Sam Bankman-Fried, fundador da FTX, formalizou um pedido de perdão presidencial ao governo Trump enquanto cumpre pena de 25 anos por fraude. O caso reacende o debate sobre clemência para nomes do setor cripto e ocorre em meio à tentativa de SBF de reverter sua condenação.
Sam Bankman-Fried, fundador da FTX, entrou formalmente com um pedido de perdão presidencial ao governo de Donald Trump, segundo reportagens publicadas nesta segunda-feira (8). A solicitação coloca de volta no centro do mercado cripto um dos casos mais simbólicos da última década: o colapso da FTX, a condenação por fraude e a disputa sobre até onde a clemência política pode alcançar executivos do setor.
O movimento não significa que Bankman-Fried será perdoado. O pedido abre uma etapa administrativa dentro do Office of the Pardon Attorney, órgão do Departamento de Justiça dos Estados Unidos que recebe e analisa solicitações de clemência antes de eventual decisão presidencial. A própria página pública do órgão explica que um caso “pending” está em revisão, sem indicar recomendação ou resultado final.
Pedido chega enquanto SBF cumpre pena de 25 anos
Bankman-Fried foi condenado por fraude e conspiração após o colapso da FTX, corretora que chegou a ser uma das maiores do mundo antes de quebrar em 2022. A sentença de 25 anos, definida em 2024, marcou o encerramento judicial de uma fase do caso, mas a defesa continuou tentando reduzir ou reverter os efeitos da condenação por meio de recursos e agora pela via política.
Segundo o Cointelegraph, a solicitação aparece como um pedido de “pardon after completion of sentence”, categoria usada para perdão após cumprimento de pena. Já o Bitcoin.com informou que o pedido foi enviado em 8 de junho e associado ao Office of the Pardon Attorney.
O histórico recente torna o tema sensível para o setor. Como o CriptoBR mostrou na cobertura sobre o fundador da FTX tentando se aproximar de Trump, SBF já vinha tentando reconstruir sua narrativa política após anos associado a doações democratas e ao colapso da exchange.
Por que o mercado cripto acompanha o caso
O pedido importa porque FTX virou um símbolo regulatório. A queda da corretora alimentou investigações, novas exigências de custódia e pressão sobre exchanges globais. Qualquer sinal de flexibilização em torno do caso tende a ser lido por investidores, reguladores e políticos como precedente para outros executivos condenados ou investigados.
Também existe uma camada reputacional. O setor cripto tenta se afastar da imagem de fraudes centralizadas, especialmente em um momento em que ETFs, stablecoins e tokenização ganharam espaço em Wall Street. Ao mesmo tempo, nomes ligados a grandes processos do ciclo anterior ainda continuam aparecendo em disputas judiciais, acordos e pedidos de clemência.
Essa tensão apareceu em outros episódios recentes. O CriptoBR noticiou, por exemplo, o acordo de Nishad Singh com a CFTC e o cronograma de pagamentos do FTX Recovery Trust a credores. Esses casos mostram que, mesmo anos depois da falência, a FTX ainda produz efeitos financeiros e jurídicos relevantes.
Perdão não apaga o debate sobre vítimas
Para os credores e ex-clientes da FTX, a pergunta central segue sendo a recuperação de recursos. O processo de falência avançou em diferentes frentes, mas a discussão sobre punição individual continua separada da devolução de valores. Um eventual perdão presidencial poderia alterar a situação penal de Bankman-Fried, mas não resolveria automaticamente as perdas e disputas remanescentes do espólio.
Por enquanto, o pedido deve ser tratado como uma tentativa formal, não como uma decisão iminente. O Office of the Pardon Attorney descreve a clemência como um processo que depende de análise e decisão presidencial. Até que haja uma resposta oficial, o caso permanece no campo político-jurídico, com impacto principalmente simbólico para um mercado que ainda carrega as cicatrizes da FTX.
Hillary Gonçalves cobre regulação cripto no Brasil, movimentações institucionais e adoção de stablecoins em real. Editora no CriptoBR desde 2026, acompanha o impacto das decisões do Banco Central e da CVM no mercado digital brasileiro.





