A Base, rede layer 2 apoiada pela Coinbase, deve ativar o upgrade Azul na mainnet em 13 de maio. A atualização combina melhorias de segurança, performance e experiência para desenvolvedores, reforçando a disputa por infraestrutura dentro do ecossistema Ethereum.
A Base, blockchain de segunda camada apoiada pela Coinbase, entra na semana com um teste importante de maturidade técnica: o upgrade Azul deve ser ativado na mainnet em 13 de maio, segundo calendário citado pelo CoinDesk e por publicações que acompanham o ecossistema Ethereum.
A atualização importa porque marca o primeiro grande upgrade independente da rede. Na prática, a Base tenta mostrar que já consegue evoluir seu próprio stack com mais autonomia, em um momento em que as layer 2 disputam usuários, liquidez e desenvolvedores com promessas de transações mais baratas, rápidas e seguras.
O que muda com o Azul
O Azul concentra melhorias em três frentes: segurança, desempenho e experiência para desenvolvedores. Um dos pontos mais relevantes é a adoção de um sistema multiproof, combinando provas baseadas em ambientes de execução confiáveis (TEE) com provas de conhecimento zero. A ideia é reduzir a dependência de um único mecanismo de verificação e tornar a rede mais resistente a falhas isoladas.
Esse tipo de avanço é importante para a chamada descentralização por estágios das layer 2. Quanto mais independente e verificável for o sistema de provas, menor tende a ser a necessidade de confiança em operadores centrais. Para usuários comuns, o impacto aparece de forma indireta: mais segurança para aplicações, pontes e movimentações entre Base e Ethereum.
A atualização também mira ganhos operacionais. Relatos sobre o desenvolvimento do Azul apontam que a Base reduziu em cerca de 99% a quantidade de blocos vazios nos últimos meses, saindo de aproximadamente 200 por dia para perto de dois. A rede também teria processado picos de 5.000 transações por segundo em testes e cargas específicas.
Base tenta ganhar espaço entre as layer 2
A Base se consolidou como uma das principais redes de segunda camada do Ethereum, impulsionada pela distribuição da Coinbase e pelo crescimento de aplicações de DeFi, social finance e stablecoins. Como mostramos na matéria sobre Coinbase e stablecoins em Wall Street, a corretora vem tentando transformar infraestrutura cripto em uma frente estratégica além das receitas de trading.
O upgrade também conversa com uma tendência mais ampla do setor: redes e empresas buscando infraestrutura capaz de atender casos de uso mais frequentes, como pagamentos, agentes de IA e aplicações on-chain de varejo. Esse movimento apareceu recentemente em iniciativas envolvendo AWS, Coinbase e Stripe em pagamentos cripto para IA.
Para o Ethereum, upgrades em layer 2 são uma peça central da estratégia de escala. A rede principal segue como camada de liquidação, enquanto soluções como Base tentam absorver volume e reduzir custo para o usuário final. Esse pano de fundo também aparece nas discussões sobre a evolução técnica do próprio protocolo, como a proposta em que o Ethereum mira triplicar capacidade com Glamsterdam.
Por que o mercado acompanha
Mesmo sem um token próprio da Base, a atualização pode mexer com o ecossistema ao redor da rede. Protocolos que dependem de maior capacidade, pontes mais eficientes e melhor previsibilidade técnica tendem a acompanhar de perto qualquer mudança de infraestrutura.
O ponto de atenção é que upgrades de mainnet sempre carregam risco operacional. Desenvolvedores e usuários com capital em aplicações da Base devem monitorar comunicados oficiais, janelas de atualização e possíveis orientações de projetos que rodam sobre a rede.
Se a ativação ocorrer sem incidentes, o Azul reforça a narrativa de que a Base está deixando de ser apenas uma layer 2 com forte distribuição da Coinbase para se tornar uma plataforma com evolução técnica própria. Em um mercado que começa a separar infraestrutura real de promessas curtas de ciclo, isso pode pesar na disputa por liquidez e desenvolvedores nos próximos meses.
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





