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Home Oobit

Oobit quer transformar stablecoins em Pix global — e a LATAM é o campo de teste

Mauro Andrade by Mauro Andrade
maio 15, 2026
in Oobit
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Banner editorial CriptoBR cobrindo Oobit lançamento na América Latina com integração Visa/Mastercard
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A Oobit anunciou nesta quinta-feira (14) sua chegada à Colômbia, em um movimento que reforça uma tese cada vez mais difícil de ignorar: na América Latina, stablecoin deixou de ser apenas reserva de emergência e está virando trilho de pagamento do dia a dia.

Segundo a própria empresa, a Colômbia passa a ser seu 9º mercado ativo. O país movimentou cerca de US$ 44 bilhões em volume cripto no último ano, com mais de 50% desse fluxo em stablecoins. O dado importa porque mostra que o uso de dólar digital na região não é mais só proteção contra desvalorização cambial. Ele começa a encostar no caixa do comércio, no cartão corporativo e no pagamento invisível por trás de redes tradicionais.

O que é a Oobit

A Oobit é uma fintech de pagamentos cripto fundada em Singapura, em 2017, por Amram Adar e Aharon Miller. A proposta é permitir que usuários gastem criptoativos e stablecoins em experiências parecidas com Apple Pay ou Tap & Pay, conectando wallets como MetaMask, Trust Wallet, Phantom e Binance Wallet.

A diferença central é que o lojista não precisa “aceitar cripto”. Na prática, ele continua recebendo moeda fiduciária pelos trilhos de Visa ou Mastercard, enquanto o usuário liquida o pagamento com cripto ou stablecoin por trás da interface. É uma promessa simples, mas relevante: transformar saldo em wallet em poder de compra sem obrigar o comércio local a entender blockchain.

Stablecoin saiu do cofre e entrou no balcão

Durante boa parte dos últimos ciclos, stablecoins foram tratadas como refúgio: uma forma de sair da volatilidade do Bitcoin, proteger capital em dólar ou manter caixa parado em exchanges. Na América Latina, esse uso continua existindo, mas ficou incompleto.

Brasil, Argentina, Chile e agora Colômbia aparecem no rollout da Oobit porque a região tem uma combinação rara: moedas locais sob pressão em vários mercados, alto uso de dólar digital, população familiarizada com pagamentos instantâneos e uma distância ainda grande entre possuir cripto e gastar cripto.

O ponto editorial aqui não é que a Oobit “resolveu” adoção. É mais específico: ela aposta que a próxima fase das stablecoins não será parecer DeFi degen, mas parecer um cartão comum. A blockchain fica no fundo; o recibo, a maquininha e o lojista continuam falando a língua do sistema financeiro tradicional.

A trilha LATAM: Brasil, Argentina, Chile e Colômbia

A Colômbia não aparece isolada nessa estratégia. Antes dela, a Oobit já vinha reforçando presença na América Latina com Brasil, Argentina e Chile. Em 31 de março, a empresa anunciou disponibilidade no Chile, citando usuários locais, volume on-chain e gasto em merchants que aceitam Visa como parte do pacote.

Em março, a companhia também lançou o Oobit Business, uma stack voltada a empresas com cartões corporativos, folha de pagamento, pagamentos a fornecedores, tesouraria em stablecoins e integração com trilhos como SEPA, ACH e PIX. Para o público brasileiro, esse detalhe é importante: a tese não é só “cartão cripto para consumidor”, mas uma tentativa de conectar saldo em stablecoin com rotinas financeiras reais.

Outro lançamento relevante foi o Plug and Pay, apresentado em janeiro, que permite a wallets habilitarem pagamentos Visa dentro do próprio app. A integração com a Phantom foi citada como acesso potencial a mais de 15 milhões de usuários. Em outras palavras, a Oobit tenta vender infraestrutura para que wallets virem interfaces de gasto, sem cada uma precisar reconstruir emissão, liquidação, KYC, AML e risco do zero.

https://x.com/oobit/status/2054933266478641437

O peso da Tether na história

Um dos números que mais importam nessa pauta não está no anúncio da Colômbia, mas no cap table. Em fevereiro de 2024, a Oobit levantou US$ 25 milhões em uma rodada Series A liderada pela Tether, com participação de investidores como CMCC Global.

Isso muda a leitura do projeto. A Tether não é apenas uma investidora financeira qualquer: ela tem interesse direto em transformar USDT e outros dólares digitais em instrumentos de uso cotidiano. Se a stablecoin já domina boa parte do volume cripto em mercados emergentes, falta transformar esse saldo em pagamento aceito no mundo real. A Oobit tenta ocupar esse “último metro”.

A empresa também cita alcance de até 150 milhões de merchants que aceitam Visa em mais de 100 países em materiais recentes. Esse número deve ser lido com cuidado: não significa que 150 milhões de lojas “aceitam cripto”. Significa que, se o arranjo funcionar na ponta do usuário, o pagamento pode ser roteado por redes já aceitas por esses estabelecimentos.

Por que isso importa para o brasileiro

Para quem vive no Brasil, a comparação inevitável é com o Pix. O Pix mudou comportamento porque reduziu fricção: pagar ficou instantâneo, barato e universal. Stablecoins ainda não chegaram perto disso como experiência de consumo local, mas a ambição de produtos como Oobit é criar uma espécie de “Pix global” usando dólar digital, wallets e cartões por trás.

Esse modelo é menos ideológico do que muita gente no cripto gostaria, porque depende de Visa, Mastercard, KYC e parceiros regulados. Mas talvez justamente por isso tenha mais chance de entrar na vida real: a adoção começa quando a experiência funciona sem explicação longa.

Os riscos que não cabem no marketing

Há riscos claros. O primeiro é a dependência de trilhos tradicionais. Se a experiência final depende de redes como Visa e Mastercard, a promessa de liberdade financeira fica limitada por regras de compliance, geografia, emissores, bloqueios e disponibilidade local.

O segundo é KYC. Pagamento cotidiano exige prevenção a fraude, AML e identificação. Isso coloca a Oobit mais perto de uma fintech regulada do que de uma aplicação DeFi permissionless. Para alguns usuários, essa troca faz sentido; para outros, reduz parte da proposta original de autocustódia.

O terceiro é custo. Spread, conversão cripto-fiat e tributação local podem transformar uma experiência elegante em algo caro. Também faltam dados públicos mais robustos de uso real: volume transacionado, usuários ativos, retenção e divisão por país ainda aparecem menos do que números de alcance potencial.

Take CriptoBR

A expansão da Oobit para a Colômbia é menos sobre um app específico e mais sobre uma mudança de estágio das stablecoins na América Latina. O dólar digital já servia como proteção, caixa e ponte entre exchanges. Agora, a disputa é por transformar esse saldo em consumo invisível.

Essa é a contradição mais interessante: para cripto chegar ao cotidiano, talvez precise aparecer menos. A stablecoin pode virar infraestrutura justamente quando o usuário para de pensar nela como investimento e começa a usá-la como dinheiro programável, portátil e gasto em qualquer lugar onde o cartão já passa.

Fontes: Oobit Newsroom, publicação oficial da Oobit no X, release da Tether sobre a rodada Series A de US$ 25 milhões e materiais públicos sobre Oobit Business, Plug and Pay, Phantom e expansão na América Latina.

Mauro Andrade
Mauro Andrade

Mauro Andrade cobre cripto internacional, geopolítica digital e mercado global no CriptoBR. Acompanha movimentos regulatórios nos EUA, Europa e Ásia, adoção institucional por grandes players (BlackRock, Fidelity, JPMorgan) e o impacto geopolítico das criptomoedas no cenário financeiro mundial.

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Tags: LATAMOobitpagamentosstablecoinTetherUSDTVisa
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