A VanEck voltou a defender que a BNB Chain tem um caso de investimento mais concreto que redes baseadas apenas em promessas técnicas. A gestora destaca usuários ativos, stablecoins, DeFi e RWAs como pilares do ETF VBNB, mas o produto ainda começou pequeno e carrega riscos relevantes.
A VanEck colocou a BNB Chain no centro da disputa por ETFs cripto nos Estados Unidos ao defender que o valor da rede vem menos de narrativa e mais de uso mensurável. Em entrevista ao CoinDesk, Kyle DaCruz, diretor de produtos de ativos digitais da gestora, afirmou que a tese do BNB se apoia em atividade real, receita e demanda por infraestrutura on-chain.
O argumento chega poucas semanas depois do lançamento do VBNB, primeiro ETF spot de BNB listado nos EUA pela VanEck. Segundo o CoinDesk, o fundo ainda soma cerca de US$ 2 milhões em ativos, número pequeno perto dos gigantes de Bitcoin, mas relevante por abrir uma nova frente: a tentativa de vender exposição a uma blockchain com uso cotidiano em DeFi, stablecoins e ativos tokenizados.
VanEck tenta diferenciar BNB de outras narrativas cripto
A mensagem central da gestora é simples: em um mercado cheio de blockchains prometendo escala futura, a BNB Chain já teria métricas de uso para sustentar a conversa institucional. O material da VanEck sobre o tema descreve a rede como uma das maiores do mundo por usuários e atividade on-chain, com transações baratas, liquidação rápida e presença relevante em pagamentos, jogos, stablecoins e DeFi.
Nos dados apresentados pela própria VanEck, a BNB Chain aparece com cerca de 15 milhões de transações diárias médias, custo médio de transação próximo de US$ 0,03 em um ano e mais de US$ 5 bilhões em valor total bloqueado. A gestora também aponta cerca de 3,6 milhões de usuários ativos diários em média de sete dias em 7 de junho de 2026.
Esse recorte conversa com uma pauta que o CriptoBR já vem acompanhando. A rede apareceu recentemente em matéria sobre os US$ 3,6 bilhões em RWAs na BNB Chain e também ganhou destaque quando a VanEck lançou o primeiro ETF spot de BNB nos EUA. Agora, a gestora tenta explicar por que esse produto não seria apenas mais um ETF de altcoin.
Stablecoins, DeFi e RWAs entram na tese
Um dos pontos mais fortes do discurso da VanEck está nas stablecoins. O relatório da gestora cita US$ 17,16 bilhões em valor de mercado de stablecoins na BNB Chain, 69,22 milhões de holders e US$ 234 bilhões em volume de transferência em 30 dias, com base em dados da rwa.xyz de março. A leitura é que stablecoins funcionam como trilhos de liquidação e podem gerar demanda recorrente por blockspace.
No DeFi, a VanEck destaca uma base de empréstimos de US$ 1,82 bilhão, com Venus, Lista e Aave V3 entre os principais protocolos. A gestora também argumenta que a BNB Chain oferece alguns dos menores custos de tomada de stablecoins entre grandes redes, citando taxas de 3,77% para USDC e cerca de 3,85% para USDT no recorte do material.
O tema também se conecta à tokenização de ativos do mundo real. Segundo a apresentação da VanEck, a BNB Chain tinha mais de US$ 3,4 bilhões em ativos tokenizados e aparecia como a segunda maior rede nesse recorte, atrás apenas do Ethereum. Esse avanço ocorre em um momento em que o mercado institucional amplia testes com recibos, fundos tokenizados e infraestrutura on-chain, como visto na movimentação recente do Citi com recibos tokenizados.
O risco ainda é parte central da história
Apesar do tom otimista, a própria VanEck deixa claro que o VBNB é um produto de risco elevado. O ETF não é registrado como fundo tradicional sob o Investment Company Act de 1940, não tem as mesmas proteções de fundos mútuos e sua performance depende diretamente do preço do BNB, que pode cair com força em ciclos de aversão a risco.
Outro ponto sensível é a ligação do BNB com o ecossistema Binance. A documentação da VanEck alerta que eventos regulatórios, legais ou reputacionais envolvendo a Binance podem afetar materialmente o valor das cotas. O fundo também não faz staking no lançamento, embora possa avaliar essa possibilidade no futuro, sujeito a riscos operacionais, regulatórios e fiscais.
Para o investidor brasileiro, o ganho da notícia não é uma recomendação de compra, mas um sinal de como a competição entre ETFs cripto está mudando. Depois da primeira onda focada em Bitcoin e Ethereum, emissores começam a buscar narrativas mais específicas: redes com usuários, stablecoins, receita, RWAs e DeFi. A BNB Chain quer ocupar esse espaço com dados de uso real; o mercado ainda precisa decidir se isso basta para atrair capital institucional em escala.
Hillary Gonçalves cobre regulação cripto no Brasil, movimentações institucionais e adoção de stablecoins em real. Editora no CriptoBR desde 2026, acompanha o impacto das decisões do Banco Central e da CVM no mercado digital brasileiro.





