A Tether Investments propôs unir a Twenty One Capital à Strike e à mineradora Elektron Energy. Se avançar, a operação cria uma companhia listada que combina tesouraria em Bitcoin, mineração, serviços financeiros e crédito em uma única plataforma.
A Tether Investments quer transformar a Twenty One Capital em uma plataforma integrada de Bitcoin. A empresa anunciou uma proposta para votar a favor da fusão da Twenty One com a Strike, companhia de serviços financeiros fundada por Jack Mallers, e depois unir o grupo à Elektron Energy, uma operadora de mineração de Bitcoin em larga escala.
O movimento importa porque desloca a tese das empresas de tesouraria em Bitcoin para algo mais operacional. Em vez de apenas acumular BTC no balanço, a estrutura proposta combinaria mineração, distribuição global, serviços financeiros, crédito, mercado de capitais e potencial de acumulação de Bitcoin ao longo do tempo.
O que está na proposta da Tether
Segundo o comunicado da Tether, a Strike contribuiria com uma plataforma lucrativa de serviços financeiros, presença em mais de 100 países e infraestrutura regulatória para produtos de compra, venda, custódia, transação e empréstimos com Bitcoin. A Elektron Energy entraria com infraestrutura de mineração, capacidade operacional e uma plataforma que administra aproximadamente 50 EH/s, cerca de 5% da rede Bitcoin.
A Tether também afirmou que pretende recomendar Raphael Zagury, fundador e CEO da Elektron, para o cargo de presidente da companhia combinada. A leitura é que a empresa quer juntar a força de produto e marca de Mallers com a experiência operacional e de mercado de capitais de Zagury.
Para o investidor cripto, a proposta adiciona uma nova camada ao debate sobre companhias públicas expostas ao Bitcoin. O CriptoBR já havia mostrado que a Twenty One Capital entrou no radar como possível rival da Strategy, enquanto a Tether segue ampliando sua exposição direta ao BTC.
Por que isso vai além de uma tesouraria em Bitcoin
A parte mais relevante da proposta é a tentativa de criar receitas recorrentes em torno do Bitcoin. Mineradoras dependem de eficiência energética, preço do BTC e taxa de hash; plataformas financeiras dependem de usuários, liquidez e licenças; empresas de tesouraria dependem, em grande parte, do apetite do mercado por exposição alavancada ao ativo. A fusão tenta empacotar esses três mundos em uma só tese.
A própria Tether descreveu o objetivo como posicionar a Twenty One para se tornar uma das principais companhias listadas de Bitcoin no mundo. Na prática, isso significaria uma empresa com balanço em BTC, mineração, serviços financeiros, empréstimos, mercado de capitais e estratégia de consolidação sob o mesmo guarda-chuva.
O contexto também ajuda a explicar o timing. A Tether tem ampliado investimentos em infraestrutura cripto, incluindo aportes e iniciativas ligadas a carteiras, pagamentos e mineração. Recentemente, o CriptoBR noticiou que a Tether revelou participação na Antalpha, ligada à Bitmain, reforçando o avanço da empresa para além do USDT.
O que ainda falta para o negócio avançar
A proposta ainda depende de discussões, aprovações e definição de termos. A Tether informou que detalhes sobre cronograma, governança e ativos incluídos serão divulgados conforme as conversas avançarem. Portanto, a operação não deve ser tratada como concluída.
Mesmo assim, o sinal estratégico é claro: grandes players de stablecoins e infraestrutura estão tentando capturar mais valor dentro do ecossistema Bitcoin. Se a combinação sair do papel, a Twenty One deixaria de ser apenas uma tese de balanço e passaria a disputar espaço com empresas que conectam mineração, serviços financeiros e adoção institucional em uma mesma estrutura.
Hillary Gonçalves cobre regulação cripto no Brasil, movimentações institucionais e adoção de stablecoins em real. Editora no CriptoBR desde 2026, acompanha o impacto das decisões do Banco Central e da CVM no mercado digital brasileiro.





