A Strategy, empresa liderada por Michael Saylor e conhecida por operar como uma “tesouraria de Bitcoin”, anunciou nesta segunda-feira, 15 de dezembro de 2025, a compra de 10.645 BTC por cerca de US$ 980,3 milhões, a um preço médio próximo de US$ 92.098 por unidade. Com isso, a companhia afirma ter chegado a 671.268 BTC em caixa, adquiridos por aproximadamente US$ 50,33 bilhões, com preço médio de cerca de US$ 74.972 por bitcoin.
A aquisição veio logo após outra compra de porte semelhante na semana anterior, reforçando a estratégia de acumulação mesmo em meio a discussões sobre risco, alavancagem e a natureza do modelo de negócios da empresa.
Caixa em dólar e financiamento por emissão de ações
No início de dezembro, a Strategy anunciou a criação de uma reserva de US$ 1,44 bilhão em dólares para sustentar pagamentos de dividendos de ações preferenciais e juros de dívida, buscando reduzir a necessidade de vender BTC em momentos de estresse de mercado.
No comunicado da compra mais recente, reportagens apontam que a empresa levantou recursos por venda de ações ordinárias e preferenciais, mantendo a mecânica que transformou a Strategy em um proxy de Bitcoin para parte do mercado acionário.
A batalha silenciosa: permanecer em índices pode virar o novo campo de disputa
Enquanto o caixa de Bitcoin cresce, a empresa enfrenta um desafio inesperado: a permanência em grandes índices. Segundo a Reuters, a Strategy manteve sua posição no Nasdaq 100, que passou por mudanças com vigência em 22 de dezembro de 2025, mas segue sob escrutínio de provedores como a MSCI, que deve revisar critérios para empresas cuja estratégia central é acumular ativos digitais.
Esse debate importa porque índices influenciam fluxos automáticos de fundos passivos. Uma eventual exclusão pode gerar vendas forçadas e volatilidade adicional, mesmo sem mudança nos fundamentos do Bitcoin.
A estratégia do nosso especialista em crescimento de comunidade
Nosso especialista sugere tratar esta notícia como uma história de gestão de risco corporativa, não apenas de “compra bilionária”. O plano de distribuição é:
Narrativa em camadas
Um fio de conteúdo com três blocos: o que foi comprado, como foi financiado e por que índices importam. Cada bloco com um visual simples e um único aprendizado.Educação prática sobre “proxy de BTC”
Explicar, com exemplos, a diferença entre comprar BTC diretamente e se expor via ações, incluindo impactos de índices, emissão de ações e risco de diluição. Sem promessas e sem torcida.Checklist de maturidade do investidor
Um post fixo com perguntas objetivas: horizonte, tolerância a drawdown, exposição total a cripto, e como evitar decisões por manchete. O foco é reduzir ruído e aumentar retenção de público qualificado.A nova compra de US$ 980 milhões deixa claro que a Strategy continua operando no modo “acumulação”, mas o mercado agora observa um segundo eixo além do preço do Bitcoin: a aceitação institucional do modelo, medida também pela forma como provedores de índices vão classificar e tratar empresas que se comportam mais como veículos financeiros do que como companhias operacionais tradicionais
Mauro Andrade cobre cripto internacional, geopolítica digital e mercado global no CriptoBR. Acompanha movimentos regulatórios nos EUA, Europa e Ásia, adoção institucional por grandes players (BlackRock, Fidelity, JPMorgan) e o impacto geopolítico das criptomoedas no cenário financeiro mundial.





