A Bitget Wallet lançou a PayFi Odyssey na rede Stellar, com US$ 300 mil em incentivos para estimular pagamentos com cartão cripto, QR code e transferências on-chain. A iniciativa mira Ásia, África e América Latina, onde stablecoins ganham uso prático fora das mesas de trading.
A Bitget Wallet e a Stellar deram mais um passo para levar stablecoins ao uso cotidiano em mercados emergentes. A carteira anunciou a PayFi Odyssey, uma campanha em fases que combina cartões cripto, pagamentos por QR code e transferências on-chain, com um programa de US$ 300 mil em recompensas para usuários até julho.
O foco está em Ásia, África e América Latina, regiões onde pagamentos móveis e remessas digitais avançam mais rápido do que a infraestrutura bancária tradicional em muitos mercados. Segundo o comunicado da Bitget Wallet, a ideia é atacar uma lacuna importante: stablecoins já movimentam volumes gigantescos, mas ainda são usadas principalmente para trading e transferências de alto valor, não para compras diárias.
Stablecoins tentam sair do atacado
A empresa cita dados do setor indicando que o volume de transações com stablecoins chegou a cerca de US$ 35 trilhões em 2025, mas apenas cerca de 1%, ou aproximadamente US$ 390 bilhões, estaria ligado a pagamentos por bens, serviços e transferências. O restante continua concentrado em operações de mercado, tesouraria, arbitragem e movimentações de grande porte.
Esse é o ponto central da PayFi Odyssey. A campanha busca testar uso recorrente em situações simples: pagar com cartão cripto, escanear um QR code ou transferir valor diretamente pela carteira. A distribuição das recompensas será baseada em atividade e engajamento, enquanto uma ação chamada “Crypto Survival Plan” pretende registrar como usuários gastam, enviam e administram cripto em contextos reais de diferentes regiões.
O movimento conversa com uma tendência que o CriptoBR vem acompanhando nas últimas semanas. Em stablecoins superando reservas de 95 países, o dado reforçou o tamanho macroeconômico desse mercado. Já em Oobit e a tese de um Pix global em stablecoins, a América Latina apareceu como campo de teste para pagamentos cripto de baixo atrito.
Por que a Stellar entra nessa conta
A Stellar aparece como uma das redes de liquidação dentro da chamada Onchain Payments Matrix da Bitget Wallet. Essa camada conecta blockchains, bancos e redes de pagamento para facilitar liquidação em stablecoins. Na prática, a rede não é apresentada como trilho exclusivo, mas como parte de uma arquitetura multichain voltada a pagamentos rápidos e baratos.
Raja Chakravorti, diretor de negócios da Stellar Development Foundation, afirmou no anúncio que a rede foi desenhada para transações financeiras rápidas e de baixo custo em escala global. Alvin Kan, COO da Bitget Wallet, também destacou que a meta é aproximar ativos digitais do “último quilômetro” do uso diário, conectando sistemas de pagamento hoje fragmentados.
A aposta faz sentido porque o gargalo das stablecoins não é apenas liquidez. Para o usuário comum, a pergunta principal é se o ativo resolve uma necessidade concreta: comprar, receber, enviar dinheiro ou proteger poder de compra sem depender de múltiplos intermediários. Sem aceitação, experiência simples e algum tipo de ponte com o comércio local, o volume on-chain continua parecendo grande no gráfico, mas distante da vida cotidiana.
LATAM fica no centro da disputa
A América Latina aparece de novo como laboratório natural para esse tipo de produto. A região combina alta adoção de pagamentos instantâneos, moedas locais mais frágeis em alguns países e demanda por ferramentas de remessa e dólar digital. Por isso, iniciativas de wallets, cartões e QR payments tendem a mirar usuários que já entendem a lógica de dinheiro móvel, mesmo que ainda não usem cripto todos os dias.
O desafio é transformar campanha em hábito. Recompensas ajudam a gerar tração inicial, mas o teste real virá depois: se os pagamentos continuarem acontecendo quando os incentivos caírem. Como mostrou o avanço de pilotos de stablecoins em grandes redes como a Visa, o setor está tentando sair da fase de demonstração e provar que cripto pode competir como infraestrutura de pagamento.
Para holders de XLM e usuários de stablecoins, a notícia não significa garantia de valorização ou adoção em massa. Mas mostra que a disputa por pagamentos reais está ficando mais prática e menos teórica. Em vez de vender apenas a ideia de uma nova rede financeira, projetos agora precisam provar que conseguem fazer o usuário pagar uma conta, comprar no comércio e enviar dinheiro com menos atrito do que as alternativas atuais.
Hillary Gonçalves cobre regulação cripto no Brasil, movimentações institucionais e adoção de stablecoins em real. Editora no CriptoBR desde 2026, acompanha o impacto das decisões do Banco Central e da CVM no mercado digital brasileiro.





