O Santander Brasil anunciou que a operação de bitcoin e criptomoedas que vinha sendo oferecida pela Toro foi integrada à Santander Corretora, unificando a experiência do investidor sob uma única marca. A mudança, confirmada pelo executivo Evandro Vieira, marca um novo passo dos bancos brasileiros na disputa por um espaço que antes era dominado por exchanges, agora com foco em governança, risco e conformidade.
O que muda para o cliente na prática
Com a unificação, clientes passam a acessar a negociação de criptoativos dentro de uma plataforma integrada à estrutura de corretagem do banco. Segundo a comunicação do Santander, a oferta começa com Bitcoin, Ether e Solana, além de “outros ativos digitais”, e clientes da Toro já começaram a receber notificações sobre a migração para o ambiente unificado.
Na estratégia, o Santander tenta juntar dois atributos que costumam pesar na decisão do investidor: de um lado, a fluidez digital e a base tecnológica da Toro; do outro, a percepção de solidez e infraestrutura de um banco global.
A frase que explica o posicionamento: “não é tecnologia, é conformidade”
Além do anúncio operacional, Evandro Vieira usou suas redes para sustentar uma mensagem central: no mercado cripto, o que separa empresas sustentáveis de aventuras é a qualidade do KYC, da custódia, do monitoramento e da gestão de riscos. Em outras palavras, o “produto” pode ser moderno, mas sem controles ele fica frágil para reguladores e para clientes.
Esse discurso não é casual. Em 2025, o Banco Central publicou normas que estruturam a regulação de prestadores de serviços de ativos virtuais, trazendo exigências de autorização, governança e controles, o que tende a favorecer quem já opera com frameworks robustos de risco e compliance.
O pano de fundo regulatório que acelera o movimento dos bancos
O novo marco regulatório do Banco Central para o setor de ativos virtuais foi consolidado em resoluções publicadas em 10 de novembro de 2025. Entre os pontos comentados por análises jurídicas e cobertura especializada, aparecem requisitos de governança e obrigações operacionais para PSAVs, além de parâmetros prudenciais como capital mínimo, que a cobertura do Valor Investe reportou em torno de R$ 10,8 milhões.
Com isso, a entrada de bancos no varejo cripto deixa de ser apenas “aposta em produto” e passa a ser também uma leitura estratégica: bancos já possuem estruturas de controles internas, relacionamento com reguladores e musculatura para absorver custos de conformidade.
A estratégia do nosso especialista em crescimento de comunidade
Nosso especialista em crescimento de comunidade recomenda tratar este anúncio como um tema de confiança e transição, não como “banco virou exchange”. A campanha pode rodar em três peças simples:
Guia “o que muda para quem era Toro”
Um passo a passo visual: o que migra, o que o cliente precisa fazer, e quais cuidados básicos antes e depois da mudança (senha, 2FA, conferência de posições, canais oficiais).Série “Cripto no padrão bancário”
Conteúdos curtos explicando por que KYC, custódia e gestão de risco importam, usando exemplos do cotidiano, sem prometer rentabilidade.FAQ ao vivo com foco em segurança
Live de 30 minutos só para dúvidas práticas: taxas, liquidação, custódia, declaração, e como evitar golpes em períodos de migração.O objetivo é transformar o anúncio em utilidade imediata, o tipo de conteúdo que gera compartilhamento orgânico e reduz ruído.
A integração da Toro à Santander Corretora sinaliza que a competição no Brasil está mudando de fase: menos marketing de “novidade” e mais disputa por distribuição, confiança e conformidade. Com regulação avançando e exigências maiores para o setor, o Santander tenta ocupar um espaço onde “ter tecnologia” não basta. O recado do banco é que o diferencial, daqui para frente, será operar cripto com o mesmo nível de governança aplicado aos investimentos tradicionais.
Mauro Andrade cobre cripto internacional, geopolítica digital e mercado global no CriptoBR. Acompanha movimentos regulatórios nos EUA, Europa e Ásia, adoção institucional por grandes players (BlackRock, Fidelity, JPMorgan) e o impacto geopolítico das criptomoedas no cenário financeiro mundial.





