A Tether comprou a participação da SoftBank na Twenty One Capital, reforçando o controle sobre uma das maiores tesourarias públicas de Bitcoin. O movimento concentra a governança da empresa em torno da emissora do USDT e amplia a aposta em serviços financeiros, mineração e mercados de capitais ligados ao BTC.
A Tether International comprou a fatia da SoftBank na Twenty One Capital, empresa pública focada em tesouraria de Bitcoin e liderada por Jack Mallers. O anúncio foi feito em 20 de maio e marca uma mudança relevante de governança em uma companhia que nasceu com apoio de Tether, Bitfinex, SoftBank e Cantor Fitzgerald.
Segundo a própria Tether, os representantes da SoftBank deixaram o conselho da Twenty One após o fechamento da transação, em linha com o acordo de acionistas. O valor da compra não foi divulgado no comunicado oficial. Já a cobertura do Cointelegraph aponta que a participação da SoftBank era de cerca de 26%.
Tether aumenta controle sobre a estratégia de Bitcoin
A Twenty One foi criada para funcionar como uma empresa pública nativa de Bitcoin, combinando tesouraria em BTC, serviços financeiros, mineração, empréstimos, mercados de capitais e consolidação estratégica. Na prática, ela tenta ocupar um espaço parecido com o de companhias que usam Bitcoin como ativo central de balanço, mas com uma estrutura mais próxima do mercado financeiro cripto.
O movimento também aprofunda uma estratégia que o CriptoBR já vinha acompanhando. Em abril, a Tether propôs integrar Twenty One, Strike e uma operação de mineração em uma estrutura pública voltada ao Bitcoin. Agora, ao absorver a fatia da SoftBank, a emissora de stablecoin reduz a influência de um sócio externo relevante e ganha mais espaço para orientar a próxima etapa da companhia.
Paolo Ardoino, CEO da Tether, afirmou no comunicado que a participação da SoftBank ajudou a dar profundidade institucional à formação da Twenty One, mas disse que a convicção da Tether na empresa aumentou. A leitura de mercado é simples: a Tether quer que a Twenty One seja mais do que uma tesouraria passiva de BTC.
Por que isso importa para o mercado
A transação importa porque a Tether já é uma das empresas mais lucrativas do setor cripto e tem usado parte dessa força financeira para diversificar além do USDT. O CriptoBR mostrou recentemente que a companhia lucrou US$ 1 bilhão e ampliou o colchão de reservas do USDT, enquanto também aumentou exposição direta a Bitcoin.
Esse dinheiro tem virado estratégia. A Tether não está apenas emitindo uma stablecoin dominante; ela vem investindo em infraestrutura, energia, mineração, pagamentos e empresas com tese de Bitcoin. Em outra frente, a companhia adicionou 951 BTC e levou sua reserva acima de 97 mil bitcoins, reforçando a ideia de que o ativo continua no centro do plano de longo prazo.
Para investidores, a mudança na Twenty One deve ser observada sob dois ângulos. O primeiro é a concentração de controle: menos SoftBank e mais Tether significa uma direção estratégica mais alinhada à visão da emissora do USDT. O segundo é a governança: a saída de representantes do conselho muda a composição interna em um momento em que empresas de tesouraria cripto estão sob escrutínio cada vez maior.
SoftBank sai, mas a tese institucional continua
A saída da SoftBank não significa abandono da tese de Bitcoin por investidores institucionais, mas mostra que o capital tradicional pode ter apetite diferente do capital cripto quando a estrutura evolui. Para a Tether, a compra pode simplificar decisões e acelerar produtos ligados a BTC. Para o mercado, ela reforça a tendência de grandes players cripto criarem veículos públicos próprios em vez de depender apenas de ETFs ou participações minoritárias.
O ponto de atenção é que a estratégia de acumular Bitcoin em empresas listadas funciona bem em ciclos de alta, mas aumenta a sensibilidade a quedas do BTC e a mudanças de liquidez. Se a Twenty One avançar para empréstimos, mineração e mercados de capitais, o mercado terá que acompanhar não só quantos bitcoins a empresa carrega, mas também como ela transforma esse balanço em receita recorrente.
Por enquanto, a mensagem é clara: a Tether está consolidando controle sobre uma de suas maiores apostas públicas em Bitcoin. A compra da fatia da SoftBank transforma a Twenty One em um veículo ainda mais diretamente ligado à estratégia da emissora do USDT.
Hillary Gonçalves cobre regulação cripto no Brasil, movimentações institucionais e adoção de stablecoins em real. Editora no CriptoBR desde 2026, acompanha o impacto das decisões do Banco Central e da CVM no mercado digital brasileiro.





