A Twenty One Capital (XXI) iniciou nesta terça-feira sua negociação na Bolsa de Valores de Nova York, marcando uma das estreias mais aguardadas do setor cripto e financeiro em 2025. A empresa nasce com um peso institucional raro no ecossistema: é formada por Tether, BitFinex e SoftBank, com apoio financeiro e operacional da Cantor Fitzgerald. O conjunto desses nomes posiciona a XXI como uma candidata real a disputar espaço com a Strategy, liderada por Michael Saylor.
A estreia ocorre sob o ticker XXI, e apesar do simbolismo do momento, as ações iniciaram o pregão operando em queda de 24,3%. A movimentação não impediu que o mercado reconhecesse a importância do lançamento, já que a companhia surge como a terceira maior tesouraria corporativa de Bitcoin do mundo, detendo 43.514 BTC. Fica atrás apenas da mineradora MARA e da Strategy, que atualmente lidera o ranking com mais de 660 mil BTC.
Uma tesouraria com gigantes por trás
A robustez da XXI se explica pela união de empresas que moldaram a infraestrutura cripto global. A Tether administra a maior stablecoin do mercado, enquanto a BitFinex figura entre as exchanges mais antigas e influentes. No universo financeiro tradicional, o SoftBank adiciona relevância, sendo gestor de mais de R$ 1,8 trilhão em ativos. A Cantor Fitzgerald, presidida por Howard Lutnick e hoje ligada ao Departamento de Comércio dos EUA, fortalece a legitimidade institucional.
Essa composição confere à Twenty One Capital uma credibilidade que a diferencia de outras empresas que adotaram Bitcoin como estratégia de alocação. A companhia não surgiu de uma necessidade de reestruturação, mas de um posicionamento claro: construir uma alternativa baseada nos fundamentos do Bitcoin e não no sistema fiduciário tradicional.
Jack Mallers assume o comando
A liderança da XXI está nas mãos de Jack Mallers, conhecido defensor do Bitcoin, empreendedor e integrante de uma família com forte presença histórica no mercado de derivativos. Mallers representa uma geração que transita entre inovação cripto e experiência financeira, agregando visão estratégica para expansão da tesouraria.
Sua presença no pregão da NYSE, durante o toque do sino, reforçou a mensagem de que a Twenty One Capital pretende ocupar espaço relevante tanto em Wall Street quanto na nova economia digital.
Pode surgir uma rival da Strategy?
Embora hoje detenha 6,5% do volume de Bitcoin em caixa da Strategy, especialistas consideram que a XXI pode ser a primeira empresa com capacidade real de competir pela hegemonia. O potencial se deve ao acesso a capital, infraestrutura global e velocidade decisória dos players envolvidos.
A própria empresa destaca em seu site uma visão crítica ao sistema financeiro atual, defendendo transparência, finitude monetária e governança baseada no Bitcoin. A estratégia não foca em proteção contra o colapso fiduciário, mas na construção de uma estrutura corporativa que “opta por não participar dele”.
Análise do nosso especialista de crescimento de comunidade
Segundo nosso especialista, a entrada da Twenty One Capital inaugura um novo ciclo de engajamento institucional no Bitcoin. Ele afirma que a narrativa corporativa tende a migrar de simples alocação de caixa para modelos de tesouraria estratégica 100% ancorados no BTC, o que pode atrair comunidades de desenvolvedores, investidores e educadores que buscam participar da descentralização via grandes corporações.
A leitura é que marcas com forte presença pública, como Tether, SoftBank e Cantor Fitzgerald, ampliam a legitimidade social do Bitcoin e estimulam ondas de adoção entre usuários que antes observavam o setor à distância. O especialista destaca que iniciativas desse porte geram novos ecossistemas de conteúdo, comunidades financeiras e movimentos sociais ligados à soberania digital.
A Twenty One Capital inicia sua jornada na NYSE com força simbólica e capacidade institucional incomum. Apesar da queda inicial das ações, a empresa já nasce com a terceira maior reserva corporativa de Bitcoin do planeta e com apoio de gigantes que podem redefinir o equilíbrio entre tesourarias estratégicas. Se conseguir escalar sua operação, pode se tornar a primeira rival concreta da Strategy de Michael Saylor.
A estreia representa um marco na convergência entre Wall Street e o Bitcoin, colocando em prática a tese de que corporações podem operar com modelos financeiros baseados em ativos incorruptíveis e transparentes. O movimento inaugura uma nova fase para o mercado de tesourarias BTC e pode desencadear uma corrida institucional por reservas digitais nos próximos anos.
Mauro Andrade cobre cripto internacional, geopolítica digital e mercado global no CriptoBR. Acompanha movimentos regulatórios nos EUA, Europa e Ásia, adoção institucional por grandes players (BlackRock, Fidelity, JPMorgan) e o impacto geopolítico das criptomoedas no cenário financeiro mundial.





