os acionistas também autorizaram até €100 bilhões em instrumentos de crédito. A companhia afirma que esses mecanismos estão alinhados à estratégia de “Bitcoin Treasury Company”, com foco em aumentar o número de bitcoins por ação totalmente diluída ao longo do tempo.
Segundo a Capital B, mais de 95% dos votos apoiaram as resoluções. A empresa também confirmou a mudança do nome corporativo de The Blockchain Group para Capital B, aproximando a identidade jurídica da marca usada comercialmente desde 2025.
Autorização não é compra imediata
A aprovação não significa que a Capital B comprará US$ 120 bilhões em Bitcoin de uma vez. Na prática, ela cria uma prateleira de instrumentos que podem ser usados conforme mercado, preço da ação, demanda por crédito e condições para levantar capital.
Essa diferença importa para o leitor porque empresas de tesouraria em Bitcoin dependem de uma equação delicada: captar dinheiro de forma eficiente, comprar BTC e fazer com que a exposição por ação cresça mais do que a diluição causada pelas emissões.
O modelo ganhou visibilidade com a Strategy, de Michael Saylor, mas também vem sendo observado com mais cautela. Como o CriptoBR mostrou na matéria sobre a defesa de Saylor à venda de Bitcoin pela Strategy, a gestão de caixa e alavancagem virou parte central da discussão sobre companhias que adotam BTC como reserva.
Por que o mercado acompanha
A Capital B se apresenta como uma das principais tesourarias corporativas de Bitcoin da Europa. O Cointelegraph, citando dados de Bitcoin Treasuries, informou que a companhia detém 3.139 BTC, avaliados em cerca de US$ 200 milhões no momento da publicação da reportagem.
Mesmo longe dos maiores nomes globais, o caso chama atenção por mostrar que a tese de Bitcoin em balanço continua avançando fora dos Estados Unidos. Essa leitura se conecta ao movimento institucional mais amplo, que também aparece em produtos de mercado, como o ETF de renda com Bitcoin preparado pela BlackRock para a Nasdaq.
Para investidores, a pergunta principal não é apenas quanto Bitcoin a Capital B poderá comprar, mas em quais condições. Se a companhia levantar capital com prêmio relevante sobre o valor de seus ativos, a operação pode aumentar o BTC por ação. Se captar em condições ruins, o efeito pode ser o oposto.
Contexto para o Bitcoin
O anúncio chega em um momento de mercado mais defensivo. O Bitcoin recuou após a leitura de juros do Federal Reserve reduzir as apostas de cortes nos EUA, como o CriptoBR destacou ao mostrar que o Bitcoin caiu após o Fed esfriar expectativas de corte nos juros.
Nesse ambiente, autorizações corporativas de longo prazo funcionam menos como gatilho imediato de preço e mais como sinal de demanda potencial. A Capital B agora tem permissão para construir uma estrutura agressiva de financiamento, mas o impacto real dependerá de execução, timing e apetite do mercado por novas ações ou dívida ligada à tese do Bitcoin.
Hillary Gonçalves cobre regulação cripto no Brasil, movimentações institucionais e adoção de stablecoins em real. Editora no CriptoBR desde 2026, acompanha o impacto das decisões do Banco Central e da CVM no mercado digital brasileiro.





