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Core Scientific fecha acordo de IA com AMD

Mauro Andrade by Mauro Andrade
julho 28, 2026
in Notícias
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Data center de IA e mineração de Bitcoin representando acordo entre Core Scientific e AMD
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📋 Resumo

A Core Scientific anunciou uma parceria de infraestrutura com a AMD para disponibilizar mais de 500 MW de capacidade nos EUA a partir de 2027, com possibilidade de expansão para até 2,5 GW. O acordo reforça a migração de mineradoras de Bitcoin para data centers de IA em um momento de margens mais apertadas na mineração.

A Core Scientific, uma das empresas mais conhecidas no setor de mineração de Bitcoin nos Estados Unidos, anunciou uma parceria de infraestrutura com a AMD para atender à demanda crescente por data centers voltados à inteligência artificial. O acordo prevê mais de 500 megawatts de capacidade nos EUA a partir de 2027, com possibilidade de expansão para até 2,5 gigawatts.

O movimento é relevante porque mostra como a infraestrutura elétrica e operacional construída para mineração de Bitcoin está sendo reaproveitada por empresas de IA. Em vez de depender apenas da receita gerada pelo hash rate, companhias do setor estão tentando vender capacidade de energia, refrigeração e colocation para clientes que precisam colocar GPUs em operação rapidamente.

AMD garante capacidade enquanto Core Scientific muda de perfil

Segundo o comunicado divulgado pela Core Scientific e pela AMD, a parceria amplia o acesso do ecossistema da fabricante de chips a infraestrutura “AI-ready” nos Estados Unidos. A fase inicial envolve mais de 500 MW para deployments de clientes finais a partir de 2027, enquanto a estrutura contratual deixa aberta a expansão para até 2,5 GW.

A Reuters, em matéria republicada pelo Investing.com, também destacou que o anúncio ocorre no mesmo dia em que a Core Scientific reportou resultados trimestrais e reforçou sua transição estratégica. Para investidores, o ponto central é que a companhia deixa de ser vista apenas como mineradora e passa a competir no mercado de infraestrutura de computação de alto desempenho.

Essa virada não surgiu do nada. Como o CriptoBR mostrou na matéria sobre a aposta da IREN em IA e a nova rota da mineração, mineradoras listadas vêm tentando monetizar energia e instalações em um ciclo no qual o custo de capital, a competição por máquinas eficientes e o halving pressionam a rentabilidade do Bitcoin minerado.

Por que isso importa para o mercado cripto

Para o setor cripto, a parceria funciona como mais um sinal de que a mineração pública está deixando de ser uma tese pura de Bitcoin. O caixa e a avaliação dessas empresas passam a depender cada vez mais de contratos de longo prazo com clientes de IA, não apenas do preço do BTC ou da dificuldade da rede.

Isso muda a leitura para acionistas e para o próprio ecossistema. Se a demanda por IA seguir forte, mineradoras com acesso a energia, terrenos, conexão à rede elétrica e experiência em operação 24/7 podem capturar uma fonte de receita mais previsível. Por outro lado, a mudança também reduz a exposição operacional direta ao Bitcoin, o que pode afastar investidores que buscavam uma aposta mais limpa no ativo.

O tema conversa com o comportamento recente do mercado. O Bitcoin segue como principal referência de risco para empresas de mineração, mas a narrativa de IA ganhou peso justamente quando a mineração ficou mais competitiva. Em paralelo, o CriptoBR acompanhou como o próprio mercado de BTC tem alternado entre busca por proteção e rotação para outros ativos, como na análise sobre ETFs de Bitcoin perdendo fôlego enquanto Ether lidera.

Infraestrutura virou o ativo mais escasso

A demanda por IA transformou energia disponível em ativo estratégico. Grandes modelos exigem data centers com alta densidade energética, refrigeração adequada e tempo rápido de implantação. Mineradoras que já passaram anos negociando conexão elétrica e construindo instalações em escala entram nessa disputa com uma vantagem operacional concreta.

O acordo com a AMD coloca a Core Scientific no centro dessa mudança. A empresa já havia se reposicionado após um período turbulento no setor de mineração, e agora tenta capturar parte da corrida por capacidade computacional. Para a AMD, a parceria ajuda a criar espaço físico e elétrico para clientes que usarão suas soluções de IA, em um mercado ainda dominado pela Nvidia.

O risco é que a transição exige capital pesado e execução precisa. Converter instalações, garantir equipamentos, cumprir cronogramas e manter contratos rentáveis pode ser mais complexo do que simplesmente ligar máquinas de mineração. Ainda assim, o anúncio reforça uma tese que vem ganhando força: no próximo ciclo, algumas “mineradoras de Bitcoin” podem valer mais pelo que conseguem hospedar do que pelo que conseguem minerar.

Para leitores que acompanham a tese de infraestrutura cripto, o recado é direto: hash rate continua importante, mas energia contratada, escala física e contratos de colocation estão virando métricas tão relevantes quanto produção mensal de BTC. Essa mudança também ajuda a explicar por que empresas tradicionais de tecnologia e IA estão olhando para ativos que nasceram dentro da mineração.

A notícia chega em um momento em que o Bitcoin ainda sustenta boa parte da narrativa do setor, inclusive em temas institucionais como a mudança de métricas acompanhada na matéria sobre a Strategy e seus indicadores ligados ao Bitcoin. A diferença é que, para mineradoras como a Core Scientific, a próxima etapa pode depender menos do bloco encontrado e mais da capacidade de vender infraestrutura para uma economia sedenta por computação.

Mauro Andrade
Mauro Andrade

Mauro Andrade cobre cripto internacional, geopolítica digital e mercado global no CriptoBR. Acompanha movimentos regulatórios nos EUA, Europa e Ásia, adoção institucional por grandes players (BlackRock, Fidelity, JPMorgan) e o impacto geopolítico das criptomoedas no cenário financeiro mundial.

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Tags: AMDBitcoinIAMineração
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