A cesta de ações e ETFs ligados à China tokenizados pela Ondo na BNB Chain cresceu 2.850% em valor de mercado em 2026, segundo dados da Dune citados pelo RWA Times. O avanço reforça a disputa entre redes por ativos do mundo real e mostra que a BNB Chain já concentra a maior parte desse nicho entre BNB e Ethereum.
A BNB Chain ganhou um novo sinal de tração no mercado de ativos do mundo real (RWA): uma cesta de ações e ETFs ligados à China tokenizados pela Ondo Global Markets saltou de US$ 316 mil para US$ 9,3 milhões em valor de mercado desde 1º de janeiro, alta de 2.850% no ano.
Os números, baseados em dados da Dune citados pelo RWA Times e pelo MKN Crypto, importam porque mostram a tokenização saindo do discurso institucional e chegando ao uso em DEXs. A BNB Chain já havia aparecido no radar do CriptoBR com a chegada da xStocks e suas ações tokenizadas, mas agora o recorte de papéis chineses mostra crescimento acelerado em uma cesta específica.
O que está sendo tokenizado
A cesta da Ondo reúne 11 ADRs e ações comuns de empresas chinesas conhecidas, incluindo Alibaba, Baidu, Bilibili, JD.com, Li Auto, NIO, NetEase, Pinduoduo e Trip.com. Também entram dois ETFs focados em China negociados nos EUA: o iShares China Large-Cap ETF (FXI) e o KraneShares CSI China Internet ETF (KWEB).
Na prática, esses produtos permitem exposição on-chain a ativos tradicionais. Eles não tornam a BNB Chain uma bolsa de valores, mas criam representações tokenizadas que podem circular em aplicações de DeFi, abrir liquidez fracionada e, em alguns casos, servir como base para integrações com protocolos de crédito ou estratégias automatizadas.
Segundo os dados citados, o pico da cesta veio em abril, quando o valor de mercado chegou a US$ 11,1 milhões. O número recuou para US$ 9,3 milhões em 4 de maio, mas ainda mantém crescimento expressivo no acumulado do ano.
Volume em DEXs concentra força na BNB Chain
O crescimento não ficou restrito ao valor de mercado. A quantidade acumulada de holders subiu 2.200% em 2026, de 370 para 8.466 carteiras. Março foi o mês mais forte em volume em DEXs na BNB Chain, com US$ 46,7 milhões negociados para a cesta.
Esse volume respondeu por 99% do total do cluster China entre as redes analisadas naquele mês. Desde o lançamento, o volume acumulado em DEXs do grupo chegou a US$ 150 milhões, com cerca de 93% passando pela BNB Chain.
A rede também passou a liderar a participação de mercado da cesta entre BNB Chain e Ethereum. A fatia chegou a 56,9% do valor de mercado total em EVMs, depois de sair de 0% em outubro de 2025. Em meados de abril, a participação chegou a tocar 62,7%.
Por que isso importa para o mercado RWA
O avanço reforça uma tendência que o CriptoBR acompanha há meses: a disputa para levar instrumentos tradicionais para trilhos blockchain. Em outra frente, a DTCC já prepara ativos tokenizados para Wall Street, enquanto gestoras e bancos testam fundos, títulos e produtos de renda fixa em redes públicas e privadas.
No caso da BNB Chain, o atrativo está na base de usuários, no custo de transação e na integração com DeFi. A presença de produtos como BUIDL, da BlackRock, USYC, da Circle, Franklin Templeton Benji e outros ativos tokenizados ajuda a colocar a rede no mapa institucional, embora o mercado ainda seja pequeno perto das finanças tradicionais.
Dados da RWA.xyz citados nas reportagens indicam que a BNB Chain tem cerca de US$ 3,96 bilhões em valor distribuído de ativos reais, alta de 12% em 30 dias, além de quase 50 mil holders de RWA. O número ainda fica atrás da escala de Ethereum em várias categorias, mas a velocidade de crescimento chama atenção.
Risco regulatório continua no centro
Apesar do avanço, ações tokenizadas continuam em uma área sensível. A negociação desses instrumentos depende de estrutura jurídica, custódia dos ativos subjacentes, regras de acesso por jurisdição e clareza sobre quem pode comprar ou vender. Para o investidor comum, o risco não está só no preço do ativo, mas também no emissor, na liquidez e na conformidade regulatória.
Esse ponto é especialmente relevante porque a tokenização de ações vem ganhando espaço justamente quando reguladores avaliam como enquadrar produtos que replicam ativos financeiros tradicionais dentro de blockchains. Como já ocorreu com o pedido da NYSE para negociar ações tokenizadas nos EUA, a ponte entre mercado tradicional e cripto tende a depender menos de hype e mais de permissões, auditoria e infraestrutura.
Para a BNB Chain, a leitura é positiva, mas não definitiva. O salto de 2.850% mostra apetite por RWA e reforça a rede como uma candidata forte para tokenização em escala. O próximo teste será transformar crescimento pontual em liquidez recorrente, com produtos que sobrevivam a ciclos de mercado e a maior pressão regulatória.
Hillary Gonçalves cobre regulação cripto no Brasil, movimentações institucionais e adoção de stablecoins em real. Editora no CriptoBR desde 2026, acompanha o impacto das decisões do Banco Central e da CVM no mercado digital brasileiro.





