A Telebras abriu o primeiro concurso público após quatro anos sem editais e decidiu atualizar o perfil dos futuros servidores. No edital 01/2025, publicado nesta quinta-feira, a estatal de telecomunicações passou a cobrar conhecimentos em blockchain para o cargo de Especialista em Gestão de Telecomunicações – Analista de Tecnologia da Informação.
As inscrições já estão abertas e seguem até 2 de janeiro de 2026. O período para pedido de isenção da taxa vai até 14 de dezembro de 2025. As provas estão previstas para 8 de fevereiro de 2026, com aplicação em Brasília e no Rio de Janeiro. A banca organizadora é o Cebraspe, responsável por divulgar o edital completo e conduzir as etapas de seleção.
O concurso ocorre em um momento de mudança interna na companhia. Vinculada ao Ministério das Comunicações, a Telebras é uma sociedade de economia mista listada na B3 sob o código TELB3 e segue as regras da CVM. Desde novembro de 2025, a empresa está em processo de transição para se tornar uma estatal não dependente, com maior autonomia financeira e maior exposição às exigências de mercado.
Para o cargo que exige blockchain, o candidato precisa ter formação superior na área de Tecnologia da Informação, em instituição reconhecida pelo MEC. Em Brasília, são duas vagas imediatas, uma de ampla concorrência e outra reservada para pessoas negras, além de 50 posições em cadastro reserva. No Rio de Janeiro, o edital prevê 30 vagas em cadastro reserva. A carga horária é de 40 horas semanais e o salário inicial é de R$ 11.680,78, acrescido de benefícios.
Ao incluir blockchain entre os conhecimentos técnicos, a Telebras indica que quer ir além da infraestrutura tradicional de telecomunicações. A tecnologia pode ser usada em registro e auditoria de dados, segurança de redes, rastreabilidade de contratos e transparência em operações de alta criticidade, o que se alinha à função da empresa de levar conectividade a municípios de todo o país.
Segundo o nosso especialista em crescimento de comunidade, o movimento também tem impacto direto na relação da Telebras com desenvolvedores, pesquisadores e profissionais do ecossistema digital. Ao colocar blockchain no edital, a estatal passa a dialogar com uma comunidade que acompanha de perto inovações em código aberto, redes descentralizadas e novas formas de organização digital. Isso abre espaço para parcerias, programas de capacitação e projetos pilotos que podem envolver universidades, startups e grupos de tecnologia espalhados pelo Brasil.
Na prática, a empresa não está apenas buscando um novo servidor. Está sinalizando que quer ter, dentro de casa, profissionais capazes de conversar com esse público, explicar a estratégia de modernização e transformar demandas da comunidade em soluções concretas de conectividade, segurança de dados e inclusão digital.
Com 53 anos de história, a Telebras combina a experiência de uma estatal tradicional com a pressão por eficiência de uma companhia listada em bolsa. Ao colocar blockchain no centro de um concurso público, a empresa envia um recado claro: quem quiser ocupar as novas vagas precisará dominar tanto a base de telecomunicações quanto as tecnologias emergentes que vão moldar a próxima década da infraestrutura digital brasileira.
Mauro Andrade cobre cripto internacional, geopolítica digital e mercado global no CriptoBR. Acompanha movimentos regulatórios nos EUA, Europa e Ásia, adoção institucional por grandes players (BlackRock, Fidelity, JPMorgan) e o impacto geopolítico das criptomoedas no cenário financeiro mundial.





