A Tether transferiu 951 BTC para sua carteira de reserva, elevando o total para 97.141 bitcoins, segundo dados on-chain da Arkham Intelligence. O movimento reforça a política da emissora do USDT de destinar até 15% do lucro operacional realizado para compras de Bitcoin, ampliando sua exposição além dos títulos do Tesouro dos EUA e do ouro.
A Tether, emissora da stablecoin USDT, adicionou mais 951 BTC às suas reservas e passou a deter 97.141 bitcoins, avaliados em cerca de US$ 7,16 bilhões pelos preços atuais. O movimento foi identificado em dados on-chain da Arkham Intelligence, que mostram a transferência de uma carteira quente da Bitfinex para um endereço rotulado como Tether: BTC Reserve.
Na prática, a operação reforça uma estratégia que a empresa vem executando desde 2023: reciclar parte do lucro gerado pelo negócio do USDT para aumentar sua posição em Bitcoin. Para o mercado, isso importa por dois motivos. Primeiro, porque amplia a exposição de uma das maiores empresas do setor ao principal criptoativo. Segundo, porque mostra que a Tether continua diversificando seu balanço mesmo com a maior parte das reservas ainda concentrada em caixa, equivalentes e dívida soberana dos Estados Unidos.
Tether amplia reserva com compras financiadas por lucro
Segundo a política divulgada pela própria companhia, até 15% do lucro operacional realizado pode ser direcionado para compras de Bitcoin. Isso diferencia a Tether de empresas que levantam capital especificamente para montar tesourarias em BTC. No caso da emissora do USDT, as aquisições são alimentadas pela geração de caixa do negócio principal.
Esse detalhe ajuda a entender por que a nova transferência chamou atenção. A Tether já vinha expandindo sua presença em ativos alternativos, incluindo ouro, e agora reforça mais uma vez que o Bitcoin segue no centro dessa estratégia. Como o CriptoBR mostrou na matéria sobre a nova carteira da Tether para pagamentos com USDT e Bitcoin, a empresa tem ampliado sua atuação em infraestrutura, não apenas em emissão de stablecoins.
Os dados citados por veículos internacionais indicam que a carteira de reserva usada nesta operação é a mesma já associada publicamente à companhia em compras anteriores. Isso dá mais peso à leitura de que não se trata de uma movimentação operacional qualquer, mas sim de mais um passo da estratégia de acumulação.
O que muda para o mercado de stablecoins
A Tether continua sendo a maior emissora de stablecoins do mercado, com capitalização na casa de US$ 185 bilhões. Ao mesmo tempo em que mantém exposição massiva a títulos do Tesouro americano, a empresa também vem reforçando colchões adicionais de reserva e apostando em ativos com perfil mais volátil, como Bitcoin e ouro.
Esse posicionamento ganha relevância em um momento em que as stablecoins seguem no centro do debate regulatório nos Estados Unidos. Recentemente, o CriptoBR destacou que o Clarity Act avançou após acordo sobre rendimento de stablecoins, aumentando a pressão por regras mais claras sobre reservas, supervisão e proteção ao consumidor.
Também vale lembrar que as exchanges seguem usando stablecoins como base de liquidez para boa parte do mercado. Em outra frente, a Binance ampliou suas reservas de stablecoins, mostrando como a competição por liquidez e confiança continua intensa entre os principais players do setor.
Bitcoin vira peça estrutural no balanço da Tether
Com 97.141 BTC em caixa, a Tether se aproxima do grupo de maiores detentores corporativos de Bitcoin do mundo. Ainda que sua estrutura de reservas continue apoiada principalmente em ativos conservadores, o aumento contínuo da posição em BTC sugere que a companhia vê o ativo não apenas como proteção de longo prazo, mas também como componente estratégico do seu balanço.
Para o investidor, a leitura é dupla. Por um lado, a compra reforça a narrativa de adoção institucional e de confiança no Bitcoin como reserva de valor digital. Por outro, aumenta o grau de sensibilidade da Tether às oscilações do mercado cripto, mesmo que essa exposição continue minoritária em relação ao total de reservas reportadas.
Se o ritmo atual continuar, a empresa deve seguir aparecendo entre os maiores acumuladores de Bitcoin do setor. E, em um mercado cada vez mais dependente de stablecoins para liquidez, cada novo movimento da Tether tende a ter impacto não só simbólico, mas também estratégico para toda a indústria.
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





