O token UNI subiu mais de 22% nesta quarta-feira, liderando uma rotação para altcoins enquanto o Bitcoin ficou perto de US$ 66 mil. O movimento veio após o Standard Chartered iniciar cobertura com alvo de US$ 100 para 2030 e antes da primeira decisão do Fed sob Kevin Warsh.
O token UNI, da Uniswap, virou o principal destaque do mercado cripto nesta quarta-feira (17), com alta de 22,5% enquanto o Bitcoin ficou praticamente travado perto de US$ 66 mil. A disparada colocou o setor DeFi de volta ao radar dos traders em um dia dominado pela expectativa em torno da decisão de juros do Federal Reserve.
Segundo dados citados pelo CoinDesk, o Bitcoin era negociado perto de US$ 65.800, com leve queda em 24 horas, mas ainda acumulando avanço semanal. A diferença é que o fluxo comprador apareceu com mais força nas altcoins: além de UNI, Hyperliquid (HYPE), Solana e Ether também registraram desempenho superior na semana.
Por que UNI virou o destaque do dia
O gatilho imediato para a alta foi um relatório do Standard Chartered, que iniciou cobertura de UNI com preço-alvo de US$ 100 até 2030. De acordo com a apuração da Investing.com, o banco também projeta UNI em US$ 6,50 no fim de 2026 e US$ 20 em 2027, apostando que a Uniswap pode ganhar espaço como infraestrutura de mercado para ativos tokenizados.
A leitura é relevante porque reposiciona a Uniswap para além da narrativa de corretora descentralizada. Se a tokenização de ações, fundos e outros ativos continuar avançando, protocolos de negociação on-chain podem disputar parte da infraestrutura de liquidação e distribuição desses produtos. Esse contexto conversa diretamente com a recente movimentação de grandes plataformas, como a entrada da Coinbase em ações tokenizadas e opções.
O CriptoBR também vem acompanhando a expansão desse tema na BNB Chain, incluindo a chegada de xStocks com ações tokenizadas on-chain. Para a Uniswap, o ponto central é simples: quanto mais ativos líquidos chegam à blockchain, maior tende a ser a demanda por mercados descentralizados capazes de negociar esses instrumentos sem depender do horário tradicional de bolsas.
Bitcoin espera o Fed, altcoins testam apetite por risco
A rotação para altcoins ocorreu em um momento delicado para o mercado macro. O Fed realiza sua primeira decisão de juros sob Kevin Warsh, e investidores querem entender se o banco central vai manter postura dura ou abrir espaço para uma leitura menos agressiva após a queda recente do petróleo.
O CoinDesk destacou que o Brent caiu para a região de US$ 79 por barril, o menor nível em mais de três meses, após sinais de acordo entre Estados Unidos e Irã. Petróleo mais barato reduz pressão inflacionária, o que em tese ajuda ativos de risco. Mesmo assim, o Bitcoin não acelerou, sugerindo que parte do capital preferiu buscar assimetria em tokens menores.
Esse comportamento não significa uma virada ampla garantida. Altcoins costumam reagir com mais força quando há melhora no apetite por risco, mas também devolvem ganhos rapidamente se o Fed sinalizar juros mais altos por mais tempo. Para traders, o dado mais importante agora não é apenas a decisão de hoje, e sim o tom do comunicado e da entrevista.
O que observar daqui para frente
No curto prazo, UNI precisa sustentar o interesse comprador após o choque inicial do relatório. A tese de longo prazo do Standard Chartered depende de adoção real de tokenização, volume on-chain e capacidade da Uniswap de capturar valor nesse fluxo. Sem isso, o alvo de US$ 100 continua sendo uma projeção agressiva, não uma certeza de mercado.
Para o setor DeFi, porém, o movimento importa. Depois de meses em que narrativas como IA, memecoins e infraestrutura dominaram o fluxo especulativo, a alta de UNI mostra que protocolos com uso claro ainda podem atrair capital quando uma tese institucional aparece. O ponto de atenção é separar fundamentos de euforia, especialmente em um mercado que segue sensível ao Fed.
Como pano de fundo, Ethereum e Solana também entram nessa leitura, já que boa parte da atividade DeFi depende dessas redes. O CriptoBR mostrou recentemente que o volume DEX voltou a aproximar Ethereum e Solana, reforçando que a disputa por liquidez on-chain segue aberta.
Se o Fed vier mais brando, a rotação para altcoins pode ganhar fôlego. Se o tom for duro, a alta de UNI pode virar apenas um rali pontual em meio a um mercado ainda defensivo.
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





