A Tether liderou uma rodada Série A de US$ 14 milhões na Belo, carteira digital focada em pagamentos com stablecoins na América Latina. A empresa quer ampliar presença regional e aprofundar atuação no Brasil, mirando freelancers, trabalhadores remotos e usuários que dependem de transferências internacionais.
A Tether liderou um aporte de US$ 14 milhões na Belo, carteira digital argentina que usa trilhos cripto para pagamentos, câmbio e transferências internacionais na América Latina. Segundo o CoinDesk, a rodada Série A também contou com Titan Fund, The Venture City, Mindset Ventures e G2.
O movimento reforça uma tese que vem ganhando força no mercado: stablecoins estão deixando de ser apenas ferramenta de trading e passando a disputar espaço em pagamentos do dia a dia, especialmente em regiões com inflação, moedas voláteis ou acesso limitado a contas em dólar.
Belo quer escalar pagamentos com stablecoins na região
Fundada em Buenos Aires em 2021, a Belo oferece uma carteira digital que permite manter e transferir moedas locais junto com dólares digitais. A empresa afirma ter mais de 3 milhões de usuários na América Latina e pretende usar os recursos para expandir operações no México, Chile, Colômbia, Peru, Bolívia e Paraguai.
A companhia também quer aprofundar sua presença no Brasil, com foco em freelancers, trabalhadores remotos e pessoas que recebem ou enviam dinheiro entre países. Esse público costuma enfrentar custos altos, prazos longos e múltiplos intermediários para movimentar recursos no sistema financeiro tradicional.
O CEO Manuel Beaudroit disse ao CoinDesk que a rodada chega após três anos de operação lucrativa e que o objetivo agora é escalar. A proposta da Belo é combinar pagamentos, câmbio e remessas em um único fluxo, usando a infraestrutura cripto nos bastidores para reduzir atrito.
Por que a Tether está interessada
Para a Tether, o investimento se encaixa em uma estratégia maior de ampliar o uso de stablecoins em mercados emergentes. A América Latina já aparece como um dos laboratórios mais relevantes desse movimento, tanto por demanda por dólar digital quanto por casos de uso práticos em remessas e pagamentos.
O CriptoBR mostrou recentemente que as stablecoins continuam crescendo em circulação, mesmo com queda no volume on-chain. Também há uma disputa crescente para levar esse tipo de infraestrutura a bancos e fintechs, como no caso de Visa e WeFi, que miram stablecoins para bancos on-chain.
A Tether já vinha testando novas frentes de distribuição. Em outra iniciativa recente, a empresa lançou uma carteira voltada a pagamentos com USDT e Bitcoin, sinalizando que a companhia quer estar mais próxima do usuário final, e não apenas das exchanges.
Impacto para usuários no Brasil
Para brasileiros que trabalham para clientes internacionais ou movimentam dinheiro entre países, a expansão de carteiras como a Belo pode significar mais alternativas para receber em dólar digital, converter para moeda local e transferir valores com menos etapas. Ainda assim, o setor depende de execução operacional, liquidez local e conformidade regulatória para virar uma opção realmente massiva.
O ponto central é que stablecoins estão se consolidando como infraestrutura financeira, não apenas como ativo cripto. Com a Tether colocando capital em uma carteira regional, a disputa por pagamentos na América Latina tende a ficar mais direta entre fintechs, bancos, emissores de stablecoins e plataformas cripto.
Hillary Gonçalves cobre regulação cripto no Brasil, movimentações institucionais e adoção de stablecoins em real. Editora no CriptoBR desde 2026, acompanha o impacto das decisões do Banco Central e da CVM no mercado digital brasileiro.





