O Bitcoin voltou a negociar acima de US$ 78 mil nesta quarta-feira, impulsionado pela extensão da trégua entre EUA e Irã e pela nova compra bilionária da Strategy. O movimento reforça o apetite por risco no curto prazo, mas o mercado ainda acompanha petróleo, juros e a resistência técnica em US$ 80 mil.
O Bitcoin voltou a ganhar força nesta quarta-feira (22) e superou a faixa de US$ 78 mil, em um movimento que recolocou o ativo no radar dos traders após semanas de consolidação. A alta veio junto com uma melhora no humor global, depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que vai estender por tempo indeterminado a trégua com o Irã..
Ao mesmo tempo, a Strategy informou em formulário 8-K que comprou 34.164 BTC por cerca de US$ 2,54 bilhões, sua maior aquisição de Bitcoin em 17 meses. A combinação entre alívio geopolítico e demanda institucional ajudou a sustentar o avanço da principal criptomoeda do mercado.
Trégua geopolítica e compra bilionária ajudam o rali
Segundo dados reportados pela CoinDesk, o Bitcoin chegou a negociar acima de US$ 78 mil após subir cerca de 2,2% em 24 horas. Ether, BNB e Solana também avançaram, sinal de que a recuperação não ficou restrita ao BTC e se espalhou por parte relevante do mercado cripto.
O gatilho macro veio da extensão da trégua entre EUA e Irã, que reduziu parte da aversão ao risco observada nos últimos dias. Ainda assim, o cenário segue longe de estar resolvido, já que o mercado continua monitorando a situação no Estreito de Hormuz e o impacto do petróleo elevado sobre inflação e juros.
No lado corporativo, a Strategy reforçou sua tese agressiva de acumulação. Em documento divulgado pela empresa, a companhia afirmou que agora detém 815.061 BTC, comprados por aproximadamente US$ 61,56 bilhões, com preço médio de US$ 75.527 por unidade. Com o Bitcoin acima desse nível, a posição voltou a ficar levemente no lucro.
O movimento institucional dialoga com outros sinais recentes de apetite por exposição ao setor. Como mostramos na matéria sobre o ETF da GSR com Bitcoin, Ether e Solana, gestores seguem tentando capturar a retomada do interesse por ativos digitais. Antes disso, o site também reportou que os ETFs de Bitcoin voltaram a registrar entradas fortes, outro sinal de recomposição de fluxo.
US$ 80 mil vira próxima zona de atenção
Além da notícia geopolítica e da compra da Strategy, a estrutura técnica também melhorou. A CoinDesk destacou que o Bitcoin passou a se sustentar acima de níveis observados por traders de momentum, enquanto dados da CryptoQuant indicam que o preço segue acima da faixa de custo dos holders de curto prazo, perto de US$ 69,4 mil.
Na prática, isso reduz a pressão imediata de venda por parte de investidores recentes e pode abrir espaço para novas compras, caso o mercado confirme força acima dos níveis atuais. Por outro lado, a região de US$ 80 mil tende a funcionar como a próxima barreira importante no curto prazo.
Se o BTC perder a faixa de US$ 75 mil, o mercado pode interpretar que a trégua e a compra da Strategy já foram totalmente precificadas. Se o rompimento continuar, o ativo ganha argumento para buscar patamares mais altos e reacender a discussão sobre continuidade do rali. Esse pano de fundo também conversa com a percepção institucional vista na pesquisa recente da Nomura sobre compra de cripto nos próximos três anos.
Por enquanto, o recado do mercado é claro: o Bitcoin voltou a reagir bem a sinais de alívio macro, mas a sustentação do movimento ainda depende de fluxo, contexto geopolítico e da capacidade de o preço transformar US$ 78 mil em suporte nas próximas sessões.
Mauro Andrade cobre cripto internacional, geopolítica digital e mercado global no CriptoBR. Acompanha movimentos regulatórios nos EUA, Europa e Ásia, adoção institucional por grandes players (BlackRock, Fidelity, JPMorgan) e o impacto geopolítico das criptomoedas no cenário financeiro mundial.





