Basf do Brasil lança token próprio na mesma blockchain do Real Digital do Banco Central

Usando a mesma plataforma que o Banco Central do Brasil escolheu para os primeiros testes do Real Digital, o Hyperledger Besu, a Basf do Brasil, em parceria com o Grupo Solví, está lançando o token reciChain, o token está ligado a uma tonelada de algum tipo de resíduo sólido reciclável.

A ideia é criar uma ponte entre a cadeia da logística reversa e as empresas que podem usar matéria-prima reaproveitada na produção. Segundo reportagem do Valor, a empresa quer vender o reciChain para empresas que possuem metas de uso de reciclagem, algo como os tokens de crédito de carbono.

Com o dinheiro recebido com a venda dos tokens, a Basf seguirá investindo em iniciativas de economia circular. Os primeiros tokens do reciChain estão ligados à construção da Unidade de Triagem de Resíduo Sólido Urbano de Caieiras, em São Paulo. A planta é uma das dez que fazem parte do programa estruturante do Solví.

O reciChain tem um componente fungível, porque funciona como moeda em compras e vendas de unidades do criptoativo, e outro não fungível, pois cada token terá escrito no seu smart contract a que tonelada de material ele está atrelado e a origem desse material.

Segundo Fernando Henrique Diniz, responsável por economia circular e modelos de negócios da Basf, a ideia para o token surgiu da leitura de uma pesquisa da Abrelpe segundo a qual o Brasil gera mais de 80 milhões de toneladas de lixo por ano e recicla menos de 4% disso.

“Quando olhamos para a cadeia de consumo, um dos pontos que contribuem é a falta de infraestrutura no elo de triagem. Dentro da cadeia de reciclagem, a triagem é quem pega o lixo e separa o que é plástico, vidro etc”, destaca. “Hoje em dia, cada vez mais e mais se exige conteúdo reciclável em embalagens e materiais diversos. A demanda tende a aumentar muito.”

Tokenização

A tecnologia blockchain foi escolhida para a solução por sua capacidade de viabilizar uma ponte entre a cadeia da logística reversa e as empresas que podem usar matéria-prima reaproveitada na produção.

“Montamos uma plataforma blockchain e ela faz a conexão entre programas estruturantes, que são grupos, pessoas ou empresas que possuem projetos de infraestrutura, com quem quer que os materiais voltem para a cadeia produtiva. A conexão se dá por meio de tokens digitais”, aponta Diniz.

A emissão dos tokens ainda não ocorreu e depende da primeira empresa fazer o investimento nos tokens para comprar toneladas do material que deseja recuperar. Para a Basf, a criação do reciChain é um passo importante para o setor de ESG, uma vez que a economia circular é um dos pilares da sustentabilidade.

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