O Bitcoin voltou a ultrapassar os US$ 70 mil nesta segunda-feira pela primeira vez desde 25 de março, impulsionado por relatos de negociações de cessar-fogo entre EUA e Irã. A alta liquidou mais de US$ 270 milhões em posições short e reacendeu o apetite por risco nos mercados.
O Bitcoin (BTC) disparou mais de 3% nesta segunda-feira (6), voltando ao patamar de US$ 70.000 pela primeira vez em quase duas semanas. O movimento foi impulsionado por relatos da Axios de que Estados Unidos e Irã estão discutindo um possível cessar-fogo de 45 dias, o que reacendeu o apetite por ativos de risco em todo o mundo.
A alta foi rápida e intensa: o BTC saltou de cerca de US$ 66.800 para US$ 69.500 em apenas duas horas, gerando um short squeeze que liquidou mais de US$ 270 milhões em posições vendidas, segundo dados da CoinGlass.
https://x.com/CoinDesk/status/1908819045230481685
O “Acordo de Islamabad” e o impacto nos mercados
Segundo a Bloomberg, o Paquistão estaria mediando o que está sendo chamado de “Acordo de Islamabad”. O plano prevê um cessar-fogo imediato e a reabertura do Estreito de Ormuz, rota marítima vital para o comércio global de petróleo.
A notícia derrubou os preços do petróleo e enfraqueceu o índice do dólar (DXY), criando um ambiente favorável para ativos de risco como criptomoedas e ações. Os futuros dos índices acionários americanos também subiram.
No entanto, o mercado ainda trata os relatos com ceticismo. No Polymarket, as chances de um cessar-fogo até o fim de abril estão em apenas 28%, subindo para 55% até junho e 76% até dezembro. Trump, apesar de dar mais tempo para a diplomacia, mantém ameaças de escalada.
Morgan Stanley e o ETF que pode mudar o jogo
Além da geopolítica, outro catalisador contribuiu para a alta: a Morgan Stanley lança nesta quarta-feira (8) seu ETF de Bitcoin spot com taxa de apenas 0,14% — a mais baixa do mercado, abaixo até dos 0,25% cobrados pelo IBIT da BlackRock.
O fundo abre as portas dos US$ 6,2 trilhões em ativos sob gestão do banco para exposição direta ao Bitcoin. Analistas apontam que a entrada de um banco de Wall Street desse porte pode estabelecer um piso de preço próximo a US$ 67.000.
Como reportamos na matéria sobre os ETFs de Bitcoin captando US$ 1,32 bilhão, o interesse institucional segue forte apesar da volatilidade geopolítica. A BlackRock acumulou US$ 3,1 bilhões em BTC durante o período de maior pânico.
Derivativos apontam otimismo cauteloso
Os dados de derivativos reforçam o viés de alta. O open interest em Bitcoin e Ethereum subiu 7% e 11%, respectivamente, superando os ganhos no mercado spot — sinal de entrada de capital novo.
As taxas de funding estão positivas para BTC e ETH, além de altcoins como ADA, AVAX e LINK, que registram aumentos de dois dígitos em open interest.
Porém, o mercado de opções mantém cautela: as puts de US$ 60.000 e calls de US$ 80.000 são as apostas mais populares na Deribit, cada uma com US$ 1,4 bilhão em open interest. Isso define uma faixa de tensão entre US$ 60.000 e US$ 80.000, e a volatilidade pode acelerar caso o preço rompa qualquer extremo.
O que esperar
O cenário para o Bitcoin combina dois catalisadores poderosos: a possível redução das tensões geopolíticas e a entrada de mais peso institucional via ETFs. Se o cessar-fogo se concretizar e a Morgan Stanley atrair fluxo relevante, o caminho para os US$ 72.000-78.000 fica mais viável.
No curto prazo, porém, a volatilidade segue garantida. O conflito no Oriente Médio pode escalar a qualquer momento, e o Fed deve manter juros inalterados na próxima reunião. Traders devem monitorar de perto os desdobramentos diplomáticos e os dados de fluxo dos ETFs.
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





